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“BBB 20”: “Meu pai só não bateu na minha mãe quando morreu”, diz Gizelly

Capixaba eliminada do reality da Globo falou com exclusividade à coluna sobre violência doméstica, desafetos, insegurança e revelou para quem está torcendo

Publicado em 18/04/2020 às 07h00
Atualizado em 18/04/2020 às 09h09
Gizelly Bicalho, advogada e ex-BBB capixaba
Gizelly Bicalho, advogada e ex-BBB capixaba . Crédito: Reprodução/Instagram @gizellybicalho

Assim que foi eliminada do “BBB 20”, na noite da última terça (14), a capixaba Gizelly Bicalho falou brevemente com Tiago Leifert, apresentador do reality da Globo, e logo partiu para o estúdio com Fernanda Keulla, onde participou de live por meio das redes sociais da emissora.

Sem cerimônia e até se arriscando em meio à pandemia do novo coronavírus, a Furacão não pensou duas vezes antes de abraçar a entrevistadora e ex-BBB. A atitude, caro leitor, é um reflexo de um pouco da personalidade da advogada criminalista: intensa e de verdade.

Gizelly Bicalho

Advogada e ex-BBB

"Ser de verdade tem um preço que eu sempre pago"

E quando, lá atrás, a capixaba se incomodou com o brother Babu, que em certa ocasião criou polêmica após ser acusado de violência contra o colega de confinamento Daniel, ela não o fez sem motivos.

A coluna já publicou relato da mãe de Gizelly, a empresária e produtora rural Márcia Machado, mas ouviu da boca da própria jovem: “Só eu sei como que é, com 2, 3, 4 anos de idade, ver seu pai espancar sua mãe todo dia, viver acuada na rotina de violência doméstica”.

Gizelly conversou em primeira mão com este colunista, logo na manhã desta sexta (17), pouco depois de acordar. Ela e a mãe vieram do Rio para Vitória nesta quinta (16) e ainda neste fim de semana pretendem se isolar em Piaçu, de onde a ex-sister é natural, no interior do Estado.

Gizelly Bicalho, advogada e ex-BBB capixaba
 . Crédito: Reprodução/Instagram @gizellybicalho

Ainda aprendendo a lidar com a fama, a eliminada até brincou: “Hoje eu queria ir ao supermercado. Só queria ir ao supermercado (risos)”. Mas por onde ela vai, anda chama atenção dos fãs. Para se ter uma ideia, ela, que conquistou mais de três milhões de seguidores só no Instagram, virou até “endereço”.

“Os vizinhos estão falando que são meus vizinhos, fazendo ‘propaganda’ disso. Estou amando esse carinho. Onde eu vou, tem esse carinho. Queria abraçar e beijar todo mundo, mas não pode por causa do coronavírus”, lembra.

Durante o bate-papo, Gizelly falou sobre desafetos dentro do reality, para quem ela deixa sua torcida a partir de agora e expectativas da carreira.

Gizelly Bicalho, advogada e ex-BBB capixaba
 . Crédito: Reprodução/Instagram @gizellybicalho

Como foi a experiência dentro do “BBB”?

O primeiro sentimento é de euforia. Tipo: ‘Não estou acreditando que isso está acontecendo’. A gente não acha que está sendo tão filmado como é e toda hora eu pensava: ‘Nossa, estou realizando o sonho da minha vida’. Aí depois vem um sentimento de medo, você fica assustada. Depois tem ‘surtos leves de tênis’ (expressão para se referir a momentos curtos de aflição, angústia) e começa a ficar apavorada: ‘O que está acontecendo?’.

Você chega a ficar insegura?

Depois do que falei, vem a insegurança. Depois volta a alegria, o medo... Aí volta a insegurança de novo. É um ciclo. Fora a falta da autoestima. São muitos extremos que você vive lá dentro. Eu começava a me olhar no espelho e via tudo negativo.

E os confinados sabem como será o jogo, o que vai acontecer...?

Lá dentro a gente sofre como louco. Você não sabe que horas são, que horas o Tiago (Leifert) vai aparecer, se vai ter prova, como vai ser a dinâmica... A gente vive ansioso. Quando chega na final, que vai mudando então, aí que a gente fica mais desesperado ainda.

Gizelly Bicalho

Advogada e ex-BBB

"Eu chorava muito em pensar em voltar para a sociedade. Não por medo da eliminação, mas por como eu seria recebida. Lá dentro a gente sai da zona de conforto"

E você já conseguiu acompanhar tudo o que falaram de você aqui fora?

Não... Me falaram que eu era muito ‘cancelada’ no Twitter, mas eu não sei nem o que é isso. Falaram que meus fãs eram fortes na internet, também... Que as ‘Advogadas da Gigi’ eram verdadeiros furacões (risos). E que eram muitas mulheres, muitos furacões mulheres.

O paredão que te eliminou foi disputado com uma pessoa que já havia voltado de sete paredões, o Babu. Ainda assim, a disputa foi acirrada. E fica ainda mais acirrada se considerarmos que era só o seu segundo paredão. Fora que no primeiro paredão você teve menos de 0,7% dos votos (nível histórico do “BBB”). Mas a que atribui esse sucesso com o público?

Eu acho que esse sucesso é reflexo da identificação que as pessoas tiveram comigo. Eu falo sem pensar, brincaram que eu era a que mais tinha lido sobre o jogo, o regulamento... Mas não tinha confiança em mim. Acho que quando eu falava alguma coisa, o Brasil também estava sentindo a mesma coisa. Mas acho que faltou confiança.

Que confiança?

De saber a história que eu tenho, a mulher que eu sou... E quando você entra lá é tudo diferente. Eu já sou uma pessoa que na vida pessoal tem pouca confiança. Confinada, é um mix de sentimento que te deixa muito insegura. E nunca passou pela minha cabeça que eu era uma pessoa querida.

Você acha que criou algum desafeto entre os colegas?

Para mim, ficou claro que as questões com o Hadson, Felipe e Lucas ficaram lá dentro. Aqui fora, a gente recebe tanto amor que eu não quero me desgastar com coisa pequena de jogo. Nossa ideologia era totalmente diferente. A produção pegou perfis conflitantes e sabiam desse conflito. Mas está tudo bem! Vida que segue. A gente não consegue agradar todo mundo. Quem me conhece, sabe que eu fui a Gizelly.

Faria algo diferente?

Ser verdadeira, ser de verdade, foi a maneira que eu encontrei de conquistar as pessoas. E ser de verdade tem um preço que eu sempre pago. Mas não faria nada diferente.

Você mostrou muita preocupação com sua credibilidade como advogada enquanto esteve confinada. Afinal, ter sido você no “BBB” vai acarretar em mais preconceito?

Eu já sofria muito preconceito antes. Por ser uma mulher, jovem... Advogada sofre muito. A pessoa olha e fala: ‘Com essa carinha aí?’. Quando eu postava foto de biquíni, no Instagram, já gerava comentário. Eu era bombardeada. Durante o confinamento, comecei a surtar de medo. E eu saio da casa com a minha nomeação intacta, tenho um título na Associação dos Advogados Criminalistas (Abacrim) do Espírito Santo, fui nomeada pelo doutor Homero Mafra, que é o presidente. Depois de eliminada, na hora que liguei meu celular, a primeira mensagem que vi foi a dele. Ele dizia: ‘Você nos trouxe orgulho. Suas falas traziam muito orgulho’. E pensei: ‘Estou no céu’ (risos). Soube que alguns grupos de advogados até assinaram Globoplay para ficarem de olho! (Risos).

Gizelly Bicalho

Advogada e ex-BBB

"O que eu mais temia era de ninguém gostar de mim e a advocacia me rejeitar. Mas foi o contrário. Eu dei voz a uma causa que talvez nunca teria tido voz. Contei casos de violações de prerrogativa da advocacia, dentro do presídio, e foram coisas que eu vivi, que a advocacia vive. E isso nunca teve uma voz tão grande, em uma emissora abrangente, como a Globo"

Em alguns momentos, os internautas, sobretudo do Twitter, acabavam criando polêmica em torno de algumas falas suas, como o episódio com o Babu, sobre a questão da violência, da agressão contra o Daniel. Você se sentiu injustiçada ou mal interpretada às vezes?

Em relação ao Babu: quando uma pessoa vira e fala que queria bater em alguém, vira e fala que ia resolver com duas ‘porradas’... Para mim, é assustador! E atinge um ponto dentro de mim que só eu sei o que vivi. Só eu sei o que é, com 2, 3, 4 anos de idade, ver seu pai espancar sua mãe todo dia, viver acuada no ambiente da violência doméstica. O único dia que meu pai não bateu na minha mãe foi no dia em que ele morreu.

Em contrapartida, você teve apoio de muitos famosos que revelaram admiração por você. De cabeça, consigo citar Giovanna Ewbank, que disse que quer ser sua amiga pelo seu jeito sincero. Como está lidando com essa fama?

Teve o Carlinhos Maia, também (risos). As pessoas da minha cidade até falam que eu não vou mais voltar para lá... Mas não é assim. Hoje eu só queria ir ao supermercado, só ao supermercado, e não estou conseguindo. As pessoas estão descobrindo onde eu moro, vizinho está fazendo ‘propaganda’ que é meu vizinho... Onde eu vou, tem esse carinho. Queria beijar, abraçar todo mundo! Só não pode agora por causa do coronavírus. E sei que, se fiquei lá esse tempo todo, é porque o público gostou da Gizelly. Tudo que eu construí nesse período, eu devo a essas pessoas que estão atrás de mim.

E pretende explorar a fama nesse momento?

Agora eu quero aproveitar tudo o que esse momento pós-BBB, esse meu destaque, puder me proporcionar. Todas as oportunidade que surgirem. Quero ver o que uma ex-BBB da edição que teve a maior audiência da história da Globo consegue. Continuo com a minha carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), tenho muito orgulho de ser advogada, é uma profissão linda, tenho orgulho de ser criminalista e se esse momento passar, voltar para a advocacia será um prazer, vai ser maravilhoso. Eu amo! O mundo do entretenimento eu também amo, as duas coisas vão me deixar feliz.

E de que forma você recebeu as notícias em torno da pandemia do coronavírus assim que foi eliminada?

A gente não tem noção do que está acontecendo quando está lá dentro. Foi assustador! A gente achava que era só afastamento, não sabíamos dessa quantidade de gente morrendo, dessa loucura. Quando saí me falaram que não podia nem encostar! Agora eu entendo toda a cautela.

E para quem fica sua torcida agora?

Para a ‘comunidade hippie’.

Ninguém em específico?

Para todas as meninas da ‘comunidade hippie’.

E o que andou fazendo nesses dias depois de ser eliminada?

Sai do programa e fui descansar. Depois gravei algumas coisas na Rede Globo e cheguei a Vitória nesta quinta (16). Estou falando com você agora, vou dar outras entrevistas que já estão agendadas e resolver outras demandas e depois vou para Piaçu. Pretendo ir nesse fim de semana.

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