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Sustentabilidade

Alternativa para o calorão, ar-condicionado impacta o meio ambiente

Apesar dos novos aparelhos serem mais econômicos e utilizarem gases menos poluentes, a indústria ainda não desenvolveu um sistema totalmente eficaz contra o dano ambiental

Publicado em 15 de Outubro de 2020 às 05:00

Públicado em 

15 out 2020 às 05:00
Tarcísio Bahia

Colunista

Tarcísio Bahia

Venda de aparelhos de ar condicionado deve aumentar substancialmente em todo o mundo nas próximas décadas
Venda de aparelhos de ar condicionado deve aumentar substancialmente em todo o mundo nas próximas décadas Crédito: pch.vector/ Freepik
A notícia de que o mês de setembro de 2020 foi o mais quente da história, conforme dados do instituto europeu Copernicus Climate Change Service (C3S), é preocupante, mas não tão surpreendente para nós brasileiros, haja vista o calorão que temos sentido nas últimas semanas. O que assusta, porém, é que os cientistas europeus, atentos, por exemplo, ao risco de um maior derretimento da calota de gelo do Ártico em 2020, quando comparado com anos anteriores, preveem a possibilidade de o calor intenso se prolongar, o que pode acarretar num verão com temperaturas altíssimas também aqui no Hemisfério Sul.
Se, como tudo indica, as queimadas no Pantanal, na Amazônia e em partes da Região Sudeste são de origem criminosa, o calor intenso associado a uma menor umidade não só intensificou os focos de incêndios, como também dificulta seu combate pelas brigadas.
Segundo os estudos científicos, o aumento da temperatura global está tanto relacionado com o El Niño, um fenômeno natural no qual as águas do Oceano Pacífico se aquecem e que ainda não tem uma teoria confirmando sua origem, como também em função da emissão dos gases de efeito estufa, resultado da ação humana.
Daí o alerta dos pesquisadores climáticos sobre a importância da redução da emissão desses gases, sob o risco de consequências drásticas para o metabolismo do planeta, incluindo a vida humana no futuro, caso a temperatura continue subindo.
Enquanto isso, pra amenizar o calor do presente, só mesmo um ar-condicionado. Ocorre que os aparelhos de ar condicionado funcionam à base de algum tipo de gás que tem impacto direto no meio ambiente, afetando a camada de ozônio.
Apesar dos novos aparelhos serem mais econômicos e utilizarem gases menos poluentes, a indústria ainda não desenvolveu um sistema totalmente eficaz contra o dano ambiental. Não obstante, segundo projeções, a venda de aparelhos de ar condicionado deve aumentar substancialmente em todo o mundo nas próximas décadas. Quem consegue trabalhar, estudar ou até dormir num calorão destes?
Neste ponto convém ressaltar que não é só nas edificações que o ar-condicionado é utilizado, mas também nos diversos meios de transporte, nos automóveis particulares, nos veículos de massa como ônibus, metrô, trem ou mesmo nos aviões de passageiros. Dá pra imaginar ficar num engarrafamento sob o sol escaldante dentro de um carro ou ônibus parado sem ar-condicionado?
A indústria, inclusive por pressão do governo de alguns países, vem buscando soluções mais eficientes, mas é bem provável que nunca chegue a uma solução que não cause impacto algum à diminuição da camada de ozônio e, consequentemente, ao aumento da temperatura global. E, mesmo que isso ocorresse, a substituição dos modelos existentes e em funcionamento levaria muito tempo, até por que não há como produzir e reinstalar em curto espaço de tempo tantos aparelhos para todas as edificações e veículos que fazem uso do ar condicionado.
Em paralelo, a arquitetura vem também buscando soluções que melhorem a eficiência energética das edificações, com soluções passivas para melhorar o controle térmico no espaço construído, visando diminuir o gasto com ar condicionado. Bem projetado sob tais aspectos, o sistema de ar condicionado num edifício terá um baixo consumo quando comparado com construções que não tenham esta preocupação.
Já no âmbito do urbanismo, projetam-se ruas com maior arborização; cidades com mais parques; cursos d’água limpos (sem lançamento de esgoto) e descobertos; zoneamento com uso misto, no qual numa mesma região ou bairro é possível morar, trabalhar, comprar e divertir-se, demandando deslocamentos mais curtos, muitos deles por meio da mobilidade ativa (a pé ou em bicicleta) e que reduziriam proporcionalmente as viagens motorizadas; entre outras medidas que visem reduzir a temperatura das áreas urbanas.
Um exemplo simples está relacionado aos estacionamentos de grandes equipamentos comerciais, como shopping centers e hipermercados, cuja pavimentação normalmente é feita com asfalto ou algo do tipo, criando verdadeiras ilhas de calor sob a radiação solar tropical, aumentando a temperatura não só naquele local, mas no entorno do empreendimento. Caso usassem pisos drenantes (que absorvem a água da chuva), com faixas de vegetação rasteira e árvores para sombreamento, tais locais seriam sensivelmente menos quentes.
Será preciso uma nova agenda pra enfrentar o calorão que vem por aí, e precisamos encontrar ideias sobre como atuar sem o sofrimento que as altas temperaturas nos provocam, e sem piorar as perspectivas do aquecimento global.

Tarcísio Bahia

Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovacao e mobilidade urbana tem destaque neste espaco

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