Publicado em 13 de agosto de 2025 às 19:29
O governo Lula vai pedir ao Congresso Nacional autorização para excluir da meta fiscal deste ano R$ 9,5 bilhões de medidas do pacote de socorro às empresas atingidas pelo tarifaço dos Estados Unidos. Nesta terça-feira, 12, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, havia dito, porém, que as ações seriam computadas no cálculo da meta.>
O montante de R$ 9,5 bilhões é referente ao aporte em fundos garantidores e à devolução de impostos a exportadores por meio do programa Reintegra, afirmou o secretário-executivo da pasta, Dario Durigan.>
No fim da tarde de terça, Haddad disse que as medidas do pacote seriam custeadas com crédito extraordinário - ou seja, fora do limite de gastos do arcabouço -, mas que seriam computadas no cálculo da meta fiscal (saldo entre receitas e despesas, sem contar os juros da dívida).>
"O que mudou foi a gente ter trazido também a parte do Reintegra, a parte tributária com impacto, em termos de renúncia (fiscal), de até R$ 5 bilhões - o que, no primeiro momento, não estava nas contas ou a gente não estava considerando", explicou o secretário.>
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Durigan frisou que houve atualizações depois da participação do ministro Haddad em audiência no Congresso, o que fez com que o Reintegra entrasse nas contas.>
Ele disse que o diálogo foi feito com o Congresso e com o Tribunal de Contas da União (TCU). "Esse parece ser um caminho, inclusive sugerido e bem aceito por todos. Vai ser trabalhado no Congresso, como o diálogo foi feito lá, um projeto de lei complementar para ter esse 'waiver' (exclusão) da meta", completou o secretário.>
Ele frisou que o diálogo do governo com os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), foi definidor para essa decisão.>
"Tivemos considerações do vice-presidente, da indústria e dos presidentes das Casas, de que a gente precisaria, já neste primeiro momento, avançar no Reintegra. A gente concordou, os argumentos prevaleceram e o próprio Congresso sinalizou positivamente para esse diálogo", afirmou Durigan.>
Ele disse ainda que a Fazenda prioriza adotar uma prioridade para definir setores. Segundo ele, alguns empresários apontaram que já conseguiram um "respiro" ao encontrar um mercado substituto aos Estados Unidos após a taxação de 50% sobre produtos brasileiros. >
O secretário-executivo afirmou ainda que o diferimento (adiamento no pagamento de impostos) deve ser feito de maneira conservadora para não impactar as contas fiscais de 2025.>
"Vamos ter que ter uma flexibilidade importante para ir definindo setores e ir atualizando. Nós tivemos conversa com alguns setores e, na primeira conversa, eles estavam tendo dificuldade e, recentemente, estão sinalizando que já acharam um mercado substituto e então já podem ter vazão, o que poderia dar um alívio para algumas linhas", disse Durigan. >
O secretário de Política Econômica da Fazenda, Guilherme Mello, declarou que a pasta está criando critérios de priorização e exige, por parte das empresas, a manutenção de empregos para serem beneficiadas com as medidas anunciadas pelo plano de contingência, cuja medida principal é a abertura de linhas de crédito de R$ 30 bilhões. >
"Como nós estamos criando critérios de priorização, nós também teremos o cuidado de exigir das empresas a manutenção dos empregos, mas olhando para a realidade de cada uma e de cada grupo que será priorizado", disse Mello.>
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