Exonerado em março de 2018 do cargo de diretor do DFTrans (Transporte Urbano do Distrito Federal) após a Polícia Civil cumprir mandado de busca e apreensão em sua casa na Operação Trickster, Léo Carlos Cruz foi nomeado nesta sexta-feira (3) pelo governador Renato Casagrande (PSB) para o cargo comissionado de subsecretário estadual de Mobilidade Urbana (o número 2 da pasta).
Desde o início do governo Casagrande, em janeiro de 2019, Cruz exercia um cargo menor, também comissionado: era gerente de Transporte de Passageiros na mesma secretaria. Ele já havia trabalhado com Casagrande no primeiro governo do socialista no Espírito Santo (2011-2014), como presidente da Ceturb.
Após a derrota de Casagrande para Paulo Hartung na eleição de 2014, Cruz foi trabalhar no governo do Distrito Federal (DF), então sob o comando de outro governador do PSB, Rodrigo Rollemberg. E não foi sozinho.
Naquela oportunidade, Fábio Damasceno (que tinha sido secretário de Transportes e Obras Públicas na primeira gestão de Casagrande), também migrou para o DF. Na administração de Rollemberg, Damasceno foi secretário de Mobilidade. Filiou-se, então, ao PSB (antes era do MDB).
Em março de 2018, Rollemberg exonerou Léo Carlos Cruz da direção do DFTrans após o cumprimento de mandado de busca e apreensão na residência dele. Cruz, no entanto, não chegou a ser alvo de denúncia formal na Operação Trickster – que apurou fraudes no sistema de bilhetagem do transporte público do DF.
Na eleição estadual de outubro daquele ano, a situação se inverteu em relação à anterior: dessa vez, foi Rollemberg quem não conseguiu se reeleger no governo do DF (perdeu para Ibaneis, do MDB). Já Casagrande conseguiu voltar ao Palácio Anchieta.
Com Casagrande, voltou também Damasceno, que assumiu a Secretaria de Mobilidade Urbana. De quebra, veio Léo Carlos Cruz, agora promovido a subsecretário da pasta.
OUTRO LADO
Na época da Operação Trickster e da exoneração de Léo Carlos Cruz no governo do DF, ele declarou o seguinte em entrevista à TV Globo:
"Quando a gente descobriu essa operação irregular, essa fraude no sistema, o primeiro passo foi oferecer uma denúncia à Polícia Civil. A partir daí, por orientação da própria Polícia Civil, nós permitimos que o sistema de fraude se desenvolvesse para que a polícia tivesse as informações necessárias para levar a cabo a investigação do esquema da fraude".
Em abril de 2019, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios ofereceu denúncia contra cinco pessoas, resultante da operação. Léo Carlos Cruz não foi uma delas.