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Eleições 2020

Sérgio Sá e Coser lideram repasses do Fundo Eleitoral para campanha

Na disputa pela sucessão de Luciano Rezende, vice-prefeito já recebeu repasse de R$ 500 mil da direção nacional do PSB, oriundos do Fundo Eleitoral. Já ex-prefeito recebeu R$ 341 mil da direção nacional do PT

Publicado em 15 de Outubro de 2020 às 05:00

Públicado em 

15 out 2020 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Sérgio Sá lidera arrecadação de recursos de campanha até agora, seguido por João Coser e Gandini
Sérgio Sá lidera arrecadação de recursos de campanha até agora, seguido por João Coser e Gandini Crédito: Amarildo
A pesquisa Ibope sobre a eleição a prefeito de Vitória, publicada por A Gazeta na última terça-feira (13), traz o vice-prefeito Sérgio Sá (PSB) na 6ª colocação, com 5% das intenções de voto na estimulada. Na frente dele estão João Coser (PT) e Gandini (Cidadania), com 22% cada um; Lorenzo Pazolini (Republicanos), com 10%; Neuzinha (PSDB), com 7%; e Capitão Assumção (Patriota), com 6%. Mas, em outro levantamento, também extremamente importante, o vice-prefeito é quem ocupa a dianteira: o de recursos financeiros arrecadados até agora para a campanha.
Com R$ 560 mil declarados à Justiça Eleitoral até a manhã desta quinta-feira (15), conforme dados disponíveis no site do TSE, Sérgio Sá é, disparadamente, entre os 13 candidatos a prefeito de Vitória, quem mais tem dinheiro para gastar. Sua receita supera, sozinha, o que já declararam todos os outros 12 candidatos somados.
O ponto que mais se destaca é a principal fonte dessa receita: correspondendo a quase 90% do total, Sá recebeu um aporte de nada menos que R$ 500 mil da direção nacional do seu partido, o PSB, de uma vez só, depositados na última quinta-feira (8).
São recursos provenientes do chamado Fundo Eleitoral, a modalidade de financiamento público de campanha inaugurada na eleição de 2018, após a proibição das doações de campanha por parte de empresas (uma das consequências da Lava Jato). Hoje, de modo geral, o Fundo Eleitoral constitui a principal forma (legal e oficial) de financiamento das campanhas eleitorais, à qual se somam outras como as vaquinhas de apoiadores, as doações de pessoas físicas ou dos próprios candidatos para si mesmos.
Sérgio Sá pertence ao partido do governador Renato Casagrande, e esse maiúsculo impulso financeiro dado a ele pela cúpula nacional do PSB, logo na primeira perna da campanha, aponta para duas conclusões.
Em primeiro lugar, o cacicado nacional do PSB (Carlos Siqueira & cia.) está levando muito a sério a candidatura de seu representante a prefeito de Vitória, não o trata como azarão ou figurante nem espera que ele participe dessa disputa somente para fazer número. Se depender do apoio da direção nacional, materializada nesse repasse substancial, Sérgio Sá tem condições de crescer no processo.
Em segundo lugar, quando falamos em “cacicado nacional do PSB”, temos que incluir o próprio Casagrande. Um dos dois governadores do PSB atualmente (ao lado do de Pernambuco), ele foi secretário-geral do PSB no país enquanto esteve sem mandato, de 2015 a 2018. É muito partidário e, sim, é também um cacique nacional socialista.
Sendo assim, não há de querer que, logo na capital do Estado governado por ele, o candidato do seu partido faça feio na eleição municipal. Seria queimação de filme para ele mesmo perante os demais caciques do PSB. Demonstraria fraqueza política. Tudo indica então que Casagrande mexeu os seus pauzinhos e intercedeu a favor de Sérgio Sá, junto à cúpula nacional, para garantir sua sustentabilidade financeira.
Falando em Sustentabilidade, outros R$ 40 mil já declarados por Serginho, como é mais conhecido, vieram da direção estadual da Rede, em duas parcelas, repassadas nos dias 01/10 e 07/10. Comandado no Estado pelo prefeito da Serra, Audifax Barcelos, o partido de Fabiano Contarato está na coligação de Sá, com direito à candidata a vice-prefeita, a professora de música Laís Garcia.
O resto do montante declarado até agora por Sá é preenchido pelo amor e pelo dinheiro de seus progenitores: seu pai, o deputado estadual José Esmeraldo, doou-lhe R$ 18,6 mil em duas parcelas, enquanto sua mãe, a pediatra Maria Bernadeth de Sá Freitas, doou R$ 2 mil para o filho.

COSER: R$ 341.000,00

Em segundo lugar nessa relação aparece João Coser, bem atrás de Sá, mas também com uma quantia considerável já declarada à Justiça Eleitoral: R$ 341 mil. Todo o montante provém do Fundo Eleitoral e foi endereçado à campanha do ex-prefeito pela direção nacional do PT. Foram quatro repasses até agora, efetuados nos dias 01, 03, 07 e 09 de outubro, sendo R$ 30 mil especificamente direcionados a “serviços de publicidade”.
A julgar pela regularidade com que a ajuda tem chegado, essa fonte tem servido a Coser como uma vaquinha leiteira e assim deve continuar servindo até o fim da campanha. Ou seja, a cúpula nacional do PT de fato se prova disposta a investir maciçamente na campanha de Coser em Vitória e, pelo jeito, dinheiro não há de lhe faltar para bancar uma campanha poderosa.
Excluído da conta Sérgio Sá, esses R$ 341 mil de Coser são praticamente o dobro do que já declararam, somados, todos os outros concorrentes.

GANDINI: R$ 60.000,00

Muuuuuuito atrás dos dois primeiros, o candidato de Luciano Rezende (Cidadania) leva a medalha de bronze nessa corrida à parte até aqui, com R$ 60 mil declarados. Porém, ao contrário de Sá e Coser, o deputado ainda não declarou um centavo a título de Fundo Eleitoral. Sua soma corresponde a doações de quatro pessoas físicas diferentes.
Registre-se que, ainda que venha a ser mero acaso, os três candidatos mais “endinheirados” até agora em Vitória são precisamente aqueles que despertam maior simpatia no governador do Estado. Se tivéssemos que simplificar: Gandini (centro); Sérgio Sá (centro-esquerda); Coser (esquerda pragmática).

GILBERTINHO: R$ 38.871,69

O candidato do PSOL doou R$ 15 mil para si mesmo. Os outros R$ 23.871,69 se originaram de dois repasses da direção nacional do PSOL, com dinheiro da cota do Fundo Eleitoral que compete ao partido.

NYLTON RODRIGUES: R$ 34.225,55

É o mix mais sortido de fontes de receita. Quase a metade da importância veio de uma única doação, no valor de R$ 15,5 mil, feita pelo empresário e professor da Fucape Aridelmo Teixeira, também do Novo, que chegou a passar na seleção interna do partido para concorrer à Prefeitura de Vitória, mas abdicou em prol de Nylton.
O próprio candidato doou R$ 4 mil para si mesmo. Um outro cidadão doou R$ 1,5 mil. A direção estadual do Novo repassou R$ 1.574,95 a Nylton. E os outros R$ 11.650,60 são fruto de financiamento coletivo (a popular vaquinha, legalizada).
A composição dessa vaquinha merece uma atenção à parte. Até agora, 67 doadores diferentes já deram sua contribuição (alguns com mais de uma doação). Entre eles, além do já citado Aridelmo (com R$ 100,00) e da vice de Nylton, Patricia Bortolon, também do Novo (com R$ 500,00), despontam alguns colaboradores históricos do ex-governador Paulo Hartung (sem partido), tratado por Nylton como um “conselheiro político”: Anselmo Tozi (com R$ 100,00), Neivaldo Bragato (com R$ 100,00) e Regis Mattos (com R$ 250,00).
Chamam a atenção, ainda, os R$ 50,00 doados por Rodolfo Queiroz Laterza, delegado da Polícia Civil do Espírito Santo

MAZINHO: R$ 24.000,00

O vereador até agora declarou R$ 24 mil, sendo que metade do montante (R$ 12 mil) provém de doação de um certo Edmar dos Anjos (o próprio candidato). Os outros R$ 12 mil são divididos entre sete doações avulsas de pessoas físicas.

ASSUMÇÃO: R$ 3.500,00

Doações de duas pessoas físicas, sendo R$ 1 mil do vice dele, Hélio Martinelli (PTB).

PAZOLINI: R$ 3.000,00

Uma doação de Alex Mariano perfaz todo o valor declarado até o momento.

NEUZINHA: R$ 3.000,00

R$ 1 mil doados por ela mesma, além de R$ 1 mil doados por Wemerson Pedroni, secretário-geral do PSDB em Vitória, e outros R$ 1 mil doados por Marli Fialho, que é membro do Diretório Estadual do PSDB e suplente da Executiva Estadual.

ZERADOS NESTE JOGO

Quanto a Eron Domingos (PRTB), Halpher Luiggi (PL), Namy Chequer (PCdoB) e Raphael Furtado (PSTU), não declaram nem um centavo sequer até o momento, a exatamente um mês (31 dias) do 1º turno eleitoral.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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