A acusada de envenenar com arsênio um médico de 90 anos, Bruna Garcia Barbosa Marinho foi sentenciada ao júri popular. Ela era funcionária da clínica de cardiologia localizada na Praia do Canto, em Vitória, que foi fechada.
O crime foi identificado após laudo de toxicologia forense, realizado com o cabelo do médico, revelar nível de contaminação pelo produto.
O Juízo da 1ª Vara Criminal de Vitória aceitou os argumentos apresentados pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), que denunciou Bruna por tentativa de homicídio praticada contra Victor Murad, e decidiu que ela será julgado pelo crime com as seguintes qualificações:
- Motivo torpe - “A conduta da denunciada teria sido impulsionada por sentimento vil e repugnante, decorrente de ganância e de autopreservação ilícita”
- Emprego de veneno - “Por meio da utilização de substância tóxica (óxido de arsênio III)”
- Sem defesa - “O crime teria sido praticado mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, uma vez que a denunciada, valeu-se de relação de confiança que mantinha com o ofendido para ministrar o veneno de forma gradual, impedindo a percepção, reação ou defesa por parte da vítima”
- Impunidade - “O crime foi praticado para assegurar a impunidade em crimes patrimoniais e a vantagem econômica deles decorrentes”
- Idoso - “O crime teria sido praticado contra pessoa maior de 60 anos à época dos fatos”
Também foi mantida a sua prisão preventiva. Ela se encontra detida na Penitenciária Feminina de Tucum, em Cariacica, onde aguardará o julgamento.
Na sentença é informado que, em depoimento, a vítima informou que a tentativa de homicídio foi descoberta por intermédio de laudo, mas após ser iniciada uma investigação de desvios que a acusada teria praticado contra a clínica.
“O declarante (médico) detalhou que a ré efetuou desvios vultosos, estimados em cerca de R$ 600 mil a R$ 1 milhão de reais”, é dito no texto judicial.
Bruna nega acusações
Em depoimento à Justiça, Bruna negou todas as acusações. Ela apresentou uma versão diferente, assinalando que seria vítima de uma armação arquitetada pela esposa do médico.
Afirmou que a sua demissão foi voluntária e decorreu de um conflito ético. A esposa do médico teria exigido que ela assumisse o envio de e-mails ameaçadores sobre um suposto relacionamento extraconjugal.
Justificou o recebimento do dinheiro em suas contas como gratificações voluntárias do médico, que a teria beneficiado com empréstimos e doações para viagens em razão de sua dedicação integral. E negou qualquer desvio fraudulento, afirmando que o “Dr. Vitor sabia de tudo o que eu fazia".
A compra do arsênio teria o objetivo de matar ratos e que o fez a pedido da esposa do médico, a quem entregou o produto e não teve mais contato com ele.
O crime
O caso foi descoberto em março do ano passado, quando o médico e a esposa desconfiaram que uma funcionária estaria desviando recursos da clínica, onde Bruna trabalhou por cerca de 12 anos. Ela exercia função de confiança, controlando o setor financeiro. E seria a pessoa responsável pela rotina alimentar do médico.
Segundo as investigações, o envenenamento teria sido feito para mascarar o desvio dos valores, direcionados para a conta pessoal dela.
Ela foi presa e denunciada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES). No final do mês de outubro do ano passado o Juízo da 1ª Vara Criminal de Vitória aceitou a denúncia contra a mulher, o que a tornou ré em uma ação penal.
Foi determinado ainda o bloqueio de seus bens no valor de R$ 600 mil. Há ainda uma segunda investigação não concluída sobre o caso.
No início das apurações o marido dela, Alysson Oliveira Marinho, chegou a ser apontado como suspeito, mas 0 Juízo da 1ª Vara Criminal de Vitória aceitou o pedido do MP de arquivamento do inquérito policial contra ele.
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