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Pandemia

Praias: o momento é crítico e todo cuidado é pouco

A chegada do ano novo, mais adiante o carnaval, bem como todo o verão, serão de praias lotadas mesmo com os atuais índices de óbitos e contaminação da Covid-19

Publicado em 31 de Dezembro de 2020 às 06:00

Públicado em 

31 dez 2020 às 06:00
Tarcísio Bahia

Colunista

Tarcísio Bahia

Vila Velha, ES - Movimentação na Praia da Costa no último domingo do ano
Praias capixabas têm ficado lotadas em dias de sol e calor Crédito: Vitor Jubini
Há um ano, o Brasil sofreu um enorme desastre natural: o derramamento de óleo em nosso litoral, que atingiu na sua maioria as praias do Nordeste, impedindo que muita gente pudesse desfrutar deste maravilhoso patrimônio nacional logo na época em que tais locais são mais visitados por turistas. Contudo, a tragédia teve impacto negativo principalmente na vida das comunidades que vivem nas regiões litorâneas (como foi o caso dos pescadores, por exemplo).
Na ocasião, ninguém imaginava que logo depois viria uma tragédia ainda maior, e da qual continuamos inseridos: a pandemia da Covid-19. Como é tudo novo, os protocolos sanitários, a opinião de especialistas, as decisões das administrações públicas, o comportamento da população etc, etc foram sofrendo ajustes e mudança do ponto de vista ao longo do tempo, sem nenhum consenso, a despeito do impressionante número de mortos desta que é a maior catástrofe mundial do mundo contemporâneo.
Estamos todos cansados, e quando achávamos que a contaminação começava a decair, eis que vem a tal “segunda onda”.
O cansaço é principalmente o psicológico. Somos seres sociais, adoramos o encontro com nossos pares. Alguém que viva isolado, em solidão, é logo tachado com uma pessoa com algum distúrbio comportamental. E em muitos casos isso é verdade.
Mas também precisamos nos movimentar fisicamente. É sabido que o ser humano não pode (ou não deve) viver de modo sedentário, ele precisa praticar atividades físicas, o que lhe dará melhor condição de vida, evitando inúmeras patologias.
E, justamente por causa da pandemia, a prática de atividades físicas e esportivas em espaços fechados deve ser evitada. Daí que nada melhor do que fazer da praia, no caso das cidades litorâneas, o lugar da atividade física, inclusive por ser o local mais arejado de quaisquer destas cidades. 
Soma-se também o aspecto psicológico, como compensação para o isolamento social que temos sido obrigados a cumprir nos tempos atuais, afinal estar junto ao mar, com seu horizonte infinito, sua brisa permanente, seja ele azulado ou esverdeado [T1] , para ali nos exercitarmos num local que, hipoteticamente, tem menos riscos de contágio, é sempre uma excelente opção.
O problema é quando todo mundo se dá conta disso... E, pior ainda, é quando chega o verão e com ele as férias aqui, neste país tropical, cujo calor e a conta de energia nos impele a sair de casa, buscando lugares onde possamos relaxar, realizar atividade física, e até mesmo dar um mergulho...
Muitos médicos que antes defendiam categoricamente o isolamento social, já começam a mudar de ideia e passaram a argumentar em favor da prática de atividades ao ar livre, desde que mantida a distância das pessoas e o uso de máscara como formas de evitar a contaminação pelo coronavírus, considerando que os riscos de danos psicológicos e físicos por causa do confinamento e do sedentarismo serão também gravíssimos.
Além dos parques e praças, é claro, nada melhor do que uma praia para podermos realizar atividades lúdicas e esportivas em prol da saúde mental e física, combatendo assim diversos tipos de doenças, como são as cardiovasculares e comportamentais.
Tudo indica, porém, que a chegada do ano novo (que, por razões óbvias, todos querem celebrar pra dar um “chega pra lá” em 2020), mais adiante o carnaval, bem como todo o verão, serão de praias lotadas mesmo com os atuais índices de óbitos e de contaminação da Covid-19.
E penso que o carnaval será ainda mais complicado, pois com todos os eventos cancelados (desfiles, blocos, bailes), para o povo das regiões costeiras só sobrará mesmo a praia. E engana-se quem acha que a galera não estará lá com suas caixas de som a todo vapor disputando quem toca a música mais alta e de pior qualidade.
Também seria ingenuidade achar que aqueles que irão às praias em tais datas são apenas os negacionistas.
Por outro lado, mesmo com a esperança de que a vacinação poderá controlar a pandemia, isso é algo que ainda demorará a ocorrer, uma vez que não será nada fácil produzir, distribuir e vacinar cerca de 200 milhões de habitantes.
O momento é crítico, todo cuidado é pouco. É tão importante proteger-se da doença, quanto manter a mente e o corpo são. Que sejamos sábios em nossas ações e decisões!
Desejo a todos um feliz 2021!

Tarcísio Bahia

Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovação e mobilidade urbana têm destaque neste espaço

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