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Cirurgia de estrabismo pode ser feita até em bebês de 1 ano

Alteração, que deixa a pessoa vesga, deve ser corrigida o quanto antes para evitar danos permanentes à visão

  • Hospital de Olhos de Vitória

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Publicado em 28/06/2021 às 19h00
Criança com problema de visão
Na criança, o tratamento precisa ser feito o mais cedo possível, pois o olho desviado pode não receber o estímulo cerebral correto para o desenvolvimento da visão. Crédito: Freepik

Crianças bem pequenas com os olhinhos voltados para telas por horas e horas, todos os dias. Esse hábito, acentuado com a pandemia de coronavírus, está contribuindo para o aumento de vários problemas de visão, entre eles o estrabismo. Há diferentes tipos de tratamento e, em alguns casos, pode ser necessário cirurgia. A boa notícia é que ela é de baixo risco e pode ser feita, inclusive, em crianças a partir de 1 ano de idade.

Um estudo publicado na revista “BioMed Central (BMC) Ophthalmology” apontou que crianças que manusearam smartphones por mais de quatro horas diariamente por, no mínimo, quatro meses, apresentaram maior risco de ter essa alteração.

O estrábico, conhecido popularmente como vesgo, é aquele cujos olhos estão desalinhados. Uma alteração visual que traz, ainda, prejuízos psicológicos e sociais. Mas, se for diagnosticada logo, tem grandes chances de reversão total.

De acordo com a oftalmologista Hanna Teodoro, do Hospital de Olhos de Vitória , que atua na área de estrabismo adulto e infantil, o desenvolvimento do estrabismo durante a pandemia está associado ao excesso de uso das telas por conta do esforço acomodativo prolongado para enxergar bem e com nitidez em pequenas distâncias. 

Hanna Teodoro

Oftalmologista

"Os aparelhos estão ficando muito próximos do rosto, muitas vezes a menos de 30 centímetros de distância dos olhos, que é a distância considerada segura"

Alguns casos, diz Hanna, melhoram após a suspensão ou o controle rígido do uso dos eletrônicos. "Mas alguns permanecem por mais tempo, precisando de intervenção, como a utilização da toxina botulínica ou até mesmo cirurgia. Vou operar um menino de 8 anos de idade que está com estrabismo por causa das telas".

TIPOS DE ESTRABISMO

A oftalmologista explica que o problema pode ser caracterizado por um desvio para dentro, com os olhos se aproximando do nariz, o chamado estrabismo convergente. Há também casos de estrabismo divergente, em que os olhos se direcionam para longe do nariz. Ou, ainda, o desvio do olho para cima ou para baixo.

Cirurgia no Hospital de Olhos de Vitória
Cirurgia oftalmológica no Hospital de Olhos de Vitória. Crédito: Divulgação/ Hospital de Olhos de Vitória

A alteração pode acontecer na infância, já a partir do nascimento, sendo este caso chamado de estrabismo congênito, ou aparecer com alguns meses ou anos de idade. "Neste último caso, as crianças desenvolvem estrabismo após o nascimento, geralmente, devido a algum grau alto não corrigido, na maioria das vezes devido à hipermetropia", afirma Hanna.

Nos adultos, por sua vez, são inúmeros os motivos que levam ao aparecimento de estrabismo: traumas, doenças neurológicas, doenças da tireóide, derrame (AVC), tumores cerebrais, diabetes, baixa de visão em um dos olhos, estrabismo residual ou não corrigido na infância, entre outros.

Em ambas as faixas etárias, esclarece a médica, qualquer desvio ocular pode ser corrigido, e os tratamentos são vários: incluem uso de óculos, para perto ou para longe, lentes prismáticas, toxina botulínica ou cirurgia.

Segundo Hanna Teodoro, as crianças podem operar por volta de 1 ano ou 1 ano e meio de idade nos casos de estrabismo convergente, ou entre 3 e 4 anos de idade, nos casos de estrabismo divergente. "Este último pode e deve ser corrigido antes se a frequência do desvio é alta ou se o desvio é muito grande, observa ela.

Na criança, o tratamento precisa ser feito o mais cedo possível, pois o olho desviado pode não receber o estímulo cerebral correto para o desenvolvimento da visão, e ela pode crescer e ser um adulto com uma visão pior em relação à outra.

Já os adultos podem operar o estrabismo em qualquer idade, não havendo limite de idade para a cirurgia. "A correção do estrabismo em adultos tem muitos objetivos e benefícios, tais como a melhora da estética e da autoestima. Porém, não ocorre melhora da visão, caso esta tenha prejudicada em algum momento da vida", comenta Hanna.

A CIRURGIA

A cirurgia de estrabismo envolve o enfraquecimento e/ou fortalecimento da musculatura ocular em um ou ambos os olhos. Como eles trabalham em sincronia, algumas vezes precisamos corrigir os dois olhos para melhorar um desvio, ou até mesmo operar um olho para corrigir o desvio no outro olho.

É uma operação de poucos riscos. Menos invasiva, por exemplo, que uma cirurgia para tratar a catarata.

Hanna Teodoro

Oftalmologista do Hospital de Olhos de Vitória

"Nós conseguimos ter acesso aos músculos oculares através de uma pequena abertura na conjuntiva, que é a parte branca do olho. Ou seja, não funciona igual a cirurgia de catarata, quando é necessário 'entrar' no olho. É tudo feito em sua superfície"

Das duas técnicas mais comuns, há a tradicional, onde o corte na conjuntiva é realizado em volta da parte colorida do olho, sendo mais exposto os pontos, e a minimamente invasiva, quando as incisões são menores e os pontos ficam escondidos embaixo da pálpebra, trazendo um maior conforto ao paciente, com uma recuperação mais rápida e menos dolorosa.

"As duas técnicas têm o mesmo resultado pós-operatório. Ambas vão alinhar os olhos. O que muda entre uma técnica e outra é o tamanho da incisão, o número de pontos e o conforto ao paciente", afirma Hanna, que é a única especialista do Estado que realiza a cirurgia minimamente invasiva.

Geralmente, destaca ela, a recuperação pós-operatória é rápida e o paciente pode retornar logo às suas atividades. "A vermelhidão local nos olhos é normal e desaparece rapidamente. Os pontos caem sozinhos! É uma cirurgia com poucos riscos. Mas pode haver a necessidade de uma nova cirurgia, depois, para corrigir um desvio residual. Isso pode acontecer em torno de 15 a 20% dos casos", destaca.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

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