Hoje abordo neste espaço um tema que parece óbvio, mas que só se revela por completo no meio da caminhada: o labirinto em que muita gente cai quando decide comprar ou vender um imóvel.
Quando alguém decide comprar um imóvel, qual é a primeira coisa que faz? Vai dar uma espiada nos portais. E quando quer vender, faz o mesmo. Ali está a primeira percepção de mercado, o primeiro juízo de valor sobre o que o mercado oferece em termos de preços. E aí começa a Via-Crúcis.
Ao procurar anúncios, o comprador frequentemente se depara com as chamadas iscas: anúncios atrativos nos quais, na prática, o imóvel anunciado simplesmente não existe. São apenas chamarizes para captar contatos. Há casos ainda mais graves: anúncios fraudulentos, consórcios desmantelados de forma criminosa, e o fenômeno da pulverização: o mesmo imóvel anunciado cinco, dez, quinze vezes, com áreas privativas diferentes, preços diferentes, cada portal com uma versão da história. O comprador começa a se perder antes mesmo de visitar um único apartamento.
E faz parte da natureza humana querer acreditar na verdade que nos é conveniente. O comprador vê um anúncio com valor super atrativo e imediatamente o fixa como referência na cabeça, sem ter visto o imóvel, sem saber da vista fechada, do prédio em estado precário, do apartamento com problemas estruturais que o anúncio simplesmente omite.
Para quem vende, o raciocínio se inverte, mas a armadilha é a mesma. O vendedor vê apartamentos anunciados com valores completamente distorcidos e passa a usá-los como base para precificar o seu imóvel. O resultado? O imóvel fica exposto com valor equivocado, entra imobiliária, sai imobiliária, entra cliente, sai cliente, e nada acontece. Meses se passam, o imóvel estigmatiza, e o vendedor não entende o motivo.
O comprador, por sua vez, vai rodando pelo mercado igual barata tonta: profissionais levando para ver imóveis que não têm absolutamente nada a ver com a sua demanda real, decepção atrás de decepção, um cenário confuso e pantanoso. Até que, depois de muita cabeçada, ele começa a entender que a dinâmica do mercado é mais complexa do que imaginava.
Qual a solução? Tratar o assunto com o profissional que de fato entende do mercado onde você está comprando ou vendendo. Não uma opinião de corredor, não um "achismo" baseado em anúncio de portal. Um profissional que sente com você, entende a sua demanda real, e lhe apresenta o mercado com dados, com fatos.
Para quem está vendendo: procure um profissional que saiba precificar o imóvel com base em transações reais de apartamentos semelhantes, na mesma região. Que possa formar um laudo de avaliação sustentado por dados concretos. Porque avaliação sem laudo não é avaliação, é opinião. E opinião qualquer um tem.
O caminho do mercado imobiliário é irreversível: o profissionalismo se faz cada vez mais necessário. Com a propagação de informações pela internet e pela inteligência artificial, o joio e o trigo se separam com muito mais velocidade. Quem acreditava que o trabalho do corretor iria desaparecer estava enganado. Mais do que nunca, a particularidade de avaliar e realizar a venda de um investimento exige expertise humana, sensibilidade de mercado, e responsabilidade técnica.
Afinal, estamos falando do resultado do trabalho de uma vida inteira. Muito tempo se trabalhou para comprar aquele imóvel. Muito tempo se vai trabalhar para pagar aquele imóvel. E isso sem mencionar a diligência documental: uma matrícula aparentemente limpa pode esconder armadilhas que só um olhar experiente identifica.
Portanto, na hora de comprar ou vender um imóvel: não caia no conto da carochinha. Você não operaria sua vesícula com base na opinião do vizinho, certo? Iria procurar um especialista. Com o seu patrimônio, a lógica é exatamente a mesma.
O mercado imobiliário é dinâmico, vivo e implacável com quem o subestima. Com o profissional certo ao seu lado, ele pode ser também muito generoso.
MAIS RENATO AVELAR
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