Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Morte de universitárias

O dia em que um advogado de duas vítimas assumiu o papel do MP no ES

Justiça reconheceu inércia da 7ª Promotoria Criminal da Serra em processo e aceitou ação proposta por advogado, tornando réu motorista que causou mortes

Publicado em 18 de Julho de 2025 às 03:30

Públicado em 

18 jul 2025 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes Vilmara Fernandes
Justiça
Crédito: Camilly Napoleão com Adobre Firefly
Uma queixa-crime produzida por um advogado foi aceita pelo Juízo da 3ª Vara Criminal da Serra — responsável pelo Tribunal do Júri —, o que tornou réu um motorista acusado por morte e lesões graves em um acidente. Com a medida, ele assumiu o papel que tradicionalmente é desempenhado pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), cuja inércia apontada em decisão judicial fez com que o processo ficasse paralisado por mais de 90 dias.
O caso envolve a 7ª Promotoria Criminal da Serra, que em 14 de abril foi intimada a se manifestar sobre a conclusão de um inquérito policial que tratava de um acidente com morte em que o motorista foi indiciado. Mas, nos meses que se seguiram, nada foi feito.
“Até a presente data não ofereceu denúncia, tampouco requereu o arquivamento ou novas diligências, configurando a inércia”, é relatado na decisão da 3ª Vara Criminal da Serra.
Na sequência, foi recebida a queixa-crime apresentada pelo advogado Fábio Marçal, que representa as vítimas. O que tornou o motorista Daniel Ramos Guedes réu em ação penal, sob a acusação de homicídio e tentativa de assassinato, ambos triplamente qualificados, por motivo fútil, sem dar chance de defesa às vítimas e causando perigo a outras pessoas (veja detalhes abaixo).
O dia em que um advogado de duas vítimas assumiu o papel do MP no ES
Também foi determinado que os fatos sejam comunicados ao procurador-geral de Justiça (PGJ), Francisco Berdeal, chefe do MPES. “Para adoção das providências que entender cabíveis”.

Ação considerada rara

Segundo o advogado Fábio Marçal, que representa as vítimas, a Constituição garante a atuação diante da omissão estatal. “O que fizemos foi propor uma ação penal privada subsidiária da pública, a queixa-crime, diante da omissão da 7ª Promotoria Criminal da Serra, que não ofereceu denúncia no prazo legal”.
Marçal representa duas das quatro vítimas do acidente. Uma delas morreu e a outra sofreu lesões graves.
Explica que, ao contrário dos demais casos em que MP é o titular da ação penal, nesta situação ele atuará como uma espécie de fiscal da lei, cabendo à Marçal o papel de conduzir a ação.
“Tenho um imenso respeito e admiração pelo Ministério Público, com quem atuei incansáveis vezes ao lado dos promotores como assistente de acusação. No entanto, é dever nosso seguir zelando sempre por quem mais precisa”, assinala.
Acrescenta que acredita e confia na atuação do MP. “Com seus preceitos de excelência, continuará atuando com a firmeza de sempre”.
Em relação à queixa-crime que propôs, destaca que é rara no Judiciário brasileiro. “É uma conquista não só jurídica, mas principalmente moral para os familiares das vítimas”.

O que diz o MP

Por nota, o MP informou que “reconhece a gravidade do caso e a dor das famílias envolvidas”, e reafirma seu “compromisso com a atuação célere, responsável e eficiente na apuração dos fatos e na responsabilização dos autores de crimes”.
Em relação aos fatos ocorridos na 7ª Promotoria Criminal da Serra, informa que está apurando as circunstâncias relacionadas à tramitação interna do processo, os prazos e providências adotadas, e que tomará as medidas necessárias caso seja identificada qualquer falha funcional. “Ressaltamos que a atuação ministerial está submetida ao regime de controle e fiscalização institucionais, com os devidos mecanismos de apuração de condutas e responsabilidades”.
Reitera ainda que são prioridades institucionais a proteção dos direitos das vítimas e o respeito ao devido processo legal. E que está adotando as providências necessárias para assegurar o regular prosseguimento do caso. “E a devida responsabilização penal, com estrita observância à legalidade e ao interesse público”.
Luma Alves e Natiele Lima dos Santos (em destaque) eram amigas e estavam voltando de uma festa
Luma Alves e Natiele Lima dos Santos (em destaque) eram amigas e estavam voltando de uma festa Crédito: Leitor A Gazeta e Redes Sociais

A tragédia

O acidente aconteceu em 7 de abril do ano passado. Duas universitárias de 19 anos morreram em uma colisão na Rodovia Norte Sul, na altura do bairro Jardim Limoeiro, na Serra.
Luma Alves da Silva e Natiele Lima dos Santos, estavam no banco de trás e morreram na hora. Uma delas chegou a ser arremessada para fora do veículo. Arthur Barbosa dos Santos e Luan Alves da Silva sobreviveram com lesões graves. Dos quatro, Luma e Luan são representados por Marçal.
O carro era guiado por Daniel Ramos Guedes, que segundo a queixa-crime assumiu a direção após ingerir bebida alcoólica. “Em alta velocidade, realizou disputa automobilística, perdendo o controle do automóvel e colidindo contra um muro”, informa o texto.
É acrescentado que o comportamento do motorista foi considerado imprudente na conclusão do inquérito policial, e que ele assumiu o risco da ocorrência de mortes e lesões.

Vilmara Fernandes

Vilmara Fernandes Vilmara Fernandes

Aqui você encontra conteúdos exclusivos sobre segurança, justiça e cidadania, com informações que impactam a vida das pessoas e da cidade

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

O prefeito Kleilson Rezende e o ex-prefeito Bruno Araújo são escoltados pela Políca Federal durante exame de corpo de delito
STJ manda soltar prefeito e ex-prefeito de Pedro Canário, presos desde maio
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva
Lula diz que Fachin colocou 'um pouco de ordem na casa', mas que espera mais
Ex-prefeito tenta vaga na Ales
TRE-ES barra candidatura de Luiz Paulo Vellozo Lucas a deputado estadual

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados