Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Quem são os aliados de Max Filho na reeleição a prefeito de Vila Velha?

Candidatíssimo a um 4° mandato, prefeito tem coligação encaminhada com PSDB, PP, DEM, PSC e DC, e ainda luta para segurar o PTB, enquanto procura atrair o PSB de Casagrande. Sua vice pode ir novamente para Carreta ou ser preenchida pela sigla do governador

Publicado em 05/09/2020 às 06h02
Atualizado em 05/09/2020 às 08h35
Max Filho na correria para fechar a sua coligação
Max Filho na correria para fechar a sua coligação. Crédito: Amarildo

O circo está na cidade. Nesta sexta-feira (4), a assessoria da Prefeitura de Vila Velha divulgou as apresentações no sistema drive-in do Circo Barcelona, companhia particular sediada no município. Falando em Barcelona, a data ficará para sempre marcada como o “Dia do Fico” do craque Lionel Messi no clube espanhol – em seus anos áureos, verdadeiro espetáculo. Já o prefeito de Vila Velha, Max Filho (PSDB) – cujo ídolo político é um quase xará de Messi, o falecido Leonel Brizola –, deve ter muito em breve o seu próprio “Dia do Fico”. Ou, pelo menos, o “Dia do Tentarei Ficar”, na convenção municipal do PSDB, marcada para o dia 16. Max com certeza será candidato à reeleição em Vila Velha.

O prefeito afirmou isso para nós? Não. Mas, com o mínimo de realismo, existe alguma outra possibilidade? Não existe. Max será candidato à reeleição, buscando o seu quarto mandato no cargo, não só por exclusão de hipóteses, mas também porque, do jeito dele, sempre comendo pelas beiradas e cauteloso ao extremo na escolha das palavras, o prefeito tem intensificado, nos últimos dias, as conversas sobre a pauta eleitoral com dirigentes de outros partidos.

Assim, a pergunta certa a se fazer não é se Max será ou não candidato, e sim: quem estará com ele? É isso que respondemos hoje, antecipando a seguinte conclusão:

No plano ideal para Max, além do próprio PSDB, o prefeito deve entrar nessa disputa com o apoio mais que provável do DEM (Theodorico Ferraço, Norma Ayub e Ivan Carlini), do PP (Marcus Vicente e Jorge Carreta), do PSC (Lauriete e Reginaldo Almeida) e do DC (Danilo Juffo), enquanto busca evitar a debandada do PTB e, acima de tudo, trabalha nos bastidores para atrair o PSB do governador Renato Casagrande, que seria um reforço e tanto para ele numa eleição que não há de ser nada fácil.

Em conversa com a coluna, Max – de novo: no estilo dele – dá o que pode ser interpretado como uma tremenda cantada no PSB – ou, mais diretamente, no governador, líder maior da sigla no Estado –, dando a entender que, se o partido de Casagrande quiser compor aliança com ele em Vila Velha, terá toda a preferência para indicar o vice que ombreará com ele na chapa majoritária.

“Sem dúvida, como vice, o Carreta é uma possibilidade. Mas isso é algo a ser construído com os aliados, né? Uma pessoa importante a ser ouvida nisso é o governador do Estado. O governador tem sido atencioso com Vila Velha e tem feito importantes realizações, em parceria com a prefeitura. A parceria político-administrativa já está selada com o governador. Se pudermos também selar uma parceria político-eleitoral, será algo muito interessante na cidade.”

LEALDADE FILIAL

Antes de qualquer entendimento de Max com o PSB – e sobretudo se não houver acordo algum –, o mais cotado para ser seu companheiro de chapa é o atual vice-prefeito, Jorge Carreta (PP). A priori, como indica o próprio Max, o arranjo natural é a reedição da dobradinha que deu muito certo para ambos em 2016. Para o prefeito, Carreta é o vice mais conveniente imaginável, por uma combinação de motivos.

Em primeiro lugar, ex-assessor de Max na Câmara Federal, Carreta manifesta uma lealdade quase filial a Max Filho – ou até mais: nem este seria tão fiel politicamente a seu pai, Max Mauro. Se o prefeito eventualmente se reeleger e tiver que deixar a prefeitura nas mãos do 1º na linha sucessória, poderá dormir sossegado: Carreta no comando de Vila Velha será, por extensão, Max Filho no comando da cidade.

Essa certeza ganha importância ainda maior para Max se levarmos em conta outro fator: sempre incentivado por Max Mauro, o Filho não deixou de acalentar o sonho de se sentar um dia à cadeira já ocupada pelo pai, no fim dos anos 1980: a de governador do Espírito Santo.

Após a tentativa frustrada de voo em 2018 – nem chegou a sair da pista de decolagem –, quem garante que o prefeito não tentará de novo em 2022, mesmo se for reeleito na eleição de novembro? Se o fizer, terá que renunciar ao cargo em abril de 2022, deixando a chave da cidade nas mãos do vice. Mais cômodo para ele, assim, que esse vice seja Carreta.

De todo modo, para manter-se vivo na política estadual e até para poder aspirar a um voo rumo ao governo estadual daqui a dois anos, Max primeiro precisa assegurar sua reeleição, é aí que ganha muito peso o PSB.

O apoio do partido de Casagrande pode ser essencial para ele, na medida em que pode representar a força da máquina estadual (incluída uma legião de cabos eleitorais) despejada em sua campanha. E Max sabe perfeitamente disso. Tanto que, para acomodar o PSB em lugar de destaque na chapa, mostra-se disposto a sacrificar Carreta na vice.

PSB: ENTRE MAX E NEUCIMAR

A questão é convencer o PSB, partido que segue dividido na cidade, desde que o deputado federal Ted Conti desistiu definitivamente de deixar o mandato na Câmara Federal para concorrer à Prefeitura de Vila Velha. Hoje, uma ala do partido na cidade prefere seguir com o ex-prefeito Neucimar Fraga (PSD), que por sua vez pode apoiar o deputado estadual Doutor Hércules (MDB). Outra ala tende a apoiar a reeleição de Max.

No lado mais pró-Neucimar, está o atual presidente municipal do PSB, Harlen Silva, que chegou a ser subsecretário municipal de Meio Ambiente e depois secretário municipal de Desenvolvimento Econômico durante a administração do ex-prefeito (2009/2012). Na eleição vencida por Neucimar em 2008, o PSB esteve com o então deputado federal.

Já o ex-presidente municipal João Artem estaria mais propenso a ir com Max desta vez. Vereador durante parte da atual legislatura, ele apoiou o prefeito na Câmara e, antes da sua última passagem pelo Legislativo municipal, exerceu cargo comissionado na prefeitura de 2017 a 2018. Outra que pende a favor de Max é a vereadora Patrícia Crizanto. Recém-filiada ao PSB para disputar a reeleição, ela integra a base do prefeito na Câmara.

BOLA NO AQUECIMENTO

Se a opção por Max prevalecer, o PSB já tem até o nome escolhido e reservado para a vice: o professor Júnior Bola, vice na chapa do deputado Rafael Favatto em 2016. Como o irmão dele é candidato a vereador, Bola não disputará esse cargo. Assim, está separadinho pelos dirigentes do PSB para ser acomodado em uma chapa majoritária.

POR QUE PODE SER BOM PARA O PSB?

Para o PSB, também pode ser interessante uma “solução Max Filho” por um dos fatores expostos acima. Partindo da mesma lógica do possível interesse de Max em concorrer ao Palácio Anchieta (quiçá contra Casagrande) em 2022, Bola funcionaria como um “anti-Carreta”. Isto é, com ele na vice, valeria o raciocínio inverso:

Para Max, deixar o cargo de prefeito nas mãos de Bola seria entregar a prefeitura de bandeja para o PSB de Casagrande. Enquanto Carreta o tranquilizaria e o liberaria para uma disputa estadual, Bola o seguraria no cargo. Assim, até para Casagrande, pode ser ainda mais conveniente emplacar esse vice na chapa de Max.

A FAVOR DE NEUCIMAR

Já a favor de Neucimar, relatam dirigentes do PSB, conta a avaliação interna de que ele, como prefeito, “tratou melhor a militância do partido na cidade”, isto é, cedeu mais espaços na gestão.

Com efeito, o próprio Max afirma à coluna que o PSB não faz parte oficialmente de seu governo, embora alguns de seus quadros ocupem ou tenham ocupado cargos avulsos de livre indicação do prefeito, como o já citado Artem, o próprio Júnior Bola (antes do retorno de Casagrande ao Palácio Anchieta) e o secretário municipal de Defesa Social e Trânsito, o coronel Oberacy Emmerich Junior. Todos, segundo Max, foram indicados em sua cota pessoal.

Em 2016, após apoiar Favatto no 1º turno, o PSB apoiou Max contra Neucimar no 2º. Mas não foi tão contemplado assim com espaços na administração do tucano (e a gula do PSB por cargos é algo notório).

“Após a vitória eleitoral em 2016, o prefeito Max Filho não chamou o PSB para conversar”, afirma Harlen Silva. “Agora estamos iniciando uma conversa para 2021. Do atual governo de Max, não fizemos parte.”

NEUCIMAR NÃO “DEU A CONTRAPARTIDA”

Por outro lado, afirma um dirigente do PSB, Neucimar, como presidente estadual do PSD, não contentou como poderia o PSB (ou como o partido gostaria) neste momento de definições eleitorais, deixando de fazer alguns movimentos esperados pelo partido do governador em troca de eventual apoio a ele em Vila Velha.

Um deles: retirar a candidatura do vereador Celso Andreon (PSD) a prefeito de Cariacica para apoiar na cidade o candidato do PSB, e irmão dele, Saulo Andreon. Neucimar não fez isso. E Celso continua no páreo contra Saulo, para descontentamento de caciques pessebistas.

CONVERSAS E CONVENÇÃO

O presidente municipal do PSB, Harlen Silva, conversou pessoalmente com Max Filho nesta sexta-feira (4), acompanhado de João Artem. Harlen também já conversou, separadamente, com Hércules e com Neucimar. Agora, pretende reunir-se com os dois juntos, até para compreender melhor o que eles pretendem com a propagandeada “aliança”.

Em teoria, como ele mesmo já disse, Neucimar poderia abrir mão da candidatura para indicar o vice de Hércules ou até vir como o vice (muito improvável). Essa configuração não interessa ao PSB, que fica assim sem espaço para encaixar Júnior Bola nessa chapa.

A convenção do PSB em Vila Velha ocorrerá na próxima sexta-feira (11), na Câmara Municipal – a princípio, segundo Harlen, sem transmissão on-line.

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