O primeiro semestre terminou com a Bolsa (B3) em alta de quase 7%. Parece um bom número, e é. Mas quem acompanha o mercado de perto sabe que a história por trás desse resultado foi mais tensa.
Depois de bater quase 200 mil pontos em abril, a Bolsa caiu 15% e fechou em junho o quarto mês seguido de queda. Ou seja, o placar do semestre ficou positivo, mas o jogo virou no segundo tempo.
E aqui está o ponto que mexe com o seu bolso. Nos últimos meses, quem mandava na Bolsa era o mundo lá fora: guerra, preço do petróleo e o dinheiro estrangeiro entrando e saindo do país.
Agora isso está mudando. O que vai decidir o rumo dos investimentos daqui pra frente é o que vai acontecer aqui dentro, no Brasil. Três coisas, principalmente: os juros, as contas do governo e o clima das eleições que se aproximam.
Vamos por partes. A taxa Selic, que é o juro básico do país, segue lá no alto. Isso segura a inflação, mas deixa o crédito mais caro. E tem um efeito direto no investidor: a renda fixa continua pagando muito bem.
Quando o investimento mais seguro rende bastante, a Bolsa precisa oferecer algo bem atrativo para valer o risco. Por isso, o mercado ficou mais exigente, escolhendo com lupa em quais empresas colocar dinheiro.
Aqui entra a minha opinião, e ela é de cautela. O Copom, em sua última reunião, decidiu pela queda dos juros, mesmo com a inflação passando do teto da meta e com a dívida do país crescendo forte. Junte isso ao roteiro de sempre em ano eleitoral: mais gastos do governo para agradar o eleitor.
Cortar juros no meio desse cenário não é sinal de mar calmo. Para mim, é o contrário: é um alerta de dias mais difíceis para a Bolsa. Governo gastando demais costuma cobrar a conta lá na frente, seja com mais inflação, seja com juros que voltam a subir. E a Bolsa quase nunca escapa dessa conta.
Diante disso, bate a tentação de tentar adivinhar cada passo do mercado: comprar hoje, vender amanhã, acertar o topo, fugir do fundo. Só que ninguém controla o dinheiro estrangeiro, nem as decisões do Banco Central, nem o barulho da política. Tentar prever o que não dá pra prever costuma sair caro.
O que está mesmo nas suas mãos é outra coisa, e é justamente o que importa: o percentual da sua carteira que será alocado em Bolsa; a qualidade das empresas em que você investe; e a diversificação, para não colocar todos os ovos na mesma cesta. Além disso, é necessário ter disciplina para seguir um plano de longo prazo, sem se desesperar a cada balanço do mercado.
Como diz Provérbios 21:5, "os pensamentos do diligente tendem só para a abundância, porém os de todo apressado tendem só para a pobreza". No mercado de capitais, é a mesma lei. Vence não quem corre atrás de cada notícia ou novidade, mas quem tem plano, paciência e constância. O segundo semestre promete mais emoção. Faça por onde para que sua carteira de investimentos esteja preparada.
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