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Os juros caíram. Será que isso é mesmo uma boa notícia?

Entenda por que a queda da taxa de juros pode ajudar e preocupar ao mesmo tempo

Publicado em 21 de Junho de 2026 às 05:00

Públicado em 

21 jun 2026 às 05:00
Daniel Carraretto

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Daniel Carraretto Daniel Carraretto

O Banco Central baixou os juros do país na última quarta-feira (17). A taxa básica de juros, chamada de Selic, caiu de 14,50% para 14,25% ao ano. Foi a terceira vez que ela caiu em 2026.


À primeira vista, parece uma ótima notícia. Juro mais baixo deixa o crédito mais barato. O financiamento da casa, a parcela do carro, o empréstimo no banco, tudo tende a pesar um pouco menos no bolso. Então, qual é o problema?

Taxa Selic
Selic cai para 14,25%, mas nem tudo é boa notícia para o seu bolso Shutterstock

O problema é o momento. Em maio, a inflação veio mais alta do que o esperado, puxada principalmente pela comida, pela conta de luz e pelo custo de moradia. Os preços de produtos e serviços ainda estão subindo bastante. E, quando os juros caem, a economia ganha um empurrãozinho e as pessoas tendem a gastar mais. Só que gastar mais, num momento em que os preços já estão subindo, pode fazer a inflação subir ainda mais. É como soltar o freio do carro antes de ter certeza de que ele vai parar.


O próprio Banco Central admitiu que está com um pé atrás. No comunicado, avisou que a inflação ainda está acima do que deveria e que o cenário lá fora segue confuso, principalmente por causa dos conflitos no Oriente Médio, que afetam o preço do petróleo. E não quis prometer absolutamente nada sobre as reuniões dos próximos meses.


Mesmo com essa queda, o Brasil continua sendo o país que paga o maior juro real do mundo (cerca de 10% ao ano). Para quem tem dinheiro guardado, isso é bom: aplicações simples e seguras, como o Tesouro Direto e os CDBs, ainda rendem bem acima da inflação. Para quem precisa pegar dinheiro emprestado, ainda é caro.

Os juros e o fator eleição

E tem um detalhe importante daqui para frente. 2026 é ano de eleição. Nesses anos, o governo costuma gastar mais para agradar a população. O problema é que o aumento excessivo de gastos costuma empurrar os preços pra cima, ou seja: mais inflação. Se isso acontecer, o Banco Central pode ser obrigado a parar de baixar os juros ou até voltar a elevá-los, bem na hora em que o brasileiro mais esperava um respiro.


Então, qual é o recado? A queda dos juros é bem-vinda, mas não é hora de relaxar. Quem tem dívida pode começar a sentir um pequeno alívio. E quem consegue guardar dinheiro deve aproveitar que as aplicações seguras ainda estão pagando bem. O importante é não confundir um alívio momentâneo com uma mudança que veio pra ficar. Até porque pode não durar por muito tempo.

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Daniel Carraretto

Daniel Carraretto Daniel Carraretto

Daniel Carraretto é consultor de Investimentos CFP® e sócio do Multi Family Office Zanella Wealth, com mais de R$ 2 bilhões sob gestão. Tem mais de 18 anos de experiência e gerencia o patrimônio financeiro de famílias de alta renda. Foi reconhecido pela Anbima com uma das principais vozes sobre investimentos no Brasil, com mais de 1 milhão de seguidores no Instagram (@danielcarraretto).

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