> >
Governo estuda criar concurso unificado para técnicos de universidades federais

Governo estuda criar concurso unificado para técnicos de universidades federais

Ministra Esther Dweck diz que ideia ainda está em fase inicial de discussão entre MEC e Escola Nacional de Administração Pública

Publicado em 17 de março de 2026 às 19:46

SÃO PAULO - O governo federal estuda a possibilidade de criar um concurso público unificado para técnicos de universidades e institutos federais. A informação foi dada pela ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, nesta terça-feira (17), durante coletiva de imprensa.

Segundo a ministra, a proposta ainda está em estágio inicial de discussão entre o MEC (Ministério da Educação) e a Enap (Escola Nacional de Administração Pública). A presidente da Enap, Betânia Lemos, disse que ainda há poucas informações sobre a proposta.

A ideia é que o certame seja parecido com o CNU (Concurso Nacional Unificado), conhecido como Enem dos concursos.

Ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck
Esther Dweck disse que o governo não pretende realizar uma terceira edição do CNU em 2026 Crédito: Joédson Alves/Agência Brasil

A hipótese foi mencionada após uma pergunta sobre a possibilidade de um "CNU para professores universitários", algo que, segundo Dweck, é pouco provável, porque em geral são concursos muito específicos.

Apesar disso, o governo tem incentivado as universidades a agruparem vagas em editais únicos para permitir a aplicação da lei de cotas. "Tradicionalmente, é uma vaga por área, o que torna impossível aplicar cotas", disse.

A maior parte das vagas previstas recentemente no serviço público está concentrada na área educacional. De acordo com os dados apresentados, foram criados 13,2 mil cargos para professores e 11,6 mil para técnicos administrativos da educação, principalmente para os institutos federais, mas também para universidades.

Durante a coletiva, Dweck reforçou que o governo não pretende realizar uma terceira edição do CNU em 2026. A ministra explicou que não existe impedimento legal para a realização de concursos em ano eleitoral, mas há restrições para a nomeação de aprovados.

Segundo a legislação, apenas candidatos de concursos homologados até 4 de julho, três meses antes das eleições, podem tomar posse ainda no mesmo ano.

A continuidade do modelo dependerá do próximo governo. "Num eventual Lula 4, a probabilidade grande é de ter sim um CPNU 3, porque a nossa avaliação é que a política foi muito acertada e merece ser continuada", afirmou.

A ministra também anunciou que o governo pretende convocar mais 1.860 candidatos aprovados no cadastro de reserva dos primeiros CNU. Segundo ela, a nova chamada será feita para preencher vagas que ficaram abertas após as convocações anteriores.

Dweck afirmou que o cadastro de reserva do primeiro concurso, que inicialmente reunia cerca de 13 mil candidatos, já diminuiu significativamente após as convocações realizadas. Com o CPNU 2, o governo formou um novo cadastro reserva com quase 8.000 candidatos.

A ministra ainda diz que o governo conseguiu reverter a tendência de queda no número de servidores federais. Entre 2019 e 2022, foram registrados 10,8 mil ingressos e 55,3 mil aposentadorias, resultando em um saldo negativo de 44,5 mil servidores.

Já a partir de 2023, segundo o ministério, houve 19,4 mil ingressos e 16,5 mil aposentadorias, o que representa um saldo positivo de 2,8 mil servidores. A expectativa do governo é que cerca de 70 mil servidores federais se aposentem até 2030.

Dados apresentados pela pasta também mostram que 48,4% dos aprovados nos concursos recentes são mulheres. A participação feminina é mais expressiva em áreas como seguridade social e saúde, onde elas representam 72,7% dos aprovados, e no nível médio da saúde, com 68,5%.

Em outras áreas, no entanto, os homens ainda predominam, como desenvolvimento socioeconômico (81,1%), engenharia e arquitetura (74,2%), ciência e tecnologia (70,6%) e nível médio de regulação (68,8%).

Este vídeo pode te interessar

  • Viu algum erro?
  • Fale com a redação

A Gazeta integra o

The Trust Project
Saiba mais