Seis anos após os primeiros casos de Covid, os reflexos da doença ainda impactam a rotina das cidades. Em Vitória, o prazo para a exumação dos restos mortais das vítimas, que em geral ocorre a partir do quarto ano do enterro, será ampliado em mais dois anos.
A Prefeitura da Capital prepara uma portaria com as regras a serem adotadas nos cemitérios da cidade, após constatar que o processo de desenterramento foi comprometido por uma decomposição tardia.
A decisão foi pautada a partir de experiências vivenciadas pelas equipes no Cemitério Boa Vista, localizado em Maruípe. Em dez tentativas realizadas a pedido das famílias, em seis casos os corpos não estavam em condições de serem exumados.
De acordo com Leonardo Amorim, titular da Secretaria Central de Serviços, em contato com outras administrações municipais foi constatado que a situação ocorre em outras cidades brasileiras. Elas também adotaram medidas semelhantes, ampliando o prazo para 5, 6 e até 8 anos.
“Nosso objetivo é tornar o processo de exumação mais seguro e menos traumático para as famílias”, assinalou o secretário.
Nos casos em que se verifica que não houve a esqueletização, estágio final da decomposição, o corpo precisa ser enterrado novamente.
O motivo
Durante o período pandêmico, as recomendações sanitárias orientavam que as vítimas fossem acondicionadas em sacos mortuários, de material plástico e com vedações. Houve casos em que os caixões foram lacrados. O procedimento visava garantir a segurança das equipes no manejo dos corpos para sepultamentos.
O secretário explica que a decomposição foi afetada por estes materiais, que a tornaram mais lenta. Também pode ter influenciado no processo a quantidade de medicação recebida pelos pacientes durante a fase de tratamento da doença.
Em Vitória, a ampliação do prazo será adotada somente para as exumações de vítimas da Covid, em todos os cemitérios da cidade.
Por orientação do Ministério da Saúde, foi criada uma ala na unidade em Maruípe destinada aos que morreram da doença, que atualmente abriga 580 corpos. Ao todo, o espaço conta com 8.500 sepulturas públicas.
Em outros cemitérios da Capital, como o de Santo Antônio e o das irmandades, localizado no mesmo bairro, as sepulturas são perpétuas e o desenterramento só é feito a pedido da família ou por decisão judicial.
Na Capital as exumações ocorrem quatro anos após o enterro. É publicado um edital que dá a família trinta dias para solicitar a transferência dos ossos para um nicho ou para um cemitério particular. Quando isto não ocorre, o material é transferido para um ossuário público, onde continua o processo de decomposição.
De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), um total de 1.459 pessoas morreram de Covid entre o ano de 2020 até a decretação do fim da pandemia, em 5 de maio de 2023, em Vitória. Até o final do mês passado foi alcançado um total de 1.493 vítimas da doença na cidade.
No Espírito Santo, até o final de fevereiro, 15.285 pessoas tinham perdido as suas vidas para a doença, segundo o Painel da Covid-19.
- ESPECIAL 5 ANOS DA COVID
- Capixabas relatam sequelas físicas e emocionais
- Educação e economia de portas fechadas
LEIA MAIS COLUNAS DE VILMARA FERNANDES
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta.
