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Noroeste capixaba

O que é 'Tropa do Urso'? Veja como foi criada no ES e a ligação com facção do RJ

Grupo conquistou a hegemonia do tráfico em Colatina e as suas principais lideranças estão foragidas no Rio

Publicado em 24 de Abril de 2025 às 13:14

Públicado em 

24 abr 2025 às 13:14
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

Fugiram para o Rio
Crédito: Arte - Sabrina Cardoso com Microsoft Designer
Qual a ligação entre a ‘Tropa do Urso’ criada no interior do Espírito Santo e a organização de mesmo nome do Rio de Janeiro, cujo líder faz parte da cúpula do Comando Vermelho (CV)? Além das atividades que envolvem a comercialização de drogas, de  integrar a mesma facção criminosa que dá as ordens para as ações, o nome do grupo capixaba, assim como o carioca, surgiu em homenagem a quem os lidera.
No Espírito Santo a ‘Tropa do Urso’ conquistou com violência a hegemonia do tráfico em Colatina e com atuação em cidades vizinhas do Noroeste. É comandada por três traficantes que estão foragidos no Rio, em áreas sob domínio do CV. São eles:
  • Bryan Lyrio Deolindo - fugiu do Complexo prisional de Xuri, em Vila Velha, em dezembro de 2021, com outros 20 presos, quando foi para o Rio. Contra ele existem 13 mandados de prisão
  • Hugo Henrique dos Santos - chegou a ser detido em flagrante 2022, mas a Justiça considerou sua prisão ilegal e foi solto. Foi para o Rio em 2023 e possui 7 mandados de prisão
  • Vinicius Lung - Seguiu  Hugo para o Rio na mesma data e possui 3 mandados de prisão
Juntos os três comandam os pontos de venda de drogas e as ações de quem neles atua, a grande maioria sendo menores, por intermédio de vídeo chamadas. Ocorre que Hugo também é conhecido pelo apelido de ‘Urso’.
“Desde que fugiram, nas trocas de informações com sua “equipe” e até em postagens em redes sociais, o apelido era sempre citado e com o tempo se transformou em ‘Tropa do Urso’”, explica o delegado Deverly Pereira Junior, titular da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) de Colatina.

Urso carioca

Como as três principais lideranças do grupo mantém ligações com o Comando Vermelho, o nome do grupo capixaba também não deixa de ser uma homenagem a outra pessoa que adota o apelido de ‘Urso’. Trata-se de Edgar Alves de Andrade, o Doca, que faz parte do alto escalão da hierarquia da facção criminosa.
Contra ele pesam várias acusações, incluindo a de que a  tropa dele é responsável por invasões a várias comunidades. Estaria envolvido na morte dos comparsas que executaram três meninos em Belford Roxo e também teria dado o mesmo destino aos que executaram por engano três médicos na orla da Barra da Tijuca.
Há ainda o caso da tentativa de sequestro de um piloto de helicóptero da polícia para resgatar presos.
O curioso envolvendo as lideranças da ‘Tropa do Urso’ carioca e a capixaba, destaca o delegado, é que os integrantes em Colatina nem mesmo os conhecem. “Hugo está desde 2023 no Rio e a maioria dos que atuam no grupo que ele lidera em Colatina são menores, e não o conhecem e muito menos o Doca”, observa.
Mas as ligações vão além da homenagem. Eles seguem a cartilha e as orientações do CV, incluindo a exigência de que as principais decisões precisam ser acompanhadas de perto pelas lideranças. E como estão foragidos, usam a tecnologia para coordenar a venda de drogas e até as execuções.
É o que aponta a 1ª Promotoria de Justiça Criminal de Colatina, por nota. “Constatou que os principais líderes da facção que atua no território capixaba possuem ligação estreita com a organização criminosa do Rio. Apurou-se que ordens para gerir o tráfico de drogas e cometer homicídios em locais do Espírito Santo partem diretamente do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro”.

Operação

Na manhã desta quarta-feira (23), foi realizada a Operação Wyoming pelas equipes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Espírito Santo (Ficco), da Polícia Civil e da Polícia Militar que atuam em Colatina, e Ministério Público do Espírito Santo (MPES). O objetivo é desarticular a atuação da “Tropa do Urso”.

Vilmara Fernandes

E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.

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