O município de Vitória foi o que mais perdeu, em números absolutos, empregos formais neste ano entre as 78 cidades do Espírito Santo. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), de janeiro a outubro, foram fechados 2.998 postos de trabalho na capital capixaba. Como caminho para ajudar a reverter esse resultado, o prefeito eleito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), aposta na melhoria do ambiente de negócios e no diálogo com o setor produtivo.
Em entrevista ao Papo de Colunista na tarde desta quarta-feira (9), após ser questionado sobre saídas para a recuperação do mercado de trabalho, ele destacou que é preciso facilitar processos e afastar obstáculos para quem deseja investir na cidade. A avaliação do futuro gestor da Capital é de que "não dá para o empreendedor ficar num ping-pong burocrático".
"Todos aqueles que quiserem investir em Vitória terão a garantia, a certeza e a tranquilidade que os seus processos, por exemplo de licenciamento, serão analisados, de acordo com a lei, mas não serão procrastinados. Eu exigirei celeridade do secretário responsável pela pasta e dos servidores para que efetivamente a resposta seja dada ao empreendedor"
De acordo com Pazolini, a grande reclamação entre o setor produtivo é que os processos não andam e que as exigências vindas da prefeitura acontecem em etapas, dificultando a abertura de um negócio ou a realização de alguma adequação importante no empreendimento.
"A demora é muito grande, e ainda há um ping-pong. O processo volta com pedido de adequação e o empresário adequa. Aí, vem num segundo momento mais um pedido, depois um terceiro... Na nossa visão, a análise [pela prefeitura] deve ser feita integralmente num primeiro momento. Todas as necessidades de adequação devem ser apresentadas. Vamos respeitar a lei, obviamente, mas o empreendedor não precisa ficar nesse ping-pong", enfatizou o prefeito eleito ao citar que a agilidade nas análises e a desburocratização serão priorizadas em seu governo, especialmente entre empreendimentos de baixo impacto.
Para ele, além de melhorar o tempo de reposta nos processos, sejam com pequenos, médios ou grandes investidores, a sua gestão pretende adotar políticas públicas que contribuam para aumentar o fluxo de pessoas circulando e consumindo na Capital. Outro ponto que ele defende é o estímulo ao setor de tecnologia da informação.
Pazolini reconhece que pela característica geográfica, com 90 km², Vitória não tem condições de receber grandes indústrias, por exemplo. Mas destaca que vê a tecnologia da informação como um segmento que pode ser parte das soluções do mercado profissional do município. "O setor trabalha com produtos de alto valor agregado, que geram impostos, renda e oportunidades de trabalho."
Ainda no campo econômico e também social o prefeito eleito afirmou, durante a entrevista ao Papo de Colunista, que avalia com a sua equipe implantar um programa de renda mínima, conforme propôs em seu plano de governo. Por enquanto, entretanto, não há detalhes sobre o benefício, como o valor do auxílio e quem poderá recebê-lo.
Pazolini adiantou apenas que essa ajuda será temporária e que ela acontecerá de forma simultânea a um programa de qualificação, de modo que a capacitação profissional ajude o beneficiário a se reestabelecer no mercado de trabalho. "Não queremos manter esse trabalhador dependente do poder público. Queremos que ele tenha uma porta de saída e tenha a sua autonomia."
Os critérios do programa de renda mínima ainda não foram definidos, segundo o futuro prefeito da Capital, porque a equipe de transição ainda está avaliando a proposta de orçamento para 2021, que tramita na Câmara de Vereadores. Após um diagnóstico das receitas e despesas previstas para o próximo ano, Pazolini e sua equipe devem definir as diretrizes da assistência social.
"O que tivemos nos últimos anos foi uma redução de aproximadamente 30% no orçamento dessa área. Vamos trabalhar para nos próximos quatro anos recompor esse orçamento para reforçar o atendimento a quem mais precisa"
Os pontos tocados por Pazolini no campo socioeconômico ao longo da entrevista aos colunistas de A Gazeta, entre os quais me incluo, acenam para dois públicos distintos, mas ambos com demandas legítimas e que anseiam por avanços. Ao tratar de propostas para a melhoria do ambiente de negócios, o prefeito eleito de Vitória oferece soluções ao setor produtivo.
Qualquer um que converse rapidamente com um microempreendedor ou com um grande empresário vai ouvir as queixas sobre ineficiência da máquina pública, demora na liberação de licenças e a tão presente burocracia. Portanto, ao anunciar que pretende reduzir para uma etapa o que hoje é feito em duas, três ou mais, Lorenzo Pazolini se aproxima do setor produtivo e tende a ganhar a confiança do segmento se não deixar de cumprir a promessa.
Já ao trazer propostas ligadas à capacitação de profissionais como forma de reinserção no mercado de trabalho e ainda prever a criação de um programa de renda mínima, o aceno vai para a população mais vulnerável. Ter o olhar social e jogar luz sobre como cuidar das pessoas que perderam o emprego e a renda, especialmente neste momento de pandemia, é determinante para o prefeito eleito conseguir alcançar uma de suas principais promessas de campanha: igualdade.
Neste campo, Pazolini terá um desafio que não é nada simples: o de administrar o orçamento e fazer caber nas despesas a criação da renda mínima, por exemplo, bem como colocar em prática programas de qualificação profissional. Como ele mesmo falou, o orçamento está sendo avaliado e na hora oportuna as decisões serão compartilhadas com a população de Vitória. Mas há de se pontuar que as expectativas já estão na mesa e, a partir de 1º de janeiro de 2021, elas serão cobradas do novo gestor. Bons acenos já foram feitos. Daqui para frente, devem vir as respostas.