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Bolsa fecha em baixa de 1,29%, no dia da substituição de Mandetta

O Ibovespa  no encerramento do pronunciamento, voltava a mostrar queda acima de 1%, quando o novo ministro era apresentado pelo presidente Jair Bolsonaro

Publicado em 16/04/2020 às 18h17
Movimentação Bolsa de Valores, índice BOVESPA na Bolsa de Valores de São Paulo, mercado, ações, negócios
Movimentação Bolsa de Valores, índice BOVESPA na Bolsa de Valores de São Paulo, mercado, ações, negócios. Crédito: Bruno Rocha/Agência O Globo/ Arquivo AG

O Ibovespa chegou a acentuar perdas no meio da tarde, refletindo piora no desempenho das ações de bancos, entre as blue chips do índice, após críticas do secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, de que a liquidez provida por iniciativa do governo não estaria chegando à ponta do crédito. Afinal moderada perto do encerramento do dia, após a confirmação de troca no comando da saúde, a deterioração na B3 ocorria em momento no qual S&P 500 e Nasdaq mudavam de sinal e passavam a subir, ainda que levemente, assim como o petróleo Brent, aos quais a Bolsa tem se mantido correlacionada em boa parte das sessões.

Ao fim, a confirmação da saída do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e sua substituição por um oncologista, Nelson Teich, que já mostrou compromisso público com a manutenção do distanciamento social como melhor estratégia para lidar com a disseminação do novo coronavírus quando não se dispõe de vacinação em massa, contribuiu para que o Ibovespa limitasse perdas em direção ao fim da sessão. No encerramento, contudo, voltava a mostrar queda acima de 1%, quando o novo ministro era apresentado pelo presidente Jair Bolsonaro.

Na saída de Mandetta, parece ter se evitado o cenário extremo, de substituição de um defensor aberto do distanciamento social, combatido por Bolsonaro, por um "negacionista" alinhado ao presidente, como o também médico, ex-ministro e deputado federal, Osmar Terra. Poucos minutos antes do ajuste de fechamento, no entanto, o presidente apresentava Teich, reiterando a defesa de reabertura da economia. "Estávamos voando no final do último trimestre", disse Bolsonaro. "Conversei com Dr. Nelson para gradativamente abrir o emprego no Brasil", observou o presidente por volta das 17h15. "Nos preocupamos para que essa volta à normalidade chegue o mais breve possível."

Nesta quinta-feira, o índice encerrou em baixa de 1,29%, aos 77 811,85 pontos, fora mas não tão distante da mínima da sessão, a 77.452,36 pontos - na máxima, foi hoje aos 80.167,22 pontos. O giro financeiro totalizou R$ 21,0 bilhões. Com a perda de hoje, a segunda consecutiva após duas altas em sequência, o índice limita os ganhos da semana a 0,17% e sustenta avanço de 6,56% no mês, enquanto no ano cede agora 32,72%.

Na ponta negativa do Ibovespa, Ecorodovias caiu hoje 5,33%, BR Distribuidora, 4,93%, e Gol, 4,23%. Destaque também para perda de 4,03% em Petrobras PN, com a ON em baixa de 2,95% no fechamento da sessão. Vale ON encerrou o dia em terreno negativo (-1,00%), assim como as ações de grandes bancos, com destaque para a unit do Santander (-3,86%), que no dia anterior já havia cedido 4,10%, entre as maiores baixas do Ibovespa ontem.

Os sinais de que a pandemia fez grandes estragos à economia mundial continuam a chegar, como os novos indicadores de atividade e de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA, divulgados hoje, na véspera do aguardado anúncio do PIB da China no primeiro trimestre, provavelmente em contração. "Houve um dado interessante, hoje, na leitura do auxílio-desemprego, com relação aos pedidos continuados", pagos a trabalhadores desempregados há mais de uma semana, observa Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe da Levante. "Existe uma grande destruição de empregos, mas há também uma recuperação rápida nos EUA, a considerar a variação sobre os pedidos continuados", acrescenta.

"Aqui, a piora que ocorria no meio da tarde pode ter relação com certa cautela antes do pronunciamento do Trump (sobre a reabertura ou não da economia) e também da divulgação do PIB da China, marcados para depois do fechamento de hoje", diz Bevilacqua. "Abril de fato trouxe menos volatilidade do que a observada nos dois meses anteriores. Saímos dos 60 mil para os 80 mil, com alguma dificuldade para se sustentar acima desta última linha. Apesar da melhora, o Ibovespa ainda apanha no ano se comparado a outros índices, como os de Índia, Rússia e mesmo Itália", acrescenta o estrategista.

Muito da debacle econômica decorrente da Covid-19 parece ter se embutido nos preços, seja nas ações, seja em commodities com demanda enfraquecida pela crise, como o petróleo, o que se reflete em uma volatilidade bem mais contida em abril do que nos dois meses anteriores. Assim, desde o último dia 7, o Ibovespa tem se mantido, nos fechamentos, na faixa relativamente estreita de 76,3 mil a 79,9 mil pontos, tendo chegado a romper a linha dos 80 mil no intradia, como hoje, quando foi aos 80.167,22 pontos na máxima da sessão.

"A acomodação do Ibovespa meio que acompanha a das bolsas americanas: aquele cenário de 'desgraça' passou", diz Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença. Por outro lado, há dificuldade para o Ibovespa se sustentar acima dos 80 mil pontos na falta de catalisadores, aqui como no exterior, que deem impulso maior aos preços.

Ao mesmo tempo, não se veem oscilações de dois dígitos, em porcentual e em pontos, como as observadas no auge da crise. Na quarta-feira, em sessão sem a volatilidade vista nos vencimentos de opções e futuros em fevereiro e março, o giro financeiro ficou acima de R$ 97 bilhões, ultrapassando com folga os dos três meses anteriores, mas com o maior volume concentrado nas opções de venda. "Isso devido a proteção das carteiras. Muita gente usou opções de venda do Ibovespa para proteção", observa Monteiro.

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