O Pix revolucionou a forma como movimentamos dinheiro, mas a sua velocidade também passou a ser explorada por criminosos. Para combater os golpistas, o Banco Central estabeleceu que, a partir de fevereiro, o sistema financeiro implemente o MED 2.0. Se você ainda não conhece essa sigla, saiba que ela pode ser uma grande aliada na sua segurança digital.
Mas afinal, o que é o MED?
O MED é o Mecanismo Especial de Devolução que representa um conjunto de regras e procedimentos técnicos criados pelo Banco Central para facilitar a recuperação de dinheiro em casos de fraudes ou golpes. Quando um usuário percebe que foi vítima de um crime, ele aciona o MED por meio do seu banco para tentar reaver o valor enviado.
Até então, o MED tinha uma limitação importante: só conseguia bloquear o dinheiro se ele ainda estivesse na primeira conta que o recebeu. Os golpistas, sabendo disso, criaram o método de "pulverização", transferindo o valor instantaneamente para diversas outras contas, em diferentes bancos — as chamadas "contas laranja" — o que dificulta o rastreio do golpe.
E o que muda com o MED 2.0?
Com a chegada do MED 2.0, o sistema possibilita o “rastreio em cascata”. Por meio dele, será possível perseguir o dinheiro em múltiplas camadas.
- Bloqueio em múltiplas contas: se o criminoso dividir o dinheiro do golpe em dez contas diferentes, o novo sistema tem permissão para identificar e bloquear esses valores em todas elas simultaneamente.
- Automação de resposta: o processo deixa de ser uma troca de mensagens manual entre bancos e passa a ser um protocolo automático dentro da rede do Pix, tornando a resposta muito mais rápida do que o saque do criminoso.
E como isso funciona na prática?
Para o usuário, o processo continua simples: ao perceber que foi vítima de um golpe ou que fez uma transferência indevida sob coação, ele deve registrar a reclamação no seu banco, pelo aplicativo ou canais oficiais, em até 80 dias.
A grande diferença acontece nos bastidores do sistema: o processo de rastreio ocorrerá através de uma varredura instantânea em toda a cadeia de transferência para onde aquele dinheiro fluiu. Se o recurso ainda estiver no sistema bancário em qualquer nível de movimentação, ele poderá ser retido para análise e posterior devolução.
Com o rastreio automático, quem empresta ou vende o acesso à sua conta para receber dinheiro ilícito terá o CPF marcado pelo sistema de monitoramento de forma muito mais rápida, enfrentando bloqueios imediatos e restrições severas em todo o Sistema Financeiro Nacional.
Tecnologia e prevenção
O MED 2.0 representa um salto tecnológico, mas a tecnologia é apenas uma parte da solução. A educação financeira e a prevenção continuam sendo as defesas mais eficazes.
O Pix é uma ferramenta rápida e eficiente, porém a atenção do usuário no momento de realizar a transação é fundamental. Antes de confirmar qualquer pagamento, é essencial conferir os dados do recebedor e, na dúvida, não realizar a transferência.
Com a implementação dessas novas regras, o Banco Central espera não apenas dificultar a vida dos criminosos, mas consolidar a confiança dos brasileiros no sistema. O objetivo final é que o Pix continue sendo sinônimo de praticidade, mas com uma camada de proteção digital cada vez mais robusta, diminuindo prejuízos e fortalecendo a segurança de todos.
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