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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Os candidatos que terão o apoio de Amaro Neto nas eleições municipais

Deputado diz que estará nas campanhas dos correligionários Hudson Leal em Vila Velha e Pazolini em Vitória, mas que não necessariamente acompanhará seu partido na Serra e em Cariacica. Nessas duas cidades, decisão será tomada com Casagrande

Publicado em 21/09/2020 às 13h00
Atualizado em 21/09/2020 às 13h00
Amaro Neto, deputado federal do Espírito Santo
Amaro Neto, deputado federal do Espírito Santo. Crédito: Agência Câmara

O deputado federal Amaro Neto (Republicanos) estará pessoalmente na campanha do deputado estadual Lorenzo Pazolini, do mesmo partido, à Prefeitura de Vitória. Em Vila Velha, está apoiando Hudson Leal, também deputado estadual do Republicanos. Em Guarapari, decidiu apoiar a reeleição do prefeito Edson Magalhães (PSDB). Em Linhares, é cabo eleitoral do prefeito Guerino Zanon (MDB), apoiado por seu partido. Em Viana, está com Wanderson Bueno (Podemos), o candidato lançado pelo prefeito Gilson Daniel (Podemos), também apoiado pelo Republicanos.

Em Colatina, com a desistência de Sérgio Meneguelli (Republicanos) em concorrer à reeleição, Amaro ainda não decidiu o que fazer, assim como em Cachoeiro de Itapemirim. Tanto na Serra como em Cariacica, ele ainda não fechou questão sobre o candidato que terá o seu apoio de maneira mais explícita.

Nessas duas últimas cidades (talvez aquelas onde a influência de Amaro no processo pode ser maior, devido à sua popularidade advinda do programa de TV), a decisão está sendo tomada em fina sintonia com o governador Renato Casagrande (PSB), com quem o deputado tem mantido diálogo pessoalmente sobre sua participação estratégica nas eleições municipais.

Todas as informações acima foram transmitidas pelo próprio Amaro Neto, em bate-papo com a coluna na noite da última sexta-feira (18).

A partir do momento em que desistiu de concorrer à Prefeitura da Serra, conforme decisão anunciada por ele na metade de agosto, Amaro alçou-se automaticamente à condição de um dos cabos eleitorais mais cobiçados por dirigentes partidários e candidatos, se não o mais cobiçado, nesse processo eleitoral no Espírito Santo, sobretudo na Grande Vitória (de novo: por causa do público-alvo de seu programa).

E ele tem consciência disso. Pretende participar pessoalmente da campanha para ajudar a eleger parceiros políticos em muitos municípios de norte a sul do Estado, na Grande Vitória e no interior.

Contando os sete municípios da Região Metropolitana, mais Cachoeiro, Colatina e Linhares, Amaro foi o candidato a deputado federal mais votado em cinco deles na eleição de 2018: Vitória, Vila Velha, Cariacica, Viana e Guarapari. Na Serra, ficou atrás apenas de Sérgio Vidigal (PDT). Em Fundão e Cachoeiro, foi o 3º. Em Colatina, foi o 5º. Em Linhares, o 6º.

Ele teve mais votos que Neucimar Fraga (PSD) em Vila Velha, que Helder Salomão (PT) em Cariacica e que João Coser (PT) e Luiz Paulo (PSDB) em Vitória, todos ex-prefeitos dos respectivos municípios.

Os apoios eleitorais já definidos por Amaro confirmam algo que já era muito especulado: o deputado não necessariamente estará com os candidatos lançados ou apoiados pelo próprio partido, o Republicanos, em todos os municípios.

Não é que haja um descolamento total entre eles, como se deputado e partido fossem entidades completamente independentes e como se Amaro fosse o partido de si mesmo (o PAN: Partido Amaro Neto). Mas, em alguns municípios, como conta o próprio Amaro, em conversa franca e pacífica com a direção partidária, ele fará movimentos autônomos, podendo subir em palanques diferentes daquele onde estará o Republicanos, ou até apoiando determinado candidato em detrimento daquele do partido.

Da lista que abre esta coluna, já podemos extrair um bom exemplo para ilustrar a constatação acima: Guarapari. No município mais ao sul da Região Metropolitana, o Republicanos tem candidata própria à prefeitura: a vereadora Fernanda Mazzelli, que trocou o PSD pelo partido de Amaro em abril na expectativa de poder contar com o apoio dele agora no pleito. Nada feito.

Aludindo a “problemas internos” nas conversações, Amaro afirma que não ficará com Fernanda. No lugar dela, apoiará publicamente o prefeito Edson Magalhães (PSDB), com quem, aliás, já publicou até story em suas redes sociais.

Também há algumas cidades onde o Republicanos não tem candidato próprio, mas apoia determinado nome de outro partido para a prefeitura. Amaro, eventualmente, poderá subir em um palanque diferente ao desse candidato.

Na Serra, por exemplo, o Republicanos formalizou apoio ao deputado estadual Alexandre Xambinho. Amaro tem boa relação com ele, mas também tem ótima com o deputado federal Sérgio Vidigal (PDT). Em Cariacica, o Republicanos coligou-se com o DEM de Euclério Sampaio. Mas Amaro cultiva ótima relação tanto com Euclério quanto com o ex-deputado estadual Sandro Locutor (PROS). Ambos foram seus colegas na Assembleia Legislativa, de 2015 a 2018.

Nesses dois municípios, o próprio Amaro enfatiza que seu apoio será definido em conversa com Casagrande. Em Cariacica, a base do governador tem três candidatos: Euclério, Sandro e Saulo Andreon (PSB). Na Serra, os candidatos governistas são dois: Vidigal e Bruno Lamas (PSB).

Assim, Amaro poderá acabar ingressando, na reta final do 1º turno, na campanha daquele candidato para o qual sua presença, em entendimento com Casagrande, será mais útil para ajudá-lo a chegar ao 2º turno. E que ninguém se surpreenda se Amaro, nessas duas cidades, acabar manifestando apoio ao candidato do PSB ou até a alguém ainda fora do radar.

VILA VELHA: HUDSON COM EQUIPE DE AMARO

Em Vila Velha, de acordo com Amaro, ele não só andará com Hudson Leal como “repassou” para ele a equipe publicitária que faria a sua campanha se ele fosse candidato a prefeito da Serra. De acordo com Amaro, trata-se de uma equipe do Nordeste. “Estarei com o Hudson e faremos uma campanha bonita.”

GUARAPARI: PARTIDO PARA UM LADO, AMARO PARA O OUTRO

Amaro explica a separação: “Em Guarapari, o partido indiciou a Fernanda [Mazzelli]. A gente ia iniciar uma campanha com ela. Mas, por problemas internos, eu não estarei com ela. E aí o Edson me pediu para conversar, e tenho me alinhado com o Edson. A Fernanda permanece candidata, desejo sucesso a ela, mas não vou estar na campanha dela”.

VITÓRIA: “PAZOLA” NA CABEÇA

“Na Capital vou com Pazola”, garante Amaro, desse jeito. Segundo ele, só não está ainda muito bem definido o momento em que se dará essa sua entrada mais explícita na campanha (gravando depoimento para o programa de TV e rádio, participando de eventos com Pazolini, andando com ele pelas ruas da Capital).

“Eu e Pazolini trocamos uma ideia há umas duas semanas. Já passei para ele algumas ideias que tive na campanha de 2016 e ao longo dos últimos quatro anos. Estou à disposição. Não tenho problema algum em andar com ele, vou fazer campanha para ele. Vou entrar no momento certo.”

E quando seria esse “momento certo”? Amaro dá uma pista: “Eu sou muito de entrar na campanha nos últimos dias”. E prossegue: “No momento em que acharem importante caminhada, gravações, eu vou estar sempre à disposição”.

Entre parênteses: o núcleo de campanha de Pazolini não quer de modo algum transmitir a ideia de “dependência” e tem mostrado grande preocupação em provar que o candidato tem identidade própria e pode ser líder de um projeto próprio, sem necessitar de muletas. Isso reforça a percepção de que esse “momento certo” para a aparição ao lado de Amaro deve ficar mesmo para o sprint na reta final do 1º turno.

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