É diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves. Pós-Doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo (Ufes), pesquisador do IJSN e professor da Universidade Vila Velha (UVV). Escreve às quartas

Cariacica pode se tornar a segunda economia do ES

Com um PIB projetado de R$ 32,8 bilhões Cariacica pode superar a economia de Vitória (R$ 32,2 bilhões) neste ano de 2026. Se as projeções se confirmarem, Cariacica finaliza esse ano como a 2ª maior economia do Espírito Santo

Publicado em 04/03/2026 às 04h00

Com coautoria de Antônio Ricardo da Rocha

Os dados oficiais do Produto Interno Bruto (PIB) mais atualizados que foram divulgados reportam a realidade dos municípios brasileiros conforme a fotografia do ano de 2023. Essas informações são trabalhadas no âmbito da rede nacional de pesquisa do Sistema de Contas Regionais (SCR), que integra esforços de instituições de pesquisa e gestão pública em nível nacional e estadual, que ostentam credibilidade e rigor científico.

O Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) representa o Espírito Santo e integra essa estratégica rede de produção de dados oficiais e inteligência que embasam o planejamento e processo decisório relativos ao desenvolvimento socioeconômico nacional, estadual e nos mais de 5.500 municípios brasileiros.

Dada a sua magnitude de unidades geográficas e diversidade de bases de dados, o esforço para o cálculo do PIB oficial resulta em um atraso temporal aproximado de dois anos. É por isso que em 2025 foram publicadas as informações relativas ao ano de 2023.

Em artigo publicado neste espaço de A Gazeta, elaborado com base nos dados do PIB dos Municípios Capixabas, destaquei que, na corrida da economia, Cariacica está acelerando. Em 2023, a Serra manteve o posto de maior economia do ES, com um PIB de R$ 37,6 bilhões. Em seguida, perdendo tração, estava a capital Vitória com PIB de R$ 28,2 bilhões. Vila Velha e Cariacica registraram PIB de R$ 19,7 bilhões, ou seja, essas duas cidades chegaram juntas na corrida da economia em 2023.

Entre esses municípios, os mais populosos e economicamente relevantes do Estado, Cariacica foi o que apresentou a maior taxa anual de crescimento geométrico para o período de 2019 a 2023, a saber, uma taxa de 18,6%. Vila Velha e Serra computaram taxas de crescimento muito próximas 11,6% e 11,5%, respectivamente. E Vitória apresentou uma taxa anual de crescimento de 4,5%, o que de certa forma evidencia a perda relativa de dinamismo econômico.

O período de 2019 a 2023 representa o recorte temporal que melhor reflete a dinâmica econômica mais recente, conforme os dados oficiais disponíveis. Com base nas taxas anuais calculadas, projetamos os valores dos PIBs até o presente ano de 2026. Insta salientar que essas são projeções matemáticas que tomam como base somente as taxas de crescimento observadas, não considerando outras variáveis e eventuais fatores atípicos.

Dois destaques chamam atenção nesse nosso ensaio estatístico. Primeiro, a Serra amplia significativamente a sua diferença em relação aos demais municípios, se consolidando como a maior economia estadual com um PIB de R$ 52,2 bilhões em 2026.

Vista aérea de Cariacica
Vista aérea de Cariacica. Crédito: Claudio Postay/Prefeitura de Cariacica

O outro destaque fica com Cariacica. Em 2024, esse município encerraria o ano com um PIB estimado de R$ 23,3 bilhões, superando Vila Velha (R$ 22,0 bilhões) e alcançando o posto de 3ª maior economia capixaba. E não para por aí, segundo os cálculos das projeções, com um PIB de R$ 32,8 bilhões Cariacica pode superar a economia de Vitória (R$ 32,2 bilhões) neste ano de 2026. Se as projeções se confirmarem, Cariacica finaliza este ano como a 2ª maior economia do Espírito Santo, sendo superada somente pela Serra.

Nesse cenário projetado, Cariacica passa a ocupar uma posição ainda mais privilegiada na dinâmica econômica capixaba. Não se trata apenas de números em ascensão, mas de um movimento que reflete localização estratégica na Região Metropolitana, expansão logística, novos investimentos, planejamento urbano mais adequado e maior integração produtiva com a economia estadual.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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