Que as coisas estão mudando com mais velocidade, especialmente no uso de novas tecnologias, não temos dúvida. E a Covid-19 tem funcionado como acelerador desse processo. Consumidores e empresas de diferentes tamanhos e segmentos se encontram em pleno trabalho de aprendizado em como lidar, e de certa forma também como sobreviver, em tempo de pandemia. Um exercício nunca antes experimentado.
No entanto, não sabemos até que ponto tais mudanças se firmarão no pós-pandemia, ou nos novos normais que se sucederão, e com quais profundidades. Uma dessas mudanças percebidas diz respeito ao comportamento do consumidor em relação ao acesso a bens e serviços na forma digital: o consumidor on-line.
A pergunta-chave a ser feita no momento, tendo como foco o comportamento do consumidor, e que interessa sobretudo às empresas para a definição de suas estratégias, diz respeito ao quanto mudou, como mudou e até que ponto essas mudanças serão confirmadas e intensificadas no tempo. Buscando levantar evidências estatisticamente mais confiáveis, a Futura foi a campo entre os dias 30/04 e 04/05 e levantou, via telefone, informações interessantes e até surpreendentes.
Segundo a pesquisa, 58% dos entrevistados declararam que fizeram compras on-line durante o período de distanciamento social. Cerca de 54% deles compraram comida pronta, principalmente fazendo uso de aplicativos. Perguntados se adiaram algumas compras, cerca de 72% responderam negativamente, enquanto as respostas positivas ficaram concentradas em itens como roupas e acessórios, eletroeletrônicos e produtos de supermercados.
Mas a informação mais surpreendente é extraída nas respostas à pergunta: Pós-pandemia, como pretende realizar a maior parte das suas compras? 42% afirmaram que farão suas compras em lojas físicas de pequenos negócios, próximas às residências, reforçando assim o apelo ao comércio e serviços de bairros. Já 37% vão optar por grandes lojas físicas e shoppings, enquanto cerca de 19% optarão por fazer compras on-line.
A pesquisa permite ainda agrupar os entrevistados em três categorias: os “on”, os “on/off” e os “off”. Os “on” integram o grupo daqueles adeptos e costumazes em fazer de compras on-line. Estes correspondem a 20%, e são representados por pessoas mais jovens – 33 anos - e renda mais alta. Já os “off”, ou seja aqueles fora do on-line, têm uma fatia de 20%, idade média de 52 anos e renda mais baixa. Enquanto os “on/off”, que formam a maioria ( 56%), idade média de 38 anos e renda na média geral.
Para quem esperava mudança sem retorno, a pesquisa mostra que não será bem assim, pelo menos no médio prazo.