"Para um realista não nasce a fé do milagre, antes o inventa, e quando o realista crê chega mesmo a confiar ao seu realismo a aceitação do milagre" (Os Irmãos Karamazov, Fiódor Dostoiévski)
Acho que no meu tempo de estudante, chamávamos de zoação, mas hoje, com a dependência cultural norte-americana e a mania de achar que o que é bom para o EUA é bom para o Brasil, a começar pelo próprio presidente da República, adotou-se por aqui o termo bullying.
Com a suspensão das aulas em todo o país, acreditávamos que o bullying se arrefeceria, afinal, as crianças estão em casa confinadas, apenas tendo encontros com os amigos de modo virtual. E, diferentemente da escola, quando todas as crianças da mesma série se encontravam numa sala de aula, no corredor, no pátio ou no refeitório, tivessem elas afinidades ou não, fossem amigos ou apenas colegas de turma, nos encontros on-line a meninada só se conecta com aqueles com quem eles têm afinidades, seja para jogar, para falar bobagem, dar risada juntos etc. Daí que era principalmente na escola aonde ocorria o bullying.
Em geral, o bullying se dá entre um grupo de pessoas com ideias coincidentes, que pratica algum tipo de intimidação física e/ou psicológica contra quem se mostra com comportamento, ideia ou atitudes que não são aceitas pelos demais. Uma atitude preconceituosa que hoje pode resultar até em ação criminal.
Mas eis que, mesmo com a maioria das escolas fechadas, surge um novo tipo de bullying, e pior, entre adultos: todo mundo sem máscara, em plena pandemia, zoando, caçoando, implicando, rindo de quem faz uso da máscara!
Sem falar nos casos, muitos deles que foram parar nas mídias, nas redes sociais, de pessoas nervosas, que ficaram agressivas justamente porque foram impedidas de entrar em algum estabelecimento por não estarem usando máscara.
Será que fui abduzido e vim parar no planeta errado?
Com o confinamento, muitas pessoas, sejam elas solteiras, ou mesmo famílias com filhos pequenos, resolveram ter como companhia um animalzinho de estimação em casa, de tal modo que o mercado de produtos pets aumentou significativamente.
Entretanto, na contramão deste processo, o abandono de animais de estimação nunca foi tão alto como neste período de pandemia. Independentemente dos motivos, que são vários, o fato é que se trata de algo que tem preocupado tanto ONGs de atenção aos animais, assim como órgãos oficiais como secretarias estaduais e municipais de saúde, ou o Conselho Federal de Medicina Veterinária.
Os animais abandonados provocam doenças, acidentes de trânsito, e pior, mostram o desapego das pessoas em relação àqueles seres que até pouco tempo atrás elas demonstravam ternura. Não são, portanto, animais de estimação, pois não há estima, carinho, consideração por eles, mas apenas ódio, desprezo, vilania...
Só que além do abandono, também cresceu de modo expressivo as denúncias de maus tratos aos animais. Pessoas estressadas que resolveram descontar a raiva nos bichinhos.
Que planeta é este?
E por que esta fúria de uns em relação à natureza? Logo ela que nos dá tanta coisa! Quanto rancor! Como seria viver no planeta se dela só restasse um ambiente inóspito, como alguns, com seus atos, pretendem deixar como legado.
O resultado, sem dúvida, seria um mundo totalmente bizarro, sinistro, nefasto. O verdadeiro Armagedon.
Ou talvez servisse como argumento para um filme catástrofe hollywoodiano, no qual uns sobreviventes (com máscara), fogem de pessoas sarcásticas (sem máscara) que lhes atacam, praticam bullying, contando com a ajuda de animais selvagens, pois os domésticos já foram exterminados, filmado num cenário de destruição, plantas queimadas, paisagem enegrecida, com cinzas ainda expelindo fumaça, totalmente assustador, aterrorizante.
Só falta pensar no título, pois para os papéis dos vilões eu já tenho alguns nomes para sugerir...