Arquiteto, professor da Ufes e diretor do IAB/ES. Cidades, inovação e mobilidade urbana têm destaque neste espaco

Centro de Vitória: não há esvaziamento, é justamente o contrário

É, o Centro está bombando. E parece que desta vez, ao contrário de uns anos atrás, vai engrenar de vez. Então, o que você está esperando pra ir lá?

Publicado em 15/01/2026 às 04h00

Em janeiro de 1999, publiquei um artigo no jornal A Gazeta intitulado “Um futuro para o Centro de Vitória”. O texto começava assim: “Os capixabas têm assistido a um processo promovido por diversos agentes (...) que têm como objetivo recuperar a imagem do Centro da cidade”.

Curiosamente, também o restante do artigo, escrito há 27 anos, continua se mantendo bastante atual como se tivesse sido escrito hoje: “O Centro de Vitória, dotado como está de uma série de espaços de interesse histórico, deveria organizar-se de modo a se transformar num foco de turismo urbano e cultural”.

De certo modo, é o que vem ocorrendo atualmente com várias ações paralelas que podem efetivamente impulsionar uma revitalização do Centro.

Havia, porém, um alerta, que era o fato de a região ser – ainda é – um lugar de passagem. Há um enorme fluxo de pessoas e, principalmente, de veículos, que deixam as vias locais congestionadas. Eles não se dirigem ao Centro, apenas são obrigados a passar por ali. É um movimento pendular, na maioria das vezes entre pontos distantes da Região Metropolitana, e que se acumulam nas estreitas vias entre o Parque Moscoso e a Curva do Saldanha.

E aí aqueles que desejam se deslocar para a região central para usufruir dos atrativos do lugar acabam às vezes ficando desanimados por ter que enfrentar os constantes engarrafamentos.

Dito isso, pode-se dizer que ali não há um esvaziamento, talvez seja justamente o contrário. Daí que se poderia pensar que o ideal seria trocar parte da população que simplesmente passa por lá por quem deseja estar ali. Mas isso não é fácil de ser realizado e tampouco é desejável.

É claro que a melhoria no sistema de transporte público da Região Metropolitana, que se tornando mais atraente poderia reduzir o número de veículos particulares circulando pela região, é um item capaz de alterar a realidade do trânsito local. Há, contudo, sempre o risco de que, uma vez diminuído o fluxo de automóveis, haja uma indução para mais motoristas saírem às ruas com seus carros, tal como já ocorreu tempos atrás em diversas cidades mundo afora.

Mas o que interessa aqui é falar das coisas boas que estão acontecendo no Centro.

Podemos começar pela reabertura do Mercado da Capixaba em 2024, apesar de que as lojas só tenham começado a funcionar em 2025. Em função disso, o movimento no local ainda está um pouco abaixo do esperado, mas se pode imaginar que em breve o lugar estará animado, inclusive porque lá cabem diversos tipos de eventos.

A reativação dos galpões do porto, não para armazenagem, mas para atividades culturais e educativas também é uma ótima iniciativa. O Armazém 5 recebeu a exposição “Baía de Vitória: Outras Margens Possíveis”, enquanto o Armazém 3 se tornou uma nova unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Entre os cursos ofertados, existem pelo menos dois para a área da Economia Criativa, como Design Gráfico e Programação de Jogos Digitais.

Já o Armazém 4 e o prédio anexo serão a nova sede do Museu Vale, totalizando uma área de quase 4 mil metros quadrados. Além de exposição permanente relacionada a Estrada de Ferro Vitória a Minas, haverá espaço para exposições temporárias, biblioteca e até um restaurante panorâmico na cobertura.

E o que dizer sobre a restauração do Theatro Carlos Gomes, cuja festa de reabertura reuniu um público animado em frente à praça Costa Pereira? E, falando nela, os bustos de personalidades da história capixaba localizados na praça também foram recuperados, e para marcar o momento, atores interpretaram os personagens.

Silva na reabertura do Theatro Carlos Gomes
Silva na reabertura do Theatro Carlos Gomes. Crédito: Mônica Zorzanelli

Mas não só de obras vive o momento atual do Centro, pois há também iniciativas como o OCentroTemSóVem, promovido por diversas instituições, a saber: Associação Comercial do Centro, Femicro-ES, Sebrae-ES, Senac-ES, Sindilojas Vitória, Sesc-ES, Fecomércio-ES, e com apoio do Amacentro e Pró-Centro. Trata-se de uma campanha visando justamente a valorização do Centro, tentando dar mais visibilidade à região e atrair mais visitantes.

Já o Hub ES+, com uma intensa programação, é um espaço público aberto e gratuito que vem promovendo diversos eventos, preferencialmente relacionados à economia criativa.

E ainda tem festas como o Disco Voador (um grande baile ao som do vinil), a Descida da Piedade (pré-carnavalesco), entre tantas outras coisas. A tudo isso se somam bares e restaurantes descolados, alguns deles na Rua Gama Rosa, que vem se consolidando como um point badalado da região central.

É, o Centro está bombando. E parece que desta vez, ao contrário de uns anos atrás, vai engrenar de vez. Então, o que você está esperando pra ir lá?

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

A Gazeta integra o

Saiba mais

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta.