O Dia Nacional da Saúde, celebrado em 5 de agosto, homenageia o nascimento de Oswaldo Cruz, um dos maiores sanitaristas da história brasileira. Sua trajetória marcou a construção da saúde pública no país ao demonstrar que o enfrentamento das doenças exige conhecimento científico, capacidade institucional e compromisso do Estado com a proteção da vida.
Mais de um século depois, seu legado permanece atual. Os desafios mudaram, mas a resposta continua a depender da mesma combinação de ciência, vigilância em saúde, inovação e políticas públicas capazes de alcançar toda a população.
A pandemia da Covid-19 evidenciou, de forma dramática, a importância do Sistema Único de Saúde. Foi o SUS que garantiu atendimento, vigilância epidemiológica, campanhas de vacinação, assistência hospitalar e produção de conhecimento.
Ao mesmo tempo, a crise revelou fragilidades acumuladas ao longo de anos de subfinanciamento e desestruturação de políticas públicas, especialmente a dependência externa na produção de medicamentos, insumos e vacinas.
A partir de 2023, o Brasil iniciou um importante processo de reconstrução das capacidades do Estado na área da saúde. O fortalecimento do Programa Nacional de Imunizações, a recuperação das coberturas vacinais, a intensificação da vigilância em saúde para resposta a emergências sanitárias e climáticas, a reestruturação de programas estratégicos, a valorização da ciência e a reinserção do país na cooperação internacional recolocaram a saúde pública como prioridade nacional.
Esse processo também incluiu a retomada e ampliação do Programa Farmácia Popular, com a oferta gratuita de medicamentos essenciais para milhões de brasileiros; a criação do Programa Mais Acesso a Especialistas, voltado à redução das filas e à ampliação do acesso a consultas, exames e cirurgias especializadas no SUS; e o lançamento do Programa Brasil Saudável, estratégia intersetorial que reúne diferentes áreas do governo para eliminar doenças socialmente determinadas e reduzir as desigualdades em saúde até 2030.
O Brasil avançou na recuperação e no fortalecimento de certificações e reconhecimentos internacionais junto à Organização Mundial da Saúde (OMS), incluindo a revalidação do status de país livre do sarampo e o reconhecimento de melhorias nos sistemas de vigilância, imunização e resposta a emergências.
Em 2024, o Departamento de Emergências em Saúde Pública do Ministério da Saúde foi designado Centro Colaborador da OPAS/OMS para Formação em Emergências em Saúde Pública. Esses avanços reforçam a credibilidade do país e sua capacidade de retomar padrões internacionais de excelência em saúde pública.
Outro eixo estruturante desse novo ciclo é o fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), entendido como base estratégica para a soberania sanitária e para o desenvolvimento nacional.
Nesse contexto, o Brasil retomou investimentos estruturantes voltados à redução da dependência externa em medicamentos, vacinas, equipamentos e insumos estratégicos. O fortalecimento da Fiocruz, do Instituto Butantan, da Hemobrás e de outras instituições públicas de ciência e tecnologia, aliado à expansão de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), tem permitido ampliar a produção nacional, internalizar tecnologias estratégicas e fortalecer a inovação voltada às necessidades do SUS.
Também avançam os investimentos na Hemobrás, em Pernambuco, ampliando a capacidade nacional de produção de hemoderivados e consolidando a soberania do sangue, reduzindo a dependência de produtos importados. Soma-se a isso a incorporação, pelo Instituto Butantan, da tecnologia para produção da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), ampliando a autonomia do país diante de uma importante causa de infecções respiratórias em crianças e idosos.
Na Fiocruz, os investimentos de aproximadamente R$ 2 bilhões na implantação e pré-operação do novo complexo industrial de Bio-Manguinhos, em Santa Cruz (RJ), ampliarão significativamente a capacidade nacional de produção de vacinas, biofármacos, reagentes e outros insumos estratégicos para o SUS, consolidando o maior centro de produção de produtos biológicos da América Latina.
Em conjunto, esses investimentos expressam uma política de Estado voltada à soberania tecnológica, à inovação e à preparação do Brasil para responder com maior autonomia aos desafios sanitários do presente e do futuro.
Ao integrar saúde, desenvolvimento industrial e inovação, o Brasil reafirma que o SUS não é apenas um sistema de atenção à doença, mas um dos maiores projetos de desenvolvimento social e econômico do país.
Celebrar o Dia Nacional da Saúde é, portanto, reconhecer a contribuição histórica de Oswaldo Cruz, homenagear os milhões de trabalhadores e trabalhadoras do SUS e reafirmar que investir em ciência, educação, inovação, no Complexo Econômico-Industrial da Saúde e no Novo PAC é investir no desenvolvimento soberano do Brasil.
Que possamos reafirmar que o legado de Oswaldo Cruz continua inspirando a construção de um Sistema Único de Saúde cada vez mais forte, resiliente, equitativo e preparado para proteger a vida de todas as pessoas.