No final de 2019, a expectativa de crescimento do Brasil em 2020 era da ordem de 2,3%. Mas veio o coronavírus... E, ao invés de um crescimento naquele patamar, o país vai enfrentar uma retração do PIB estimada em 6%. Ou seja, a nossa economia vai perder mais de 8% – o que é muito grave.
Quem podia imaginar que iríamos nos deparar com uma crise desta magnitude, jamais vista pelas atuais gerações? O Brasil, que vinha se recuperando da crise econômica iniciada em 2014, diante da gravidade e das peculiaridades desta crise, terá pela frente um gigantesco desafio.
Num cenário de mudanças de hábitos e costumes – adquiridos pela sociedade no período da quarentena (tema do artigo anterior) – o país vai se deparar, também, com problemas diferentes dos enfrentados nas crises anteriores. E as soluções destes novos problemas estarão na dependência da superação de obstáculos institucionais que sequer foram identificados.
O trabalho de reconstrução nacional será desafiador, sendo preciso levar em conta as seguintes circunstâncias: (1) A adequação da sociedade a uma nova forma de viver em razão da pandemia; (2) A gravidade da crise econômica e social que o país tem pela frente, das maiores da sua história; (3) Os desdobramentos políticos decorrentes da pandemia e o agravamento da desarmonia entre os poderes da República; (4) O fato de o regramento institucional do país, em muitos aspectos, ter ficado fora de sintonia com a nova normalidade, dentro da qual o Brasil deverá ser reconstruído.
Neste quadro complicado, em que a União sofreu um gigantesco rombo para socorrer os mais necessitados, que o setor produtivo foi duramente impactado em razão da paralisação obrigatória, e que o problema do desemprego se agravou, só um grande entendimento nacional poderá evitar que sociedade sofra um sacrifício, além de duríssimo, demasiadamente prolongado.
Assim, diante do Brasil diferente que temos pela frente, as reformas estruturantes (tributária e administrativa) – mais agora do que antes – se mostram imprescindíveis e urgentes.
Mas só as reformas não bastam. Será também essencial a aceleração do programa de privatizações e concessões, como também as adequações institucionais necessárias para sintonizar o país com a nova normalidade.
E o mais complicado – e também muito necessário: a diminuição das tensões entre os três Poderes e a conscientização da classe política de que a reconstrução do país só será viabilizada mediante uma grande mobilização nacional.
Será isso possível?