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Esquema Ponzi e pirâmides: como reconhecer antes de cair na armadilha

Apesar de esses golpes financeiros se reinventarem com nomes modernos, os sinais de alerta permanecem os mesmos; saiba identificá-los

Publicado em 03 de Novembro de 2025 às 09:40

Públicado em 

03 nov 2025 às 09:40
João Pedro Prata

Colunista

João Pedro Prata

Pirâmide financeira, esquema ponzi, golpe, finanças, investimentos
Nas pirâmides, cada pessoa que entra precisa trazer outras, e os ganhos vêm dessa expansão Crédito: Reprodução
Promessas de retornos rápidos, ganhos fáceis e lucros garantidos sempre existiram no mercado financeiro. Embora mudem de roupagem com o passar do tempo, os famosos esquemas Ponzi e as pirâmides financeiras continuam atraindo vítimas ao redor do mundo. Por isso, entender a origem e as principais características desses golpes é essencial para se proteger.
A origem do nome vem de Charles Ponzi, um imigrante italiano que, em 1920, montou um esquema em Boston, nos Estados Unidos, prometendo retornos de até 50% em apenas 45 dias. A justificativa era a negociação de cupons postais internacionais, mas, na prática, ele apenas usava o dinheiro de novos investidores para pagar os antigos.
O sucesso inicial chamou tanta atenção que milhares de pessoas entregaram suas economias a Ponzi. Em poucos meses, o esquema colapsou, deixando prejuízos milionários e marcando a história das fraudes financeiras. Desde então, qualquer golpe baseado nesse modelo passou a ser chamado de esquema Ponzi.
O exemplo mais famoso do século XXI é o de Bernie Madoff, ex-presidente da bolsa eletrônica Nasdaq. Durante décadas, ele manteve um esquema Ponzi bilionário, enganando bancos, fundos e investidores do mundo inteiro. O golpe foi revelado em 2008, durante a crise financeira, e se tornou o maior Ponzi já registrado.
A história foi retratada no filme The Wizard of Lies (O Mago das Mentiras), de 2017, com Robert De Niro no papel de Madoff. A produção mostra como até mesmo investidores sofisticados e instituições renomadas podem ser enganados quando a promessa de retorno é muito sedutora.
As pirâmides, por sua vez, são variações desse mesmo princípio, mas estruturadas em recrutamento de novos participantes. Cada pessoa que entra precisa trazer outras, e os ganhos vêm dessa expansão em níveis sucessivos.
Muitas vezes, esses sistemas se disfarçam de empresas de marketing multinível, vendas de produtos ou até cursos. O detalhe é que a maior parte do dinheiro não vem do produto em si, mas da entrada constante de novos membros. Assim como no Ponzi, o colapso é inevitável quando faltam novos participantes.
Embora Madoff tenha sido o caso mais famoso do mundo, o Brasil também registrou grandes fraudes que afetaram milhares de pessoas:
  • Avestruz Master (anos 2000): empresa prometia lucros fáceis com a criação de avestruzes. Na prática, nunca houve o número de aves informado, e o dinheiro vinha apenas dos novos investidores. Estima-se que mais de 40 mil pessoas foram lesadas.
  • Telexfree (2012–2014): vendida como marketing multinível de telefonia VoIP, o verdadeiro negócio era recrutar novos associados. Tornou-se uma das maiores pirâmides já desmascaradas no país, movimentando bilhões até ser interditada pela Justiça.
  • BBom (2013): alegava trabalhar com rastreadores veiculares, mas a Justiça comprovou que a maior parte das receitas vinha do recrutamento de novos participantes, caracterizando pirâmide financeira.
  • Unick Forex (2017–2019): empresa que prometia altos ganhos com criptomoedas e trading de forex. Foi considerada esquema Ponzi, deixando prejuízos estimados em mais de R$ 20 bilhões.
  • D9 Clube de Investimentos (2016–2017): afirmava operar apostas esportivas, mas, na realidade, o modelo era típico de pirâmide.
Esses casos mostram que, mesmo com diferentes fachadas, a essência é sempre a mesma: retornos insustentáveis baseados em dinheiro novo entrando no sistema.
Apesar de se reinventarem com nomes modernos, os sinais de alerta permanecem os mesmos:
  • Promessas de retorno fixo e muito acima da média de mercado;
  • Falta de clareza sobre o produto ou estratégia de investimento;
  • Dificuldade em resgatar o dinheiro investido;
  • Pressão para recrutar novos participantes;
  • Aparência de credibilidade: contratos sofisticados, linguagem técnica e até empresas de fachada.
Por isso, antes de investir, questione sempre quando o retorno prometido parece bom demais para ser verdade. Verifique se a empresa é registrada e fiscalizada por órgãos reguladores, como a CVM ou o Banco Central, e consulte um profissional de investimentos habilitado.
O que sustenta esquemas Ponzi e pirâmides não é apenas a criatividade dos fraudadores, mas também a ganância e a falta de informação dos investidores. Entender a história e os sinais desses modelos ajuda a criar um olhar crítico.

João Pedro Prata

Atua no mercado financeiro desde 2017. É assessor de investimentos na Valor Investimentos e membro do Ibef/ES. É formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

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