Atua no mercado financeiro desde 2017. É assessor de investimentos na Valor Investimentos e membro do Ibef/ES. É formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

Quando o longo prazo começa a fazer sentido para o investidor

Com crédito pagando menos, títulos públicos de longo prazo ressurgem como opção de maior retorno potencial

Vitória
Publicado em 23/02/2026 às 10h28

Em alguns momentos do mercado, o investidor é recompensado pela paciência. Em outros, pela coragem. Alocar em títulos NTN-B de vencimento longo exige um pouco dos dois, mas, no cenário atual, a recompensa parece bem atrativa.

Recentemente, o BTG Pactual destacou que o prêmio oferecido pelas NTN-Bs longas voltou a ficar interessante. E não é apenas uma questão de “taxa alta”. É uma questão de assimetria.

Juros, dívida, Selic, endividamento
Curva de juros reflete expectativas do mercado e influencia o potencial de ganhos em títulos públicos de longo prazo. Crédito: iStock

Hoje, os juros reais brasileiros estão em patamar elevado quando comparados ao mundo todo e, principalmente, a outros países  emergentes. A curva longa embute um prêmio significativo, refletindo incertezas fiscais e ruídos estruturais. Mas a pergunta que precisamos fazer não é se o Brasil é arriscado. É se o prêmio pago compensa esse risco.

As NTN-Bs longas carregam duas forças:

1. IPCA + juros reais elevados, que por si só já formam uma base interessante de retorno real.

2. Duration longa, que amplifica ganhos caso a curva feche.

Se o Banco Central iniciar um ciclo consistente de cortes e o mercado começar a revisar para baixo os juros reais de longo prazo, o investidor pode capturar não apenas o carrego, mas também a valorização via marcação a mercado. Em títulos com vencimentos 2035, 2045 ou 2050, pequenos movimentos na taxa geram impactos relevantes no preço.

É matemática pura, mas o efeito é quase físico. A duration funciona como uma alavanca silenciosa.

Aqui está um ponto central.

Os spreads de crédito atualmente não oferecem grande prêmio adicional sobre o Tesouro IPCA. Em diversos casos, o investidor assume risco corporativo para ganhar poucos pontos-base acima de um papel soberano.

Quando o spread está gordo, faz sentido discutir alocação relevante em crédito privado. Mas quando o prêmio encolhe, o risco deixa de ser adequadamente remunerado.

Nesse contexto, a NTN-B longa passa a oferecer algo raro: risco soberano com prêmio elevado e opcionalidade de ganho via fechamento da curva.

Não é uma tese contra crédito privado estruturalmente. É apenas uma leitura tática de momento.

Dito isso, toda decisão de alocação precisa respeitar um princípio fundamental do gradualismo, que defende que os ajustes devem ser feitos de forma progressiva, avaliando:

  • perfil de risco do investidor,
  • horizonte de tempo, 
  • liquidez necessária,
  • exposição prévia à duration.

NTN-B longa oscila, e oscila bastante. Quem entra precisa ter clareza de que volatilidade faz parte do caminho, mas a taxa contratada é garantida pelo Tesouro no vencimento do papel.

Estamos diante de um momento em que a renda fixa oferece uma combinação interessante de retorno real elevado e potencial de valorização. Com spreads de crédito comprimidos, a relação risco-retorno dos títulos públicos longos parece mais atrativa.

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