Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Legislativo

Por que a escolha de não legislar deve ser respeitada

Sim, faz sentido no sistema democrático aceitar e respeitar uma lei ruim, talvez até estúpida, especialmente porque é o produto de um processo democrático

Publicado em 05 de Junho de 2025 às 02:30

Públicado em 

05 jun 2025 às 02:30
Marcelo Pacheco Machado

Colunista

Marcelo Pacheco Machado

A lei é uma escolha política. No sistema democrático, cabe aos representantes eleitos, organizados em câmaras, assembleias ou no Congresso Nacional, a árdua missão de propor e debater projetos legislativos, e aprovar os textos decorrentes dos debates democráticos e devidamente aderentes ao texto da Constituição.
As leis, certamente, merecem respeito. Por mais que surja uma modernidade bem questionável, pregando mais e mais poderes ao juiz, para criar sua própria lei, a verdade é que a atividade judicial, assim como a administração pública de modo geral, somente tem legitimidade democrática se se submete ao texto das leis. Boas, ruins, eficientes ou não, são o produto do jogo democrático, o qual impõe aderência.
Há uma anedota norte-americana, no sentido de que a Suprema Corte teria um “carimbo secreto”, usado para rejeitar ações que questionam a constucionalidade das leis, pelo simples fato de serem ruins na visão dos magistrados, dizendo: STUPID, BUT CONSTITUCIONAL (estúpido, mas constitucional).
Sim, faz sentido no sistema democrático aceitar e respeitar uma lei ruim, talvez até estúpida, especialmente porque é o produto de um processo democrático. Do mesmo modo que faz sentido aceitar a eleição de um candidato estúpido e incompetente, se este for o resultado do processo político democrático.
A necessidade de respeito ao legislativo, porém, deve ir além do mero respeito às leis. A decisão política de não legislar, ou de não legislar ainda sobre um determinado tema, também deve ser respeitada.
É válido na democracia entender que a sociedade não está madura ainda para determinada regulação social, diante da presença de dúvidas sobre a melhor forma de regular um novo fato social, ou mesmo embrenhar a convicção – cada vez mais popular no Brasil – de que certos temas devem estar submetidos à liberdade, e não à regulação.
Congresso Nacional, em Brasília
Congresso Nacional, em Brasília Crédito: Roque de Sá/Agência Senado
Seria, então, um “estado de coisas inconstitucional” a decisão do Congresso de não criar certas obrigações e deveres jurídicos, os quais entende impertinentes e inadequados, com respaldo em grande parcela da população civil?
Certamente que não. E é muito importante que tal premissa não seja ignorada. Especialmente diante de um Congresso que debate há anos, e de uma sociedade que muito discute, se cabe mesmo ao Estado, numa democracia, regular o que as pessoas podem falar nas redes sociais. A regulação, e quem inspira ou aspira pela regulação, pode estar eventualmente inebriada por certos confucionismos.

Marcelo Pacheco Machado

É advogado, doutor e mestre em Direito pela USP. Autor de livros e artigos na área do Direito Processual. Professor em cursos de pós-graduação em todo o país. Diretor da Escola Superior da Advocacia da OAB.ES. Sócio do BKM Advogados

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Obras do Transcol na Avenida Carlos Lindenberg, que fazem parte do projeto Expresso GV, um corredor exclusivo de ônibus (BRT)
Após reclamações, Avenida Lindenberg tem ajustes em obra e trânsito melhora
Jiboia é resgatada de estante de uma casa na Prainha em Vila Velha
Jiboia é encontrada em estante de casa na Prainha, em Vila Velha
Imagem de destaque
5 dicas de decoração para deixar a casa mais aconchegante no inverno

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados