O processo de desindustrialização da economia brasileira não é um fenômeno recente. Mas, em anos mais próximos, digamos nos últimos dez anos, esse processo vem se acelerando. Isso pode ser comprovado, por exemplo, através da pauta de exportações, crescentemente concentrada em produtos de menor valor agregado.
Em 2019, produtos classificados como commodities representaram cerca de 67% do valor das exportações. A questão central é que esse processo não se resume apenas às exportações mas também à produção industrial para o mercado interno, que gradualmente vem sendo atendido por importações.
No entanto, por vias adversas, obviamente não planejadas, a pandemia da Covid-19 poderá proporcionar oportunidades para sua reversão com a reindustrialização. E novamente pela via de substituição de importações.
O Brasil na sua história econômica passou por dois processo distintos de substituição de importações. O primeiro na depressão da década de 30 do século passado, forçado por obstáculos ao acesso de produtos industrializados vindos do exterior. Em síntese, foi uma substituição compulsória.
Já a segundo, iniciado na década de 50, contou com forte ingresso de recursos externos trazidos por empresas multinacionais, especialmente americanas, e foi capitaneada pela indústria automobilística e de eletrodomésticos. De lá para cá, não podemos deixar de registrar, muita coisa mudou e o Brasil se transformou numa economia industrial e relativamente complexa, porém, ainda muito fechada.
Agora, com sua indústria combalida e de certa forma tornada menos competitiva por uma séria de razões que não convém aqui relatar, o Brasil poderá dispor de uma nova oportunidade para ativação e sofisticação do seu parque industrial pela via de um processo de reindustrialização substitutiva de importações.
Também janelas de oportunidades poderão decorrer de impactos e efeitos de um processo de reposicionamentos territoriais de grandes, sofisticadas e longas cadeias produtivas mundiais. Processo esse que já se encontra em curso. Grandes grupos econômicos e empresas estão revendo suas bases de suprimento e em alguns casos promovendo a repatriação de suas bases de produção, especialmente no bloco asiático. Isso por conta da pandemia da Covid-19.
Para o Espírito Santo, podemos vislumbrar duas boas janelas de oportunidades: uma do exterior e outra do mercado interno. A do exterior, postando-se e qualificando-se enquanto alternativa confiável para se transformar em base alternativa de suprimento. Já no mercado interno, aproveitando as oportunidades da reindustrialização substitutiva de importações.