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Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovação e mobilidade urbana têm destaque neste espaco

Não há muitas razões para as crianças comemorarem neste ano de 2020

Estando a maior parte do tempo confinada, a criançada já deve ter perdido parte da alegria e espontaneidade que caracteriza a idade infantil, especialmente diante dessa situação que estamos vivendo

Publicado em 08/10/2020 às 05h00
Crianças de máscara olhando pela janela de casa: quarentena
Crianças na quarentena: Na pandemia, elas perderam contato com coleguinhas e ainda não sabem quando retornar às aulas. Crédito: L.Julia/Shutterstock

Dia 12 de outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil, é feriado nacional, e data na qual também quando se convencionou comemorar o Dia das Crianças.

Contudo, não há muitas razões para as crianças comemorarem neste ano de 2020. Estando elas a maior parte do tempo confinadas em casa, sem encontrar os amigos, sem poder brincar na rua, nas praças, e sequer poder dar um beijo e abraço nos avós e nos tios, a criançada já deve ter perdido parte da alegria e espontaneidade que caracteriza a idade infantil.

O isolamento social tem sido mais longo do que qualquer um poderia imaginar, e com a perspectiva atual do novo aumento no número de casos de pessoas contaminadas pela Covid-19 em diversas partes do mundo, configurando a tal segunda onda, é possível que aqui no Brasil tenhamos que estender o confinamento, logo agora quando a gente achava que estava na hora de um relaxamento e na volta gradual das atividades, tal como elas se davam no período pré-pandemia.

Enquanto isso, as crianças ficam naquela expectativa se as aulas presenciais vão ou não vão realmente voltar...

Isto me lembra uma anedota relacionada a um antigo e famoso jogador de futebol, que não se sabe se é totalmente verídica ou não, na qual ao responder uma pergunta de um jornalista sobre uma jogada inusitada que resultou num gol, disse: “fingi que fui, não fui e acabei fondo” (sic).

Ninguém está negando a importância socializadora da escola, talvez agora mais importante do que o aspecto relacionado ao aprendizado dos conteúdos das disciplinas. O problema é que o que devia ser uma questão de caráter educacional e sanitário - afinal, ainda estamos no meio da pandemia -, virou um problema jurídico, com decisões ora determinando a volta às aulas, ora suspendendo tudo.

Também é jurídica a pressão que obriga os pais a tomarem uma decisão pela volta presencial ou não dos seus filhos às aulas, inclusive com manifestação por escrito. Por fim, no meio disso tudo ainda tem a questão econômica, com pais que não conseguem trabalhar, pois não têm com quem deixar os filhos (caso eles permaneçam em casa); escolas particulares fechando e/ou demitindo por causa da perda de alunos; professores e funcionários demitidos passando dificuldades financeiras; empresas de transporte escolar sem funcionar, e assim por diante...

E, claro, junte-se isso tudo à enorme desigualdade brasileira, que se vê refletida em escolas aptas a receberem os alunos, segundo os novos protocolos, e escolas que sequer possuem pátio para atividades ao ar livre.

Como nada está tão ruim que não possa piorar, ainda temos que pensar em todo este imbróglio sob um enorme calorão em quase todo o país. Nem dá pra imaginar uma sala de aula sendo produtiva com apenas um ventilador espalhando ar quente pra todos os lados.

Aí a criançada vai ter que beber água toda hora pra hidratar, vai tirar a máscara e, provavelmente, esquecerá de botá-la novamente (aliás, se o que mais a gente vê é adulto andando por aí sem máscara ou com ela no pescoço, como imaginar que a meninada será tão disciplinada assim num ambiente dinâmico como é uma escola?).

Já que o assunto é escola, falemos de um dos conteúdos mais importantes do ensino: a matemática. É ela que tem sido usada para fazer projeções do avanço ou recuo da doença; elaborar gráficos para tomada de decisões dos órgãos de governo e para a comunicação com a sociedade; demonstrar estatisticamente quão importante é o isolamento social para reduzir o círculo de contatos que determina a taxa de transmissão e permite identificar o rastro do vírus; entre outros aspectos.

Não há dúvida de que o confinamento deverá provocar sequelas ainda imensuráveis na vida futura das crianças em idade escolar (e aqui penso nos danos psicológicos), mas a volta às aulas abrirá o círculo social de contatos, pois cada criança terá contato com outras crianças, professores e funcionários, que por sua vez terão contato com os parentes deles, com o caixa do supermercado, o feirante ou, quem sabe, com outros passageiros do transporte público, num processo exponencial cujas consequências não podem ser agora totalmente avaliadas.

De qualquer modo, esperamos que a garotada, que apesar de tudo ainda não carrega o peso da responsabilidade que a vida adulta traz, possa de algum modo brincar e se divertir neste dia delas.

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