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Banco Central lançará cédula de R$ 200 até o fim de agosto

Conselho Monetário Nacional aprovou lançamento da nova cédula, que terá como personagem o lobo-guará.

Publicado em 29/07/2020 às 16h01
Atualizado em 29/07/2020 às 17h52

O CMN (Conselho Monetário Nacional) aprovou, nesta quarta-feira (29), o lançamento da cédula de R$ 200,00, que terá como personagem o lobo-guará. A autarquia não divulgou imagem da nova cédula.

Lobo-Guará
Lobo-guará irá ilustrar nova cédula. Crédito: José Sabino/ Pixabay

A nova cédula do real deverá entrar em circulação a partir do final de agosto. A previsão é que sejam impressas 450 milhões das novas cédulas em 2020.  O Banco Central gastará R$ 113,8 milhões a mais do que o previsto no orçamento anual para a produção das novas notas e para a produção de mais cédulas de R$ 100.

Ao todo, são 8,32 bilhões de cédulas em circulação. Atualmente, o país tem seis tipos de cédula: de R$ 2, R$ 5, R$ 10, R$ 20, R$ 50 e R$ 100, o maior valor de face de nota de real, com 1,71 bilhão de unidades.​

Desde 2002, com o lançamento da nota de R$ 20,00, o BC não havia colocado novos valores de face de cédulas em circulação.

Na manhã desta quarta, o BC informou que de fevereiro – antes da pandemia – para junho o Papel Moeda em Poder do Público (PMPP) saltou 28,9%, de R$ 210,227 bilhões para R$ 270,899 bilhões. Este é o maior valor da série histórica do BC, iniciada em dezembro de 2001.

“Com a pandemia, observamos o aumento do entesouramento [quando o dinheiro fica parado na mão das pessoas]. Com isso, estamos nos antecipando para atender demandas futuras”, disse a diretora de Administração do BC, Carolina Barros, em entrevista coletiva na tarde desta quarta.

Segundo ela, as notas não entrarão todas em circulação de uma vez, mas de forma gradual. “Vamos observar a necessidade de papel-moeda e como serão as primeiras entregas.”

A nota de R$ 200 está em fase final de testes de impressão. A diretora afirmou que o BC já estudava criar a cédula e, mesmo após a normalização da demanda por cédulas, não pretende tirar o novo valor de face e circulação.

Segundo ela, não há falta de cédulas. “O BC entende que a quantidade de cédulas em circulação é adequada, não há falta de papel-moeda.”

A Folha mostrou, entretanto, que, além das filas, a escassez de cédulas travou a liberação do auxílio emergencial de R$ 600 em maio e levou a Caixa Econômica a limitar os saques. Até hoje, quem recebe benefícios emergenciais pelo aplicativo da instituição tem que aguardar alguns dias para fazer a retirada em dinheiro.

De acordo com o chefe do departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, o aumento da base monetária, que é a quantidade de dinheiro na economia, já vinha sendo observado nos últimos meses. “Com isso, aumentou a procura por papel-moeda, principalmente com o pagamento dos auxílios emergenciais”, pontuou.

Ele explicou que a medida não tem efeito inflacionário. “Não há relação direta da expansão da base com a inflação, que continua baixa, estável, sem que cause perspectiva de elevação”, avaliou.

Carolina Barros justificou que em pesquisa realizada em 2018, 60% da população alegou utilizar dinheiro físico como principal meio de pagamento (57% entre lojistas).

Para ela, o lançamento da cédula não concorre com a agenda de inovações em meios de pagamentos do BC. “Se notarmos que a demanda por dinheiro diminuiu, vamos retirar papel-moeda de circulação gradualmente, como sempre foi feito.”

Em novembro, começará a funcionar o sistema de pagamentos instantâneos da autoridade monetária, chamado de PIX, que tem como um dos objetivos diminuir o uso de dinheiro físico.

Sobre o design, a imagem impressa é captada por meio de foto, feita pela equipe do BC.

“Em 2001, fizemos uma enquete com a população com uma lista de animais em extinção para que elas escolhessem qual elas gostariam de ver estampados nas cédulas. Em primeiro lugar ficou a tartaruga-marinha, que está na nota de R$ 2, em segundo o mico-leão dourado, que foi para a de R$ 20 e em terceiro lugar ficou o lobo-guará”, contou Barros.

As imagens da cédula só serão divulgadas em agosto, no lançamento oficial, por questões de segurança.

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