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Economia

Retração econômica global e o futuro após a pandemia de coronavírus

Teremos um "novo normal" após a crise, diferente do contexto pré-crise. Buscar retomar o contexto pré-crise de Covid-19 apenas agravará a crise econômica e social no Brasil e em diversos países do mundo

Públicado em 

04 mai 2020 às 05:00
Rodrigo Medeiros

Colunista

Rodrigo Medeiros

Impacto na economia devido o coronavírus Crédito: Divulgação
Em artigo publicado no blog do Fundo Monetário Internacional (FMI), no dia 14 de abril, a economista-chefe da instituição, Gita Gopinath, que é professora licenciada da Universidade de Harvard, traz informações e reflexões relevantes. Sobre a pandemia de coronavírus (Covid-19), a economista afirmou que “trata-se de uma crise como nenhuma outra, e é enorme a incerteza sobre seu impacto na vida e na subsistência das pessoas”. Para Gopinath, inevitavelmente o mundo entrou em um grande confinamento para buscar salvar vidas.
A crise vigente se manifesta em múltiplas dimensões - uma crise sanitária, uma crise financeira e um colapso nos preços das commodities. Previsões do FMI apontam para a queda das atividades econômicas. Nesse cenário, há a expectativa de quedas das receitas públicas e de déficits fiscais consideráveis.
Os governos terão que sustentar a renda de seus cidadãos e ainda buscar formas de evitar o colapso de firmas. Veremos bancos centrais financiando diretamente governos nesta crise, além de buscarem garantir liquidez nas economias. A incerteza diz respeito ao cenário econômico quando sairmos do confinamento.
De acordo com Gopinath, “a perda acumulada do PIB mundial em 2020 e 2021 em decorrência da crise pandêmica pode ser de cerca de US$ 9 trilhões, superior à soma das economias do Japão e da Alemanha”. Nenhum país será poupado. Países em desenvolvimento já experimentam a reversão sem precedentes dos fluxos de capital e a desvalorização cambial de suas moedas nacionais. Seus sistemas de saúde são frágeis e várias dessas economias entraram nesta crise em um estado vulnerável.
O Brasil, por exemplo, estava desacelerando antes de ser atingido pela pandemia e a sua alta taxa de trabalho informal deveria ter merecido uma atenção maior da parte dos seus governantes. A precarização laboral brasileira vem se acentuando desde a reforma trabalhista e tal fato está correlacionado com a frágil recuperação da economia. Nossas desigualdades sociais cresceram desde 2016, conforme já mostrou o IBGE.
Segundo ponderou a economista-chefe do FMI, “a pandemia pode não recuar no segundo semestre deste ano, levando a períodos mais longos de contenção, a um agravamento das condições financeiras e a novas rupturas das cadeias produtivas globais”. Uma desglobalização de elos de atividades econômicas parece uma hipótese bem plausível nesse contexto de agravamento da crise.
Afinal, a pandemia está provocando reflexão em muitos países sobre a real necessidade de se ter reservas estratégicas nacionais de capacidades produtivas de bens e serviços. Teremos um "novo normal" após a crise, diferente do contexto pré-crise. Buscar retomar o contexto pré-crise de Covid-19 apenas agravará a crise econômica e social no Brasil e em diversos países do mundo.
Diversos tipos de processos de reconversão produtiva estão em curso em diversos países por conta da pandemia. Nesse contexto próximo ao de “economia de guerra”, os governos buscam coordenar e dirigir esforços produtivos para o abastecimento doméstico de bens e serviços necessários à preservação da vida humana. Essa substituição forçada de importações se impõe como realidade e necessidade em um contexto pandêmico.
No Brasil, infelizmente, faltam coordenação e liderança da parte do governo federal para acelerar iniciativas necessárias dessa natureza. Ainda que o processo de desindustrialização precoce brasileira prejudique iniciativas mais ousadas de reconversão produtiva, há ações nesse sentido entre nós, inclusive sob a coordenação da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes).
Não sabemos como será exatamente o futuro pós-pandêmico. Combinaremos atividades econômicas presenciais com atividades remotas e teremos que investir mais esforços em processos de transformação digital nas organizações? Provavelmente sim. Nesse sentido, é razoável supor que ocorrerão processos de redesenho profundo das organizações após a pandemia.
O investimento público em infraestrutura também será relevante, de preferência com enfoque na sustentabilidade. Um “novo acordo verde” (Green New Deal, em inglês) seria muito interessante. Dessa proposta de novo acordo, destaco dois pontos para o Brasil: 1) reformar e consertar infraestruturas existentes para diminuir emissões e melhorar a eficiência energética; 2) fomentar indústrias “limpas”, usando tecnologia para reduzir as emissões.
A cooperação multilateral será importante para a economia mundial. No entanto, não será possível evitar alguma dose de desglobalização em um contexto que demandará significativos estímulos fiscais no pós-pandemia.
Para Gita Gopinath, “assim que as medidas de contenção forem abolidas, as políticas devem passar rapidamente para o apoio à demanda, o incentivo à contratação pelas empresas e a reconstrução dos balanços dos setores público e privado para ajudar na recuperação”.
As projeções do FMI apontam para uma queda da economia mundial de 3% em 2020 e uma queda de 5,3% para a economia brasileira. A América Latina acompanhará a projeção do nosso patamar de queda. Mesmo que a crise não se estenda muito no tempo, não será tranquilo o cenário pós-pandêmico por conta dos efeitos de histerese nos mercados de trabalho e nas capacidades produtivas instaladas. Serão necessários esforços coletivos e coordenação federativa para a reconstrução nacional.

Rodrigo Medeiros

É professor do Instituto Federal do Espírito Santo. Em seus artigos, trata principalmente dos desafios estruturais para um desenvolvimento pleno da sociedade.

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