Luiz Paulo volta ao PSDB dizendo que quer se candidatar a prefeito da Capital de novo (seria a 4ª vez). Tanto a afirmação como a data em que ele faz tal movimento sinalizam mesmo essa intenção. Minha tese é outra, porém. Posso estar enganado, mas tenho para mim que Luiz Paulo dificilmente será mesmo candidato a prefeito. Minha apuração indica que ele volta ao ninho agora para cumprir um propósito mais complexo.
Acho difícil a candidatura de Luiz Paulo não só pelas complicações jurídicas –
condenado em 2º grau numa ação, ele tenta reverter a sentença no STJ, mas, mantida a situação atual, pode perfeitamente ter a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral caso peça registro em agosto, em virtude da
Lei da Ficha Limpa. Mas há outro fator: reconhecido por seu conhecimento técnico e sua capacidade de formulação política, Luiz Paulo, há muitos anos, demonstra estar “em outra
vibe”, cansado daquela coisa de pedido de votos e tapinhas nas costas.
As respostas sobre os porquês de Luiz Paulo me parecem passar muito mais por este fator: onde se posiciona o ex-prefeito, hoje, na “geopolítica estadual” (termo, por sinal, cunhado por ele próprio, em entrevista dada há mais de dez anos)? E onde (pelo menos até seu retorno) está o PSDB estadual, sob a direção de Vandinho?
Luiz Paulo atualmente é do grupo que agrega Casagrande e Luciano, grupo esse que tem pelo menos dois pré-candidatos a prefeito: o deputado estadual
Fabrício Gandini (Cidadania) e o vice-prefeito
Sérgio Sá (PSB). Não se pode excluir dessa conta Sergio Majeski, que, pelo menos por ora, continua filiado ao PSB e tecnicamente habilitado a disputar essa eleição pelo partido do governador.
Luiz Paulo tem excelente relação com Majeski. Foi por intermédio dele que o então professor de Geografia filiou-se ao PSDB anos atrás, para chegar a seu primeiro mandato na Assembleia, na eleição de 2014. O ex-prefeito, inclusive, chegou a tentar convencer Majeski a voltar ao PSDB agora com ele para buscar viabilizar candidatura a prefeito de Vitória pelo partido. Majeski não topou, entre outros fatores, justamente por causa de Vandinho (os dois se odeiam).
Já Vandinho situa-se, hoje, num campo político praticamente oposto ao de Luiz Paulo. Na Assembleia, pratica oposição sistemática ao governo Casagrande, em parceria fina com outros dois deputados que são pré-candidatos a prefeito de Vitória:
Capitão Assumção (
recém-filiado ao Patriotas) e
Lorenzo Pazolini (
recém-filiado ao Republicanos). É nesse outro polo que está Vandinho e, com ele, o PSDB da Capital. Sob sua influência, o partido em Vitória jamais apoiará um candidato que faça parte do movimento político de Casagrande e/ou de Luciano. Ao contrário.
No entanto, esses planos podem mudar com Luiz Paulo de volta com tudo à política interna do PSDB do Estado e, particularmente, de Vitória. Com sua história no partido, suas credenciais de prefeito por dois mandatos e sua ponte direta com o tucanato em Brasília (melhor que a de Vandinho,
mais conectado com João Doria), é provável que ele trabalhe, internamente, para promover, no mínimo, uma disputa de teses.
Pragmaticamente, o que isso significa? Não ficar de braços cruzados assistindo ao “seu” PSDB ir, sem questionamentos, para os braços de Pazolini. Provocar um debate na convenção. Se for necessário lançar candidatura própria, o ex-prefeito é capaz até de ir para o sacrifício (como já foi, por exemplo, na eleição ao governo do Estado em 2010).
Mas também é possível que ele trabalhe internamente para “puxar” o PSDB para outra coligação que não a encabeçada por Pazolini. Pode ser uma daquelas identificadas com a aliança PSB/Cidadania (leia-se com o governo Casagrande). Ou, em última análise, pode até ser a de Majeski (que continua no PSB, ainda que mais independente do governo).
Em resumo, Luiz Paulo pode acabar ajudando o Palácio Anchieta no processo eleitoral em Vitória, cumprindo, para o governo Casagrande e para si mesmo, um papel estratégico: bloquear ou pelo menos dificultar o apoio do PSDB à candidatura de Pazolini, o qual já era dado como certo... até o regresso do ex-prefeito ao ninho.