Partido de Casagrande queria filiar Bruno Vitalino, detido nesta sexta (3)
Faltou critério aí...
Partido de Casagrande queria filiar Bruno Vitalino, detido nesta sexta (3)
A convite de dirigentes do PSB, comerciante com histórico de polêmicas chegou a assinar ficha de filiação para se candidatar a vereador pela sigla. Ele foi conduzido a DPJ por desacato e resistência após desrespeitar decreto do próprio governador
A assinatura da ficha – passo decisivo para a efetivação da filiação partidária – é confirmada pela foto acima, à qual a coluna teve acesso no último domingo (29) e na qual o próprio Vitalino (ao centro) aparece exibindo a ficha recém-assinada ao lado do presidente do PSB em Vila Velha, João Artem (à esquerda).
A mesma foto circulou por grupos do PSB no WhatsApp. Alguns chegaram a dizer que Vitalino “já estava eleito”. Vindo da regional 5 da cidade (a da Grande Terra Vermelha), o empresário é muito popular nessa área de Vila Velha, e era aposta de muitos votos entre os eleitores de Terra Vermelha e bairros adjacentes.
A ficha, no entanto, pode não ter chegado a ser lançada oficialmente no sistema da Justiça Eleitoral, antes dos episódios desta sexta-feira. Os dirigentes dos partidos ainda têm prazo para lançar no sistema os nomes dos novos filiados que participarão da próxima eleição municipal.
Entretanto, em conversa telefônica comigo no fim da manhã de terça-feira (31), o próprio Vitalino confirmou que já havia tomado a decisão de se filiar ao PSB para concorrer a uma cadeira de vereador de Vila Velha.
Poucas horas depois, ele retornou a ligação e mudou a sua primeira versão. Confirmou a intenção de se candidatar a vereador, mas negou que já tivesse decidido se filiar ao PSB. Disse que realmente tinha convite do PSB, mas também de outros partidos, e estava se decidindo ainda.
O PSB tem como principal representante no Estado o governador Renato Casagrande. Já Vitalino é conhecido proprietário de um quiosque na orla de Itaparica e dono de um bar na Avenida Saturnino Rangel Mauro, no mesmo bairro. Ele é famoso, também, por acumular um histórico de envolvimento em polêmicas.
A mais recente delas ocorreu na noite desta sexta-feira. Vitalino foi detido durante uma ação da Guarda Municipal de fiscalização de estabelecimentos que descumprem a restrição de funcionamento imposta pelo decreto do governador Renato Casagrande (justamente, do PSB), em função da pandemia do coronavírus.
O próprio secretário de Defesa Social e Trânsito de Vila Velha, coronel Oberacy Emmerich Jr, coordenador da ação, deu a ordem de prisão a Vitalino, que teve que ser algemado por ter resistido à prisão e desacatado os agentes da Guarda Municipal, de acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Vila Velha.
Segundo o secretário, Vitalino não apenas se recusou a cumprir a ordem de fechamento do bar como desacatou os guardas. Ou seja: Vitalino foi detido por resistência e desacato após descumprir decreto do maior líder no Estado do partido ao qual ele mesmo pretendia se filiar.
Bruno Vitalino, ou “do Vitalino”, é, na verdade, nome de urna e de fantasia. O nome verdadeiro do comerciante de 42 anos é Adriano Teixeira da Silva.
Dono do quiosque mais polêmico da orla de Itaparica, em Vila Velha, o empresário já foi candidato em três eleições, por diversos partidos e com diferentes nomes de urna.
Em 2012, como "Bruno do Pagode", tentou virar vereador pelo PTdoB (atual Avante), tendo obtido 688 votos. Em 2014, ainda pelo PTdoB, mas já como Bruno do Vitalino, concorreu a deputado estadual e teve 1.569 votos. Já em 2016, com o mesmo nome de urna, voltou a disputar vaga na Câmara de Vila Velha, dessa vez pelo PTN (atual Podemos). Alcançou 1.827 votos.
No início de janeiro deste ano, Vitalino também chegou a ter o seu quiosque interditado por fiscais da Prefeitura de Vila Velha, sob a suspeita de ter promovido um show irregular de fogos de artifício, nas areias da praia de Itaparica, durante a virada de ano, sem a devida autorização nem da Prefeitura de Vila Velha nem do Corpo de Bombeiros. Os fogos atingiram e feriram pessoas inocentes no local.
Por conta do episódio, Vitalino sofreu mais de uma multa, a prefeitura abriu uma investigação administrativa, e a Polícia Civil também instaurou investigação para apurar o caso. A ocorrência ficou sob responsabilidade do 7º Distrito Policial, em Santa Inês, no mesmo município.
No início de 2018, o "Quiosque do Vitalino" foi palco de outra confusão. Em janeiro daquele ano, o empresário foi um dos responsáveis pelo Orla Folia, uma espécie de micareta realizada na Avenida Estudante José Júlio de Souza, na orla de Itaparica. O evento previa a apresentação da banda Ara Ketu, que não apareceu. Isso teria irritado foliões, que entraram em confronto com a Polícia Militar.
Após a confusão, o Ara Ketu informou que jamais fechara contrato para se apresentar no evento. Na ocasião, o Orla Folia foi promovido com autorização da prefeitura, mas contra recomendações da Polícia Militar e do Ministério Público Estadual.
Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.