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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Max fica numa boa pensando na eleição em Vila Velha… e na de 2022

Prefeito conseguiu a coligação que queria e, com Carreta na vice, pode se lançar ao governo do Estado caso consiga se reeleger. E veja também: as primeiras conclusões sobre a lista de candidatos no ES

Publicado em 28/09/2020 às 10h30
Atualizado em 28/09/2020 às 10h38
Vila Velha
Max Filho é candidato à reeleição em Vila Velha pelo PSDB. Crédito: Reprodução

Uma eleição é decidida nas urnas, pelo voto dos eleitores. Mas também começa a ser decidida no período de fechamento de alianças e acordos de bastidores, anterior à campanha oficial, inaugurada neste domingo (27). Também na “pré-campanha”, há vencedores e vencidos. E, na fase preliminar de definição das candidaturas e chapas, um dos agentes mais bem-sucedidos na Grande Vitória foi o prefeito de Vila Velha, Max Filho (PSDB), candidato à reeleição.

Dificilmente alguém consegue deixar sua chapa exatamente do jeito que quer. Max praticamente conseguiu isso.

Em primeiro lugar, numa eleição atípica, com nada menos que 11 candidatos a prefeito de Vila Velha, o prefeito consolidou a maior coligação na cidade, reunindo meia dúzia de partidos em torno de si, incluindo o PSB do governador Renato Casagrande. Além do PSB e do PSDB, estão apoiando Max o DEM de Ivan Carlini e Theodorico Ferraço, o PP de Marcus Vicente, o PSC de Lauriete e o DC. As quatro primeiras siglas são de grande porte, o que garante ao prefeito um ótimo tempo de TV e rádio.

Esses partidos são todos os que foram citados pelo próprio Max, em entrevista publicada aqui no dia 5 de setembro, exceto pelo PTB, que acabou deixando sua coligação por determinação nacional. Mesmo assim, essa é uma perda relativa para o prefeito, pois os candidatos a vereador do PTB ficaram liberados para fazer campanha com e para ele.

Numa eleição em que vimos candidatos e dirigentes terem dificuldade em firmar alianças até entre duas siglas, seis partidos na coligação pode ser considerado um luxo. Além disso, a chapa de Max agrega siglas da direita (DEM) à esquerda (PSB) e outras com boa inserção no meio evangélico (PSC).

Mas o principal trunfo (e triunfo) de Max na fase anterior à campanha foi a definição de seu vice. O prefeito bancou e, pela segunda vez seguida, conseguiu emplacar Jorge Carreta (PP) como companheiro de chapa. O PSB bem que tentou, até o último momento, encaixar o professor Júnior Bola no posto, mas... nada feito. Prevaleceu a vontade do prefeito nessa negociação.

Melhor que isso, para Max, só se ele tivesse conseguido convencer o deputado federal Ted Conti (PSB) a vir para sua vice, o que poderia alçar o próprio Carreta à Câmara Federal. Max chegou a propor isso a dirigentes socialistas, porém a ideia foi descartada desde o início por Ted. De todo modo, Carreta na vice é uma solução excelente para Max pensando não só na sua possível reeleição em novembro, mas principalmente mirando mais longe: na eleição ao governo do Estado em 2022.

Conforme discorremos aqui no dia 5 de setembro, Bola prenderia Max, enquanto Carreta o libera. Com Bola na vice, seria muito mais complicado para Max, em caso de reeleição em novembro, deixar o próximo mandato de prefeito pela metade para concorrer ao Palácio Anchieta em 2022. Isso seria praticamente entregar de graça para o PSB de Casagrande a Prefeitura de Vila Velha.

Já com Carreta na vice, o cenário é inteiramente outro. Ex-assessor de Max na Câmara Federal, Carreta, politicamente, vai a reboque do atual prefeito, carro-chefe de um projeto político que pode transcender as divisas de Vila Velha, em caso de vitória eleitoral daqui a dois meses. Nesse caso, Max poderá deixar a prefeitura tranquilamente, em abril de 2022, para se arriscar rumo ao Palácio Anchieta, com a plena segurança de que continuará a influir na gestão por intermédio de Carreta.

Politicamente calejado como é, o filho de Max Mauro nunca admitirá isso – até para não ser acusado de soberba, de já estar pensando na eleição seguinte antes de vencer a atual –, mas o fato é que, mantendo um fidelíssimo aliado como 1º em sua linha sucessória, ele fica em posição bem confortável para pensar em um projeto de eleição ao governo do Estado em 2022.

Em eleição tudo pode acontecer, mas, neste ponto inicial do processo, podemos afirmar que:

1) Com uma boa coligação, as máquinas municipal e estadual operando a seu favor e uma eleição pulverizada demais com 10 adversários, Max reuniu condições ótimas para, no mínimo, chegar ao 2º turno em Vila Velha. Seu barco está muito bem posicionado na largada dessa regata.

2) Se Max tiver sucesso eleitoral em novembro e fizer um mandato decente até abril de 2022, dificilmente algo o impedirá de se lançar, finalmente, candidato ao Palácio Anchieta. A não ser eventual acordo muito forte fechado com Renato Casagrande.

A MARQUETEIRA DE MAX

A jornalista Bete Rodrigues fechou com Max e fará a sua campanha à reeleição. Foi ela a marqueteira dele em seu retorno à Prefeitura de Vila Velha, na eleição de 2016.

NEUCIMAR: SEGUNDA MAIOR COLIGAÇÃO

Ainda em Vila Velha, o ex-prefeito Neucimar Fraga (PSD) foi quem conseguiu formar a segunda maior coligação, totalizando cinco partidos: PSD, PDT, MDB, Cidadania e Patriota.

PONTE AÉREA POR CIMA DE VITÓRIA

O PSD de Neucimar e o PDT de Sérgio Vidigal fizeram uma tabelinha em Vila Velha e na Serra: ajuda mútua entre os dois ex-prefeitos. O PDT apoia o retorno de Neucimar à Prefeitura de Vila Velha, enquanto o PSD apoia a volta de Vidigal à da Serra. Para Neucimar, a vitória de Vidigal interessa por um motivo extra: em caso de derrota dele mesmo em Vila Velha e de êxito de Vidigal na Serra, Neucimar retorna para a Câmara dos Deputados como suplente do pedetista.

OS PROCURADORES DE NEUCIMAR

Tradicionalmente muito mais bem votado na região mais pobre de Vila Velha (nº 5, a da Grande Terra Vermelha), Neucimar costuma ter como calcanhar de Aquiles a mais rica (nº 1, Centro e orla de Itaparica à Praia da Costa). Para compensar esse ponto fraco, o ex-prefeito contará com a ação de um trio de “procuradores” na regional 1: os deputados Hércules Silveira (MDB) e Rafael Favatto (Patriota) e seu vice, o vereador Ricardo Chiabai (Cidadania). Os três têm melhor inserção política precisamente onde Neucimar se sai pior.

REPUBLICANOS BALANÇA

Partido que abriga muitas candidaturas a prefeito e que nutre projeto audacioso de crescimento político no Estado, o Republicanos sofreu duas baixas no período preparatório que podem afetar diretamente esse projeto: suas duas maiores apostas, Amaro Neto e Sérgio Meneguelli, desistiram de disputar, respectivamente, na Serra e em Colatina.

Para piorar, o próprio Amaro, principal cabo eleitoral do Republicanos, já informou à coluna que não necessariamente apoiará todos os candidatos do próprio partido. Um exemplo: a vereadora Fernanda Mazzelli, alçada ao time de principais apostas do Republicanos após a desistência de Amaro, não terá o apoio dele em Guarapari.

PSL “ESQUERDIZADO”. OU “CENTRALIZADO”

Provando que está bem menos “direitista” do que nos tempos de Manato, Assumção etc., o PSL está apoiando uma série de candidatos que decididamente não são de direita no Espírito Santo: além de ter emplacado os vices de Gandini (Cidadania) em Vitória e de Gedson Merízio (PSB) em Guarapari, o partido está coligado com o PDT de Vidigal na Serra.

ASSIÇÃO: SE ALGUÉM TINHA ALGUMA DÚVIDA...

Nem seria necessário, mas os nomes escolhidos por Capitão Assumção (Patriota) e Subtenente Assis (PTB) para as respectivas coligações em Vitória e Cariacica provam ainda mais que ambos buscarão uma campanha com forte viés ideológico, apostando na polarização com candidatos de esquerda e colando na imagem de Jair Bolsonaro. A de Assis é a “Endireita Cariacica”, enquanto a de Assumção parafraseia o slogan de Bolsonaro na campanha presidencial de 2018: “Vitória Acima de Tudo”.

NÚMERO DE CANDIDATOS É INSANO

O número de candidatos a prefeito nesta eleição é, desculpe o termo, bizarro. Só nas cinco cidades da Grande Vitória, há um total de 52 que pediram registro à Justiça Eleitoral – média de 10,4 por município. É mais que o dobro dos 23 que concorreram nas mesmas cinco cidades em 2016 – média de 4,6. Cariacica superou todas, com 14 postulantes, mais que o triplo dos 4 candidatos registrados na eleição passada. Viana desta vez foi a mais “tímida”: “só” seis candidatos. Mesmo assim, é o dobro dos três que competiram em 2016.

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