A modelo Yasmin Brunet usou as redes sociais para desabafar sobre o lipedema, dessa vez exibindo fotos de hematomas nas pernas. “Ter lipedema é saber que você vai ter hematomas do nada”, escreveu. “POV (Point of View): um dia normal de lipedema”, brincou depois ao mostrar os roxos nas pernas.
Mas qual a relação dos hematomas com o lipedema? O cirurgião plástico Rafael Erthal explica que o tecido adiposo de uma paciente portadora de lipedema é doente e inflamado, diferente da gordura normal e o comportamento dessa gordura doente determina um conjunto de alterações microvasculares através de três mecanismos principais.
"O tecido gorduroso inflamado comprime os vasos sanguíneos e linfáticos da região acometida, fazendo com que o fluxo sanguíneo fique mais lento na região; Depois associa-se a isso a fraqueza da estrutura de tecido conjuntivo que envolve esses vasos sanguíneos e que deveriam sustentá-los em uma situação de normalidade", explica. Com isso, ocorre a formação de mais vasos sanguíneos na tentativa de nutrir melhor esse tecido inflamado, mas essa angiogênese (formação de mais vasos) é defeituosa, o vaso novo já nasce disfuncional.
O médico acrescenta que esse conjunto de eventos determina o que é chamado de ‘fragilidade capilar’, ou seja, os vasos sanguíneos da região acometida por lipedema ficam mais frágeis, mais fáceis de serem rompidos. “Essas pequenas lesões vasculares vão acontecer na paciente que tem lipedema mesmo em traumas mínimos e frequentemente imperceptíveis - como uma pressão determinada por uma roupa mais justa, o toque de um animal de estimação e coçadura de pele, que são situações que normalmente não causariam hematomas em uma mulher saudável, mas acabam causando na portadora de lipedema”, destaca.
O médico enfatiza que é fundamental destacar que a presença constante desses hematomas, associada a dores ao toque e simetria do acúmulo de gordura (geralmente nas pernas ou braços, poupando pés e mãos), são os grandes sinais de alerta que devem levar a paciente a buscar um tratamento especializado para essa condição. “Por isso, o acompanhamento clínico e a adoção de um estilo de vida saudável são indispensáveis para evitar a progressão da doença. Além disso, em alguns casos, a cirurgia redutora de lipedema pode ser indicada”, comenta o médico.