No complexo xadrez do mercado financeiro, investidores buscam constantemente ferramentas que equilibrem a busca por rentabilidade com a necessidade de proteção. Entre as alternativas mais versáteis — e muitas vezes incompreendidas — estão as opções. Recentemente, entrevistei o especialista Virgílio Laje (clique aqui para assistir na íntegra) sobre como esses derivativos podem atuar não apenas como instrumentos especulativos, mas, principalmente, como um "seguro" para a gestão de riscos.
Diferente da compra direta de ações, onde o investidor se torna dono de uma fração de uma empresa, a opção é um derivativo. Na prática, trata-se de um contrato que confere ao comprador o direito (e ao vendedor a obrigação) de comprar ou vender um ativo por um preço fixo (chamado de strike) em uma data determinada (vencimento).
Existem dois tipos fundamentais: as Calls (opções de compra) e as Puts (opções de venda). "Imagine o seguro de um carro", explica Virgílio. "Você paga um prêmio para estar protegido caso ocorra um sinistro. No mercado financeiro, a lógica é similar: você pode adquirir uma 'Put' para garantir que conseguirá vender sua ação por um preço justo, mesmo que o mercado desabe."
Uma das estratégias mais acessíveis para o investidor pessoa física é o lançamento coberto. Nessa operação, quem já possui a ação, vende uma opção de compra (Call) sobre esse ativo. Ao fazer isso, ele recebe um "prêmio" em dinheiro imediatamente. Se a ação não subir além do preço combinado, o investidor retém a ação e o dinheiro do prêmio, gerando o que o mercado chama de dividendo sintético.
No entanto, há um compromisso: se a ação disparar, o lançador é obrigado a vendê-la pelo preço do strike. "É o chamado cobertor curto", brinca Virgílio. "Ou você protege o pé, ou cobre o rosto. O risco aqui não é perder dinheiro nominalmente, mas deixar de ganhar em uma alta explosiva".
Para investidores de longo prazo (Buy and Hold), as opções servem para travar lucros após grandes valorizações. Se uma ação como a Vale, por exemplo, sobe de R$ 55 para R$ 80 em pouco tempo, o investidor pode usar opções para garantir que seu lucro não se evapore em uma correção repentina do mercado.
A agressividade das opções reside na sua volatilidade. Como o preço de uma opção é muito menor que o da ação objeto, uma variação de 1% no ativo principal pode resultar em oscilações de 100% ou mais no derivativo. Essa característica atrai especuladores que operam "a seco" (comprando apenas a opção), mas o especialista alerta que essa é a forma mais arriscada de operar devido ao fator tempo: se o movimento esperado não ocorrer até o vencimento, a opção "vira pó" (zera), e o investimento é perdido integralmente.
Operar opções exige conhecimento técnico. Além disso, é crucial estar atento às garantias exigidas pelas corretoras. Ativos como ações e títulos públicos costumam ser aceitos, enquanto outros, como fundos imobiliários, geralmente não servem como margem.
A ressalva final é clara: para quem está começando, o acompanhamento de um profissional é altamente recomendado antes de entrar nesse mercado.
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