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Coronavírus

Na pandemia, o jeito é viajar remotamente

Mesmo com a vacinação, o confinamento ainda será uma solução necessária. Seria então o caso de viajarmos daqui pra frente por meio de câmeras ou óculos, sem sairmos de casa?

Públicado em 

28 jan 2021 às 02:00
Tarcísio Bahia

Colunista

Tarcísio Bahia

Homem usando óculos de realidade virtual
Nos últimos anos, notícias sobre o desenvolvimento dos programas de realidade aumentada já vinham mostrando esta nova tendência do mundo tecnológico Crédito: yanalya/Freepik
“Lá em Mauá, Teresópolis, Galdinópolis / Armação de Búzios, Geribá, Ceará” ("Lá em Mauá", Renato Terra).
Eu não sei vocês, mas a esta altura do campeonato, estou com muita saudade de viajar. É certo que tem muita gente que não se sente assim, pois não está nem um pouco preocupada com protocolos sanitários e tampouco com a vida própria e alheia. Esses devem estar viajando adoidado...
Mas a gente também sabe que muitos estão se cuidando, mantendo o isolamento, algo que fica evidenciado pela queda radical no número de hospedagens em hotéis e afins, assim como nas passagens aéreas, não só no Brasil, mas em todo o mundo.
Certamente é algo que não resolve nada, mas um tipo de programa televisivo que tenho visto em alguns momentos são aqueles sobre viagem, destinos turísticos, hotéis diferenciados, paisagens espetaculares ou simplesmente sobre lugares em que nunca estive, mas sempre sonhei visitar. Viajar sem sair do lugar. Seria isso uma espécie de masoquismo?
Nos últimos anos, notícias sobre o desenvolvimento dos programas de realidade aumentada já vinham mostrando esta nova tendência do mundo tecnológico. Imagina-se que agora, mesmo trabalhando de modo remoto, muitos laboratórios de tecnologia em diversos países estejam elaborando pesquisas para oferecer mais e melhores recursos para um mundo no qual a realidade aumentada se tornará rotina na vida de milhões de pessoas.
Sem a pandemia dar sinais de recuo, mesmo com a vacinação já sendo praticada em diversos países, o confinamento ainda será uma solução necessária.
Seria então o caso de viajarmos daqui pra frente por meio de câmeras ou óculos, sem sairmos de casa, no conforto da poltrona? Talvez resolvesse problemas do tipo: no feriado eu quero ir pra praia, minha esposa pra montanha; cada um pega seus óculos e curte sua própria viagem, um ao lado do outro, no mesmo sofá, eu de sunga, ela de casaco e bota, eu tomando caipirinha, ela saboreando um vinho... Fim dos conflitos matrimoniais. Game over!
E mesmo que a gente não tenha nada contra o fato de a vacina ser chinesa, pois o que importa mesmo não é de onde ela vem, mas o bem que ela trará de positivo pra nossa saúde, imaginem a vantagem de visitar um monumento turístico numa viagem sem ter diante dele aqueles enormes grupos de turistas chineses, todos usando o mesmo boné. A gente fica um tempão planejando conhecer um lugar tão sonhado, e, ao chegar lá, o que vemos? Centenas de ônibus de turismo, 'zilhões' de pessoas de olhos puxados, tapando tudo, sem deixar sequer que a gente consiga tirar uma foto legal que dê pra postar nas redes sociais.
Se o programa for uma visita a um museu, já era, pois eles já estarão lá, numa fila interminável, todos felizes, sem pressa alguma, só restando pra gente desistir da visita ou conformar-se em ficar ali parado durante horas até chegar a nossa vez de comprar o ingresso na bilheteria antes que o museu feche.
Já numa viagem por meio da realidade aumentada, tudo resolvido! Estaríamos ali, só nós, ninguém mais, podendo disfrutar do prazer de conhecer aquele lugar tão famoso numa paz celestial total...
Aliás, as visitas virtuais já estão disponíveis em alguns museus, num processo que teve início ou foi intensificado em algumas instituições justamente agora, por causa da pandemia.
Ah, tem mais: para os que têm vontade de praticar algum esporte radical numa viagem ecoturística, tal como rapel numa cachoeira gigantesca, tirolesa num despenhadeiro, rafting num rio com enormes corredeiras, mas na “hora H” bate um frio na barriga, e acaba desistindo e sendo caçoado pelos amigos até o fim da viagem, com os óculos da realidade aumentada eles não terão problema algum, nenhum risco, nenhum medo. Só curtição!
Uhul, imagina, você lá, na maior adrenalina, tirando onda com a galera, sem nenhum... calafrio! Se for naquele parque aquático, no tal insano, não vai rolar nem dor nas pernas de subir as escadas tantas vezes, nem pânico na hora de despencar rampa abaixo.
Pensando bem, talvez seja até possível fazer um encontro de amigos, num bar, numa sexta-feira à noite, tomar todas, encher a cara, misturar cerveja com vodca, uísque com cachaça, torresmo, linguiça frita, caldinho de feijão, e no dia seguinte acordar numa boa, se sentindo bem, sem nenhum sinal de ressaca ou coisa do tipo. E até voltar pra casa dirigindo, pé no acelerador, e sem risco de ser parado numa blitz de lei seca...
Mas, será esse o mundo que tanto desejamos? Ou seria, caso tal tecnologia já estivesse amplamente disponível, apenas um paliativo provisório enquanto lá fora tem um vírus a solta?
Da minha parte, preciso confessar, bastava uns dias numa cidadezinha mineira histórica, com seus velhos casarões e suas ladeiras de pé-de-moleque, ou uma vila praiana na costa nordestina cheia de coqueiros que eu já estaria no Paraíso.

Tarcísio Bahia

Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovação e mobilidade urbana têm destaque neste espaco

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