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Papo de Colunista

Pazolini: "Entre mim e Casagrande, nunca faltou o respeito"

Segundo o prefeito eleito de Vitória, o próprio governador reconhece que ele nunca foi desrespeitoso e nunca partiu para a ofensa pessoal, mesmo quando votava contra o governo na Assembleia. "Isso facilita a nossa relação agora."

Publicado em 10 de Dezembro de 2020 às 04:00

Públicado em 

10 dez 2020 às 04:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Renato Casagrande e Lorenzo Pazolini se cumprimentam
Renato Casagrande e Lorenzo Pazolini se cumprimentam Crédito: Amarildo
Respeito. Essa será a base sobre a qual o prefeito eleito de Vitória, Lorenzo Pazolini, pretende construir a sua relação institucional com o governador Renato Casagrande (PSB) pelos próximos dois anos. O mesmo respeito que, segundo ele, pautou a sua atuação parlamentar e o seu relacionamento com o governo Casagrande em seus dois anos de intensa atividade como deputado estadual, marcados por muitos pontos de discordância com o Palácio Anchieta, divergências em votações fundamentais e acaloradas discussões em plenário com o então líder do governo, Enivaldo dos Anjos (PSD).
Desde que chegou à Assembleia Legislativa, em fevereiro de 2019, Pazolini esteve longe de ser um parceiro político do governo Casagrande, como deputado. Posicionou-se e votou contra praticamente todos os projetos mais importantes enviados pelo Poder Executivo para a Casa de Leis. Criticou muito o projeto que criou o Fundo Soberano, votou contra a criação da fundação iNova (para gerir hospitais estaduais), votou contra a PEC da reforma da Previdência, contra as regras de transição para os servidores estaduais, contra o orçamento do Estado para 2020...
No fim de 2019, foi o único deputado a votar contra o Plano Plurianual (PPA). O único. Nem Capitão Assumção (Patriota) chegou a votar contra o PPA.
Agora, como prefeito, o até então deputado de oposição vai precisar muito da parceria e do apoio do governo Casagrande, principalmente na segurança pública (carro-chefe de sua campanha), uma área deixada pela Constituição Federal de 1988 sob competência maior do governo do Estado, ao qual estão subordinadas, por exemplo, a Polícia Militar e a Polícia Civil, de onde Pazolini é oriundo.
Por esse histórico recente, fizemos a Pazolini nesta quarta-feira (9), durante a edição especial do Papo de Colunista em que o entrevistamos, a seguinte pergunta: se, quando o governo mais precisou, não pôde contar com seu apoio na Assembleia, o que o leva a crer que ele agora poderá contar com o apoio do governo como prefeito? Se, como deputado, ele jamais foi um parceiro do governo Casagrande, por que esperar que o governo Casagrande seja agora um parceiro dele, como prefeito?
A chave da resposta de Pazolini está naquela palavra: respeito. Segundo ele, mesmo nos momentos de maior divergência política e de debate mais colorado, jamais faltou respeito entre ele, o governador e os representantes do Palácio Anchieta, o que facilita muito, agora, uma cooperação institucional entre as partes:
“Aí há duas diferenças principais. A primeira delas: eu sempre mantive o respeito, inclusive nas considerações e críticas que fiz. No debate do Fundo Soberano, qual foi o nosso trabalho? Nós fomos buscar as melhores cabeças pensantes do Espírito Santo, quem tinha condição de contribuir efetivamente. E nós apresentamos emendas visando a uma construção que atendesse ao interesse público, ao interesse dos capixabas. Isso ficou bastante claro. Infelizmente, ao final, houve essa divergência. Mas nunca faltou o respeito. Sempre prezei por esse respeito. Critiquei onde eu achei que deveria criticar, de maneira autônoma, independente, mas visando sempre ao interesse público. E talvez esse seja o principal instrumento facilitador dessa cooperação mútua, recíproca, porque, existindo o respeito, nós conseguimos construir um ambiente favorável. E eu nunca transpus, nunca me excedi, nunca passei desse limite, em relação, por exemplo, à pessoa física. Sempre tratei de atos objetivos e concretos. Críticas, por exemplo, a um projeto de lei. Críticas a uma proposição. Até nos momentos de maiores debates, nos momentos mais exaltados, eu sempre trouxe aquela linha que separa a crítica da ofensa. Então nunca houve nenhum tipo de ofensa. E o governador mesmo me falou isso pessoalmente, reiterou isso nesta semana, reconheceu isso para mim. Então isso facilita muito.”
Pazolini também destacou a enorme diferença entre o que se espera da atuação de um parlamentar e o que deve ser a atuação de um prefeito:
“São posições distintas. Eu, como parlamentar, representava segmentos da sociedade. Você tem 30 deputados que vão representar segmentos da sociedade do Espírito Santo. E eu o fazia. Eu fui eleito de maneira independente, fui eleito ali e exerci o meu papel de fiscalizar. Agora, como representante do Poder Executivo, eu represento todos os moradores do município de Vitória, independentemente da opção que eles tiveram. Então eu tenho que ter essa responsabilidade. Eu não estou ali como a figura física, CPF Lorenzo Pazolini. Estou ali para representar a totalidade do município, os 90 quilômetros quadrados e todos os moradores da cidade. E tenho esse sentimento de desprendimento. Então não há problema nenhum. Eu vou me relacionar de maneira extremamente cordial. E isso já ficou claro. O governador é um republicano, entende, nós dialogamos bastante e a conversa foi muito boa. Mas ele compreende essa necessidade. Ele já esteve também no Parlamento, durante muito tempo. Foi deputado estadual, foi deputado federal, foi senador da República, foi líder de bancada. Então ele entende e tem amadurecimento suficiente para isso.”
De acordo com Pazolini, ele está otimista em construir com Casagrande um relacionamento profícuo e benéfico para a população de Vitória. E essa sensação é reforçada pelos primeiros diálogos travados com o governador desde sua vitória eleitoral, no dia 29 – inclusive na última terça-feira (8), pessoalmente, no Palácio Anchieta:
“Esse é um debate que nós estamos travando, no bom sentido, é uma construção e uma conversa coletiva, desde o resultado das eleições, deixando clara a necessidade de continuidade dos serviços públicos, de atender as pessoas e de estar ao lado de quem mais precisa. Sinceramente, estou otimista. Acho que vamos trilhar um bom caminho, porque, volto a afirmar: tem uma premissa básica, que é a premissa do respeito. E essa sempre foi mantida, apesar das divergências políticas e das divergências de construção. Eu até pedi esse levantamento e o recebi parcialmente, mas, de todas as matérias enviadas pelo governo para a Assembleia, mais de 80%, 85%, nós votamos favoravelmente. Em algumas delas, várias emendas nossas foram acatadas. Isso também é importante destacar, porque, no momento em que houve diálogo efetivamente, foi possível evoluir em várias matérias. Hoje, por exemplo, nós derrubamos um veto [do governador] a um projeto de lei de minha autoria, com a anuência do líder do governo no plenário. Então é esse o ambiente que nós vamos continuar fomentando e trilhando na cidade de Vitória.”

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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