A Influencer Rayane Souza é uma das vozes no movimento Plus Size Capixaba. Já representou o Estado em diversos concursos de beleza plus size levando a bandeira do empoderamento e da auto estima da mulher plus

De fake news a gordofobia escancarada: o ódio na internet tem limite?

É preciso que se deixe claro que a liberdade de expressão tem limite a partir do momento que fere, discrimina e ofende a dignidade de qualquer pessoa

Publicado em 06/08/2020 às 09h00
Atualizado em 06/08/2020 às 09h01
Léo Lins
Léo Lins fez piada preconceituosa com  modelo plus size e seu companheiro. Crédito: Instagram

Muito se fala na potência da rede social devido à informação rápida e dinâmica. Mas isso nem sempre acontece de forma verdadeira ou positiva e muitas vezes são usadas para fazer o mal.

Internet é mesmo terra de ninguém? Um lugar onde todos podem dizer o que bem entendem sem qualquer tipo de sansão? E qual o limite dessa liberdade de expressão? Recentemente o comediante Léo Lins, um dos integrantes do programa 'The Noite', apresentado por Danilo Gentili, usou forma indevida relacionada a imagem da modelo plus size Bia Gremion, e do seu companheiro Lorenzo MagnaBoshi, homens trans, para chamar atenção do seu público no intuito de vender ingressos pros seus próximos shows.

O objetivo de “chamar atenção” utilizando a foto de uma mulher gorda e de seu companheiro, na intenção de causar impacto, configura gordofobia e transfobia. Qual o limite para essas ações?

A modelo e a sua advogada já estão tomando todas as providências jurídicas, para que o “humorista” seja responsabilizado pela atitude discriminatória e pelo uso indevido de imagem para fins comerciais. Mesmo com toda a repercussão negativa, Léo Lins continuou se posicionando de maneira agressiva e se intitulando o “Rei do Humor Negro”, expressão racista, ultrapassada e que só comprova como o humor muitas vezes não entretém, mas contribui para criar uma sociedade opressora.

Notícia falsa

Outra situação absurda envolvendo discursos de ódio na internet foi o caso do influencer e ativista Caio Revela, que ficou entre os trending topics do Twitter com a #ripcaiorevela, decorrente de uma notícia falsa anunciando seu falecimento.

Corre a notícia de que a fake news foi originada dentro de um grupo do Facebook conhecido como “LDRV”, que é exclusivo de ataques e conteúdos tóxicos na internet (como isso existe?).

A fake news utiliza a imagem de Caio ao lado de um corpo gordo em uma cama de hospital. E alegam que sua morte decorre de “obesidade mórbida”. Gordofobia, é o nome que se dá a essa atitude grotesca, que já passou da hora de ser criminalizada. 

O delegado da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos, Brenno Andrade, alerta sobre os crimes contra a honra no âmbito cibernético. “Infelizmente esses crimes contra a honra crescem cada vez mais na esfera da internet, pois muitos acreditam que nenhum tipo de conflito possa ocorrer dessas atitudes. Mas enganam-se, pois existe a responsabilização tanto na esfera criminal quanto na esfera cível para esses tipos de conduta. E mesmo que esses crimes sejam cometidos por perfis fakes, a polícia civil já possui mecanismos de investigação capazes de identificá-los” 

O Delegado também orienta as vítimas a náo deixarem de prestar seus depoimentos e procurarem seus direitos nesse sentido.

Internet não é terra de ninguém. E é preciso que se deixe claro que a liberdade de expressão tem limite a partir do momento que fere, discrimina e ofende a dignidade de qualquer pessoa.

Fake news Fique bem Gordofobia

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.