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Dentista pode ajudar a tratar distúrbios do sono

Pandemia acentuou problemas de sono, como bruxismo, ronco e apneia, que podem dar os primeiros sinais nas crianças

  • Flávia Machado

  • Estúdio Gazeta

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Publicado em 16/07/2021 às 15h19
Segundo a cirurgiã bucomaxilofacial Martha Salim, a apneia obstrutiva do sono é um distúrbio com alta prevalência na população, sendo uma das condições que frequentemente afetam a qualidade do sono.
Segundo a cirurgiã bucomaxilofacial Martha Salim, a apneia obstrutiva do sono é um distúrbio com alta prevalência na população, sendo uma das condições que frequentemente afetam a qualidade do sono. . Crédito: Flávia Machado/Divulgação

Nem todo mundo se dá conta, mas vários problemas relacionados ao sono podem ser tratados na cadeira do dentista. Bruxismo, apneia obstrutiva do sono e ronco são alguns exemplos.

Com a pandemia do novo coronavírus, o sono de milhões de pessoas foi prejudicado, trazendo distúrbios que, se não forem tratados adequadamente, podem se tornar graves.

"Com a pandemia, as pessoas ganharam peso e houve um aumento dos quadros de ansiedade. Além disso, o uso excessivo de medicamentos para dormir e de álcool colaboram com o aumento dos casos de bruxismo e com a piora dos quadros respiratórios, como apneia do sono e ronco", aponta Martha Salim, cirurgiã bucomaxilofacial que atua na área de distúrbios do sono.

Segundo ela, os dentistas devem saber identificar esses problemas tanto na criança quanto na fase adulta. "Os profissionais especialistas em odontologia do sono devem atuar em conjunto com equipe multidisciplinar, formada por médicos especialistas em sono, fonoaudiólogos, entre outros, para, assim, indicar de forma segura qual melhor tratamento para cada paciente", esclarece.

SINAIS NA INFÂNCIA

Ainda na infância é que certos problemas começam a dar sinais. "Nas crianças, os sintomas podem se apresentar de forma diferente. Aquela que tem privação de sono costuma reagir com um excesso de agitação durante o dia. Muitas, inclusive, chegam a ser diagnosticadas como hiperativas quando, na verdade, sofrem de distúrbios do sono", diz a especialista.

O papel do profissional de odontologia do sono deve começar no diagnóstico de crianças com alteração de crescimento dos maxilares e da face. "Essas são situações marcantes no desenvolvimento dos distúrbios respiratórios que se agravam com o crescimento. O diagnóstico e tratamento precoce nessa fase pode, na maioria das vezes, resolver o problema de forma definitiva".

De acordo com Martha Salim, os aparelhos intraorais são indicados para posicionar a mandíbula e a língua de maneira a impedir a obstrução e colapso entre os tecidos da orofaringe e da base da língua durante o sono.
De acordo com Martha Salim, os aparelhos intraorais são indicados para posicionar a mandíbula e a língua de maneira a impedir a obstrução e colapso entre os tecidos da orofaringe e da base da língua durante o sono. Crédito: Flávia Machado/Divulgação

ENTENDA A APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO

De acordo com Martha Salim, a apneia obstrutiva do sono é um distúrbio com alta prevalência na população, sendo uma das condições que frequentemente afetam a qualidade do sono. "Trata-se da diminuição ou interrupção da respiração por, no mínimo, 10 segundos, causada por obstrução das vias aéreas durante o sono", explica.

Quando isso ocorre, explica Martha, pode-se perceber ruídos como engasgos ou ronco excessivo: "Devido a essas repetidas alterações respiratórias, o sono fica fragmentado com muitos despertares, conscientes e inconscientes, sendo que na maioria deles a pessoa não se lembra de ter despertado".

A longo prazo, pacientes com apneia obstrutiva do sono podem desenvolver inúmeros problemas que comprometem a saúde e a qualidade de vida. As pessoas queixam-se de irritabilidade, alterações do humor, cefaleias matinais, déficit de concentração, perda de memória, cansaço e desmotivação.

"A sonolência excessiva ao longo do dia, além do comprometimento pessoal, pode levar a acidentes de trabalho ou de trânsito. Além disso, a privação crônica do sono pode predispor a doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral, risco aumentado para doenças metabólicas como a diabetes mellitus e comprometimento do sistema imunológico", observa ela.

OS TRATAMENTOS

A odontologia pode contribuir no tratamento dos distúrbios do sono através da confecção de dispositivos intraorais ou pela cirurgia ortognática.

A cirurgiã explica que os aparelhos intraorais são indicados para posicionar a mandíbula e a língua de maneira a impedir a obstrução e colapso entre os tecidos da orofaringe e da base da língua durante o sono. "A terapia com dispositivos intrabucais é indicada para pacientes com ronco primário, apneia leve, moderada e em pacientes intolerantes ao uso de CPAP. Apresenta como vantagens uma boa aceitação pelos pacientes e praticidade".

O CPAP (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas) é um aparelho que injeta, com pressão, ar no nariz e ou boca desobstruindo a faringe de forma mecânica. "É o padrão ouro do tratamento da apneia obstrutiva do sono, entretanto tem baixa adesão ao longo do tempo de uso ", destaca ela.

Já a cirurgia ortognática é indicada como tratamento definitivo e de escolha para os casos nos quais os distúrbios do sono são causados por deformidades dentofaciais. Essa cirurgia realiza avanço cirúrgico dos ossos da face, podendo ser realizada na mandíbula, maxila ou em ambos, corrigindo a posição dos ossos e aumentando de forma definitiva o espaço aéreo para a passagem do ar.

"A cirurgia ortognática é considerada um método seguro e eficaz como opção de tratamento, permitindo a diminuição ou eliminação das obstruções das vias aéreas superiores durante o sono, incluindo a melhoria da qualidade de vida do paciente", afirma Martha Salim.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

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