O Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo indica uma concentração de atividades econômicas em alguns poucos setores e seus segmentos. Grande parcela da economia capixaba está atrelada às atividades de serviços e à indústria, estando esta última concentrada nas atividades relacionadas em diferentes níveis à transformação de commodities em produtos semiprocessados, abarcando também atividades correlatas.
Essa configuração econômica gera de forma automática dependências particulares quanto às fontes de receita estadual e municipais, ao processo de geração de empregos e à persecução de desenvolvimento regional descentralizado. Em momentos de crise, como o que agora se avizinha devido ao novo coronavírus, efeitos recessivos concentram-se, por conseguinte, nos setores que justamente alicerçam a economia estadual.
Dessa maneira, torna-se evidente a dependência da manutenção da dinâmica econômica e do crescimento econômico almejado, sujeitos à performance de poucos setores.
Os mecanismos para impedir este problema podem reduzir os riscos da instauração ou piora de um cenário econômico resultante dessa dependência. As políticas anticrise (ou anticíclicas) são os dispositivos destinados ao combate dos efeitos nocivos ao funcionamento da economia devido a acontecimentos econômicos inesperados. Estas políticas são utilizadas com o intuito de amenizar os impactos na economia, podendo ser desenvolvidas de forma perene, como políticas contínuas (não reativas), mitigadoras de fraquezas econômicas (o mais aconselhado) ou podem ser desenvolvidas no momento da eclosão de crises.
O processo de diversificação do parque industrial capixaba – estímulo ao desenvolvimento de novos segmentos industriais – é uma das possibilidades para se formular uma política anticrise perene, mas que assumiria um viés reativo à crise que se instala, ao permitir que a economia passe a ser sustentada por diferentes atividades.
Com a existência de uma miríade de segmentos industriais, a economia capixaba reduziria a sua dependência setorial, diminuindo os riscos inerentes às crises internas ou externas, amenizando os seus efeitos.
Uma das formas de estimular essa diversificação é a criação de uma política industrial no Espírito Santo, englobando (i) dispositivos de atração de novos investimentos; (ii) de financiamento das novas indústrias via bancos públicos; (iii) e mecanismos de estímulo ao desenvolvimento de inovação e tecnologias aplicadas às indústrias.
A existência de setores industriais fundamentais à sociedade pode inicialmente conduzir a política ao apoio dos segmentos que ofertam produtos básicos à população, com reduzida elasticidade da sua demanda, como os subsetores da indústria alimentícia e os subsetores da indústria de bens essenciais. Estes segmentos têm a sua demanda quase inalterada nas crises, o que garante novos alicerces para a economia.
Vale ressaltar que tão importante quanto os segmentos ligados diretamente aos produtos de consumo imediato são os segmentos das tecnologias digitais, na fronteira do conhecimento. Estes devem concomitantemente ter a sua indústria atraída para o ES, pois correspondem às tecnologias garantidoras da competitividade na economia contemporânea.
Criar uma política industrial no Espírito Santo que promova a diversificação da indústria e, consequentemente, da sua economia, mostra-se como uma possibilidade de reduzir a suscetibilidade às crises econômicas, ainda mais ao se considerar os indicativos da crise atual que se apresenta ao país, provocada pelo novo coronavírus, e que deve ser imediatamente combatida.