Graduado em Economia pela Ufes, com MBA em Gestão Financeira e Controladoria pela FGV e MBA em Digital Business pela USP. Atua há 15 anos no mercado financeiro e atualmente é diretor do Banestes.

Como dar os primeiros passos no mundo dos investimentos

Começar a investir exige menos pressa por ganhos rápidos e mais clareza sobre objetivos, prazos e tolerância ao risco

Vitória
Publicado em 10/02/2026 às 09h02

Se você está começando, a primeira decisão não é “qual ativo comprar?”, e sim “por que eu vou investir?”. Sem objetivo e prazo, o iniciante vira presa fácil de modismos, promessas de retorno rápido e recomendações genéricas. O Tesouro Direto — programa do governo federal que permite ao investidor pessoa física emprestar dinheiro ao Estado em troca de uma remuneração — reforça que, antes de investir, é fundamental definir objetivos e prazos, aumentando assim as chances de alcançar as metas financeiras.

Mulher estudando sobre investimentos
Mulher estudando sobre investimentos. Crédito: Freepik

1) Arrume a casa antes de buscar rentabilidade

Banco Central (BC), no eixo de cidadania financeira, insiste em dois pontos que parecem simples, mas mudam o jogo: criar o hábito de poupar e escolher investimentos com critério, começando pelo autoconhecimento do seu perfil e da sua tolerância a oscilações.

Na prática: antes de pensar em ações ou “oportunidades”, monte uma reserva para imprevistos e organize o orçamento. Investir sem colchão de liquidez costuma gerar o pior erro do iniciante: vender no susto quando surge uma urgência financeira.

2) Entenda risco do jeito certo

O risco não desaparece quando investimos. Ele apenas assume formas diferentes. Isso significa que podemos distribuir o dinheiro entre tipos de investimentos, como renda fixa, ações e recursos de alta liquidez, de acordo com o tempo que você pode deixar o dinheiro aplicado e com o quanto tolera oscilações no caminho.

Tradução para o dia a dia: não existe investimento “sem risco”. O que existe é risco diferente. Evitar volatilidade a qualquer custo pode significar aceitar inflação corroendo o poder de compra. O iniciante precisa equilibrar segurança e crescimento, e não escolher um extremo.

3) Comece simples, diversifique cedo e revise

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no Portal do Investidor, disponibiliza cartilhas e guias em linguagem direta para explicar fundamentos do mercado e direitos do investidor. Use isso como “manual de sobrevivência”: compare produtos, entenda custos e não invista no que você não consegue explicar em duas frases.

Checklist final, para começar a investir hoje:

  • Defina um objetivo e uma data.
  • Faça um teste de perfil e respeite seu estômago.
  • Comece por produtos que você entende e consegue acompanhar.
  • Diversifique e evite concentração por impulso.
  • Estude por fontes oficiais, como BC, CVM e Tesouro Direto, antes de seguir influenciadores.

Investir bem, no começo, é mais sobre consistência e proteção contra erros do que sobre achar o “pulo do gato”.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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