No dia 28 de julho, o Conselho Nacional de Previdência Social decidiu mexer no teto de juros do crédito consignado do INSS. Por trás dessa notícia técnica, existe uma oportunidade concreta para milhões de aposentados e pensionistas brasileiros e, provavelmente, para alguém da sua família. Um consignado mais barato significa uma chance real de trocar dívidas caras por uma dívida menos pesada, e isso pode aliviar o orçamento de quem vive com renda fixa mês a mês.
Vale entender por que o consignado é uma das linhas mais baratas do mercado. Como o valor da parcela é descontado diretamente da folha de pagamento, o banco corre um risco muito menor de calote. Menos risco para quem empresta se traduz em juros mais baixos para quem pega o dinheiro. Enquanto o cartão de crédito no rotativo e o cheque especial cobram juros que facilmente ultrapassam 100% ao ano, o consignado trabalha com taxas em outro patamar, muito mais civilizadas.
É justamente aí que mora a jogada inteligente. Se um aposentado está com o cartão estourado ou preso no cheque especial, faz todo sentido usar o consignado para quitar essas dívidas caras. Na prática, você não está criando uma dívida nova, está trocando uma dívida que sufoca por uma que cabe no bolso. É a diferença entre pagar juros de agiota e pagar juros de banco.
Outro direito que pouca gente usa é a portabilidade. Assim como acontece com o financiamento de um imóvel, você pode levar seu consignado de um banco para outro que ofereça uma taxa menor. Se o seu contrato foi feito há algum tempo, quando os juros estavam mais altos, vale pesquisar. A economia ao longo das parcelas pode ser expressiva, e o banco atual é obrigado a informar o saldo devedor para que você faça a comparação.
Mas aqui preciso ser honesto com você, porque essa coluna existe para proteger o seu dinheiro, não para empurrar crédito. O consignado é barato, porém continua sendo dívida. E dívida barata que vira dinheiro para consumo, para gastar em coisas que não precisamos, deixa de ser solução e vira armadilha. O grande risco é o comprometimento excessivo da renda. Quando parte grande da aposentadoria já sai descontada antes mesmo de cair na conta, sobra pouco para viver, e qualquer imprevisto se torna uma crise.
Some a isso os golpes. Aposentados são alvo preferido de quadrilhas que ligam oferecendo crédito fácil, pedem dados, aplicam empréstimos sem autorização ou cobram taxas por um serviço que é gratuito. A regra de ouro é simples: banco sério não liga oferecendo dinheiro do nada, e você nunca deve passar senha ou dados por telefone. Se a oferta chegou até você, desconfie e procure a agência por conta própria.
Essa mudança no consignado não acontece isolada. Nesta quarta-feira (5), o Comitê de Política Monetária do Banco Central se reúne para decidir a taxa Selic, hoje em 14,25% ao ano. O mercado projeta os juros em torno de 14% no fim do ano, com um ritmo de corte bem lento. O recado para você é claro: os juros no Brasil vão continuar altos por um bom tempo. Isso torna a troca de dívida cara por dívida barata ainda mais urgente, e ao mesmo tempo mantém a renda fixa pagando muito bem para quem consegue guardar dinheiro em vez de tomar emprestado.
Estamos entrando em agosto, o meio do ano, e nenhum momento é tão propício para um balanço financeiro honesto. Pegue papel e caneta, ou o aplicativo do banco, e olhe para as suas dívidas de frente. Quais são as mais caras? Dá para renegociar? Aquelas metas que você traçou lá em janeiro e deixou pelo caminho, ainda dá tempo de retomar antes que os gastos de fim de ano cheguem batendo à porta. Organização financeira não é sobre ganhar mais, é sobre decidir melhor com o que já se tem.
Cuidar do dinheiro é, no fundo, um exercício de sabedoria e de zelo com o que nos foi confiado. Que possamos administrar com prudência, sem nos deixar escravizar por aquilo que deveria nos servir. Como diz um texto que gosto muito da Bíblia: "O rico domina sobre os pobres, e o que toma emprestado é servo do que empresta" (Provérbios 22:7).
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