Quando se discute por que a economia brasileira cresce pouco, rapidamente chegamos a uma longa lista de problemas nacionais: sistema tributário complexo, baixa qualidade da educação, insegurança jurídica, infraestrutura insuficiente, burocracia e dificuldade para realizar reformas estruturais. Grande parte dessas questões realmente depende de decisões tomadas em Brasília. Mas isso não significa que estados precisem esperar.
Produtividade, em termos simples, significa produzir mais valor utilizando os recursos disponíveis. E existe um conjunto relevante de decisões capazes de aumentar a produtividade de uma economia que está ao alcance dos governos estaduais.
Esse debate é especialmente importante para o Espírito Santo. O Estado construiu, nas últimas décadas, uma situação fiscal relativamente sólida, desenvolveu instrumentos de planejamento de longo prazo e possui uma economia fortemente conectada ao comércio exterior. O próximo passo precisa ser transformar essas vantagens institucionais em ganhos permanentes de produtividade.
Uma primeira frente está na redução do custo de fazer negócios. Cada licença que demora desnecessariamente, cada procedimento redundante e cada exigência administrativa que poderia ser digitalizada representam horas de trabalho e recursos que deixam de ser utilizados na atividade produtiva. Simplificação regulatória não significa eliminar controles. Significa fazer o Estado funcionar com menos tempo, menos incerteza e maior previsibilidade.
A segunda frente é infraestrutura. Rodovias, portos, ferrovias, energia e conectividade digital determinam quanto custa produzir e transportar. O governo estadual não precisa necessariamente construir toda essa infraestrutura. Pode melhorar projetos, organizar concessões, articular investimentos privados e, principalmente, planejar a infraestrutura de maneira integrada com as regiões onde novas atividades econômicas estão surgindo.
Existe ainda uma terceira dimensão frequentemente menos visível: a qualidade do capital humano. A formação profissional precisa conversar mais rapidamente com as transformações da economia capixaba. Se o Espírito Santo pretende ampliar atividades industriais, logísticas, tecnológicas e energéticas, precisa antecipar quais profissionais serão demandados nos próximos cinco, dez ou quinze anos. Formação de mão de obra não deveria ocorrer somente depois que a escassez de trabalhadores qualificados aparece.
Outra possibilidade é utilizar melhor o próprio poder de compra e a capacidade de organização do governo. Compras públicas podem estimular inovação, bases de dados governamentais podem reduzir assimetrias de informação e políticas de transformação digital podem diminuir custos tanto para empresas quanto para cidadãos. Um governo mais produtivo também contribui para uma economia mais produtiva.
Talvez o ponto mais importante, entretanto, seja criar um ambiente no qual investir no Espírito Santo seja previsível. Empresas tomam decisões olhando décadas à frente. Regras claras, estabilidade institucional, planejamento territorial, segurança jurídica e continuidade das políticas públicas reduzem risco. E menor risco significa mais disposição para investir.
Isso muda também a maneira de pensar desenvolvimento econômico. A competição entre Estados não deveria ocorrer apenas pela concessão de incentivos. O diferencial mais sustentável é oferecer condições para que uma empresa instalada aqui consiga ser mais produtiva.
O Espírito Santo evidentemente continuará dependendo das decisões nacionais. Juros, impostos federais, comércio exterior e reformas estruturais continuarão influenciando nossa trajetória. Mas existe uma agenda importante que pode avançar independentemente do ritmo de Brasília.
Talvez essa seja uma das principais vantagens de uma economia estadual: sua escala permite coordenar políticas, testar soluções e produzir resultados mais rapidamente. Em vez de perguntar apenas quando o Brasil realizará as reformas necessárias para aumentar sua produtividade, podemos fazer outra pergunta: o que o Espírito Santo pode começar a fazer agora?
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