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Crise do coronavírus

Pandemia de Covid causou 22,1 milhões de mortes, o triplo do registrado inicialmente, diz OMS

Inédita, estatística inclui causas indiretas ligadas aos óbitos, como sobrecarga nos sistemas de saúde; relatório reúne dados de 2020 a 2023

Publicado em 15 de Maio de 2026 às 16:09

Agência FolhaPress

Publicado em 

15 mai 2026 às 16:09
CAMPINAS - O Relatório de Estatísticas Mundiais de Saúde 2026, publicado na quarta-feira (13) pela OMS (Organização Mundial de Saúde), traz notícias amargas para a saúde global, resultantes principalmente da crise do coronavírus.
A começar pelo número de mortos em razão da pandemia: 22,1 milhões de pessoas, segundo a organização. Esta estimativa, inédita, é três vezes o número oficial, de 7 milhões de mortos pela Covid-19 entre 2020 e 2023.
É como se duas cidades de São Paulo tivessem desaparecido em quatro anos. Os números, contudo, não incluem apenas mortes causadas diretamente pelo coronavírus. Há fatores indiretos citados como propulsores.
O principal deles, diz o relatório, foi a interrupção e a sobrecarga nos sistemas de saúde. Isso teria dificultado o acesso de pacientes com outras condições graves, que não conseguiram atendimento imediato ou leitos hospitalares por causa da superlotação. Em razão de possível subnotificação em países de baixa renda, o contingente de mortos pode ser ainda maior.
Atrasos em intervenções e interrupção de serviços essenciais também contribuíram para alavancar as taxas de mortalidade. Cortes em assistência e financiamento podem ter reduzido o acesso a medicamentos e vacinas, por exemplo.
Covid-19: ES registra 14.397 mortes e 1.048.456 casos confirmados
Os homens foram os mais atingidos pela Covid, representando 57% das mortes. Pixabay
Outro ponto são as doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, cujos tratamentos foram impactados por falta de acompanhamento. Cânceres e condições cardiovasculares também estão neste grupo, na esteira das interrupções dos serviços.
O texto destaca que os países responderam ao avanço dos casos graves de Covid escanteando, naturalmente, as demais frentes de atendimento.
Fatores socioeconômicos e comportamentais integram a conta, sob a ótica ampliada dos impactos. A crise afetou, por exemplo, a subsistência das populações, o que novamente impacta saúde e mortalidade.
O marco temporal de 2020 a 2023 refere-se aos anos em que a pandemia fora considerada uma emergência de saúde pública internacional.
A OMS afirma que o ápice ocorreu em 2021, com 10,4 milhões de mortes excedentes, impulsionadas por variantes como a delta. O excesso cai para 3,3 milhões em 2023. O ano de 2022 é tratado como ponto de desaceleração entre os dois extremos.
Para chegar ao excedente de mortalidade, pesquisadores analisaram quantos óbitos ocorreram em anos antes da pandemia para criar uma base de quantas pessoas morreriam naturalmente por diversas causas.
Depois, contabilizaram o número de mortes durante os anos de pandemia, e a diferença entre os dois números é o excedente. Se em um ano comum morreriam 100 pessoas e em 2021 morreram 120, o excedente é de 20 vidas perdidas, por exemplo.
O cálculo utilizou boletins hospitalares, registros de óbitos e de estatísticas vitais dos países.

Perfil

De acordo com os resultados, sexo, idade e geografia determinaram o risco. Os homens foram os mais atingidos, representando 57% das vítimas globais; no ápice da crise, em 2021, a mortalidade masculina chegou a ser 50% superior à feminina.
A idade avançada consolidou-se como o maior fator de risco, com 65% dos óbitos concentrados em pessoas com 65 anos ou mais. Neste grupo, os idosos com mais de 85 anos enfrentaram um risco de morte dez vezes maior do que adultos na faixa dos 55 a 59 anos, por exemplo.
Geograficamente, o sudeste asiático registrou a maior parcela da mortalidade mundial (27%), enquanto as Américas foram a região mais duramente impactada pelo recuo na expectativa de vida.

Recuperação

Segundo a OMS, o impacto da Covid-19 representou um retrocesso de proporções históricas, apagando em um intervalo de dois anos quase uma década de progresso na longevidade global.
A expectativa de vida mundial, que havia atingido 73 anos em 2019, despencou para 71 anos em 2021, retornando aos níveis registrados em 2011.
Embora o indicador tenha se recuperado em 2023, o restabelecimento total ainda é incompleto e desigual. Apenas a expectativa de vida feminina retornou globalmente aos patamares pré-pandemia, enquanto a masculina e a expectativa de vida saudável permaneciam ligeiramente abaixo dos marcos de 2019 até o final de 2023
Para garantir uma retomada sustentável e proteger esses ganhos contra futuros choques, a OMS destaca como cruciais o fortalecimento dos sistemas de saúde orientados à atenção primária, a expansão da cobertura universal de saúde e o investimento urgente em sistemas de dados precisos de mortalidade.

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