Publicado em 30 de março de 2021 às 16:40
- Atualizado há 5 anos
O Ministério da Economia considera muito difícil o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sancionar o Orçamento de 2021 com o formato aprovado pelo Congresso. A equipe vê risco de o governo cometer crime de responsabilidade ao assinar o texto. >
Para integrantes do governo ouvidos, formalizar o Orçamento no desenho atual significaria assinar uma condenação pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Por isso, o time do ministro Paulo Guedes (Economia) procura uma forma de ajustar os números.>
Independentemente de como esse ajuste será feito, a condição inicial é haver um acordo com a classe política. As conversas entre governo e aliados precisam encontrar um consenso sobre o que vai ser retirado do Orçamento.>
Nos bastidores, três formas para ajustar o Orçamento foram colocadas sobre a mesa. A votação de um projeto orçamentário completamente novo, o ajuste nos números pelo relator ou vetos a aumentos de despesas a serem feitos por Bolsonaro no ato da sanção.>
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O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), descartou em entrevista à Folha nesta segunda-feira (29) a possibilidade de um projeto completamente novo e parte da equipe econômica menciona os vetos como o caminho que mais faz sentido.>
As conversas prosseguem e dependem de refazer costuras com aliados. A equipe econômica tinha aceitado um acordo para encaixar cerca de R$ 16 bilhões em emendas a mais no Orçamento durante o processo de tramitação, mas ala política e aliados foram além e o montante ultrapassou R$ 30 bilhões -inviabilizando os números.>
As mudanças deixaram o Orçamento sem recursos suficientes para despesas obrigatórias, que são demandadas por leis ou pela Constituição. Por isso, Bolsonaro ficou diante de um impasse jurídico para a sanção.>
Os entendimentos sobre as emendas foram feitos ao longo da tramitação com nomes como o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL); com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG); com o senador Márcio Bittar (MDB-AC), relator do Orçamento; com o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP); e até com a deputada Flávia Arruda (PL-DF), anunciada como nova ministra da Secretaria de Governo.>
Integrantes do Executivo reconhecem que houve falhas também por parte do governo ao permitir uma elevação nas verbas de emendas nesse tamanho.>
Agora, o objetivo do Ministério é buscar manter apenas o acordo inicial de R$ 16 bilhões em emendas extras, de forma a fazer os números (e os acordos) caberem no Orçamento. Isso permitira que as verbas possam, de fato, ser executadas.>
Guedes fez um pedido à classe política nesta terça-feira (30) para ajustar o Orçamento e para que não haja uma desorganização da economia.>
"Nosso apelo final é que os acordos políticos têm que caber nos orçamentos públicos. A essência da política é fazer alocação dos recursos, [com] nosso compromisso com a saúde e a responsabilidade fiscal", afirmou ao participar da divulgação de dados do mercado de trabalho.>
Sem citar nomes, o ministro atribuiu os problemas vistos no Orçamento a um problema de comunicação entre os envolvidos. Ele disse haver espaço para usar mais recursos públicos neste ano, mas desde que diretamente para o combate à Covid ou seus efeitos e com valor definido para cada programa.>
O governo discute uma saída enquanto o TCU acompanha o tema de perto. O tribunal entrou no assunto após uma representação sobre o Orçamento feita por deputados na segunda.>
De acordo com relatos de integrantes do TCU feitos à Folha, o tribunal deve fazer um levantamento dos problemas que levaram ao imbróglio e cobrar informações da Casa Civil ou do Ministério da Economia. Mesmo que não haja uma posição conclusiva, o órgão deve emitir um posicionamento "suficientemente duro" sobre o tema.>
O documento está vinculado a um processo de relatoria do ministro Bruno Dantas que acompanha os efeitos da pandemia no Orçamento da União.>
Antes disso, o caso será objeto de análise preliminar da unidade técnica do tribunal. Conforme integrantes do TCU, a área pode concluir em parecer que há crime de responsabilidade se Bolsonaro sancionar o Orçamento conforme o texto saiu do Congresso.>
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