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Novas regras

Decomposição tardia faz Vitória prorrogar a exumação de vítimas da Covid

Prefeitura da Capital vai publicar portaria com as novas orientações para os cemitérios diante das dificuldades enfrentadas para desenterrar os corpos

Publicado em 02 de Março de 2026 às 03:30

Públicado em 

02 mar 2026 às 03:30
Vilmara Fernandes

Colunista

Vilmara Fernandes

Cemitério Maruípe - enterro- covid
Crédito: Arte - Camilly Napoleão com Adobe Firefly - PMV
Seis anos após os primeiros casos de Covid, os reflexos da doença ainda impactam a rotina das cidades. Em Vitória, o prazo para a exumação dos restos mortais das vítimas, que em geral ocorre a partir do quarto ano do enterro, será ampliado em mais dois anos.
A Prefeitura da Capital prepara uma portaria com as regras a serem adotadas nos cemitérios da cidade, após constatar que o processo de desenterramento foi comprometido por uma decomposição tardia.
A decisão foi pautada a partir de experiências vivenciadas pelas equipes no Cemitério Boa Vista, localizado em Maruípe. Em dez tentativas realizadas a pedido das famílias, em seis casos os corpos não estavam em condições de serem exumados.
De acordo com Leonardo Amorim, titular da Secretaria Central de Serviços, em contato com outras administrações municipais foi constatado que a situação ocorre em outras cidades brasileiras. Elas também adotaram medidas semelhantes, ampliando o prazo para 5, 6 e até 8 anos.
“Nosso objetivo é tornar o processo de exumação mais seguro e menos traumático para as famílias”, assinalou o secretário.
Nos casos em que se verifica que não houve a esqueletização, estágio final da decomposição, o corpo precisa ser enterrado novamente.

O motivo

Durante o período pandêmico, as recomendações sanitárias orientavam que as vítimas fossem acondicionadas em sacos mortuários, de material plástico e com vedações. Houve casos em que os caixões foram lacrados. O procedimento visava garantir a segurança das equipes no manejo dos corpos para sepultamentos.
O secretário explica que a decomposição foi afetada por estes materiais, que a tornaram mais lenta. Também pode ter influenciado no processo a quantidade de medicação recebida pelos pacientes durante a fase de tratamento da doença.
Em Vitória, a ampliação do prazo será adotada somente para as exumações de vítimas da Covid, em todos os cemitérios da cidade.
Por orientação do Ministério da Saúde, foi criada uma ala na unidade em Maruípe destinada aos que morreram da doença, que atualmente abriga 580 corpos. Ao todo, o espaço conta com 8.500 sepulturas públicas.
Em outros cemitérios da Capital, como o de Santo Antônio e o das irmandades, localizado no mesmo bairro, as sepulturas são perpétuas e o desenterramento só é feito a pedido da família ou por decisão judicial.
Na Capital as exumações ocorrem quatro anos após o enterro. É publicado um edital que dá a família trinta dias para solicitar a transferência dos ossos para um nicho ou para um cemitério particular. Quando isto não ocorre, o material é transferido para um ossuário público, onde continua o processo de decomposição.
De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), um total de 1.459 pessoas morreram de Covid entre o ano de 2020 até a decretação do fim da pandemia, em 5 de maio de 2023, em Vitória. Até o final do mês passado foi alcançado um total de 1.493 vítimas da doença na cidade.
No Espírito Santo, até o final de fevereiro, 15.285 pessoas tinham perdido as suas vidas para a doença, segundo o Painel da Covid-19.

Vilmara Fernandes

E jornalista de A Gazeta desde 1996. Antes atuou em A Tribuna. Foi reporter nas editorias de Politica, Cidades e Pauta. Foi Editora de Pauta e Chefe de Reportagem. Desde 2007, atua como reporter especial com foco em materias investigativas em diversas areas.

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