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Diversificação

Geração de energia pode se tornar um novo setor econômico para o ES

O Estado pode se debruçar sobre a possibilidade de criar um parque termoelétrico capixaba. Os benefícios seriam a redução do custo de energia para a indústria e demais setores e a consequente atração de investimentos

Publicado em 13 de Março de 2020 às 05:00

Públicado em 

13 mar 2020 às 05:00
Aldren Vernersbach

Colunista

Aldren Vernersbach

Usina termelétrica Crédito: Divulgação
O Espírito Santo é o Estado da Região Sudeste com o maior consumo per capita de energia. A geração de eletricidade ocorre principalmente via gases diversos em processos térmicos (35,1%), termelétricas a gás natural (18,5%), lixívia (17,7%) e usinas hidrelétricas (24,7%). O ES possui poucos rios com potencial de gerar energia, o que justifica essa configuração diferente do Brasil.
O que deve ser salientado é a possibilidade de se elevar a exploração das fontes energéticas já existentes e outras fontes renováveis para ampliar a geração dentro do território capixaba e fazer surgir uma indústria de energia, essencial aos demais setores econômicos.
Projetos de usinas termelétricas estão sendo desenvolvidos e alguns já estão sendo construídos no país, com o objetivo de aproveitar todo o potencial gasífero brasileiro. Na Região Sudeste, o Rio de Janeiro desponta com a expansão da malha de escoamento do gás do pré-sal para o Complexo do Açú, onde está em implantação um dos maiores parques de geração de termoeletricidade do mundo.
O Espírito Santo concentra um grande potencial gasífero, sendo atualmente o segundo maior produtor de gás do país, possuindo a quarta maior reserva gasífera do Brasil. A geração de energia a partir do gás é uma das alternativas de monetização deste ativo energético, valendo-se da estabilidade energética proporcionada pelo gás e do seu preço reduzido em comparação a outras fontes de energia, o que tem efeitos sobre o custo de produção das empresas.
O Estado pode se debruçar sobre a possibilidade de criar um parque termoelétrico capixaba, o que resultaria no surgimento de um novo setor econômico. Os benefícios seriam a redução do custo de energia para a indústria e demais setores e a consequente atração de investimentos.
Vale ressaltar que o consumo final de energia do Espírito Santo – consumo de todas as fontes, como petróleo, gás e eletricidade – tem apresentado crescimento ao longo do período 2008-2018, sendo a indústria a principal demandante de energia, consumindo 57,9%. Logo, a demanda capixaba por energia deve ser acompanhada de investimentos na obtenção de ativos energéticos e geração de energia elétrica, a fim de supri-la e não permitir a ampliação da importação de energia por parte do estado.
Atualmente, o ES importa cerca de 70% da energia elétrica consumida. Destaca-se que como o Espírito Santo tem um grande potencial gasífero, o Estado pode não apenas se tornar autossuficiente em energia, mas também exportá-la para o país.
As fontes de energias renováveis também são uma opção para a geração de eletricidade em território capixaba. Contudo, o Estado possui um potencial de geração eólica e solar ainda não explorado. No segmento de parques eólicos, o ES já possui estudos que indicam as áreas ideais para a sua instalação, mas a possibilidade de produção offshore (no mar) capixaba sequer foi mensurada, o que já vem sendo realizado em outros Estados brasileiros. Quanto à energia solar, o ES também apresenta potencial de geração mapeado, porém, nenhum investimento de grandes proporções foi executado.

70%

Atualmente, o Espírito Santo importa cerca de 70% da energia elétrica consumida, mas tem potencial para instalar um novo parque produtivo
Para que o potencial energético do Espírito Santo seja aproveitado, criando-se uma indústria da energia e beneficiando os demais segmentos econômicos, é imprescindível a parceria público-privada na identificação de projetos a serem implantados. A geração de energia é atividade essencial para sustentar a produção na economia. O Espírito Santo possui ativos energéticos, como o gás, que podem ser direcionados à geração de eletricidade, além das fontes renováveis já mencionadas.
A expansão do setor industrial como um todo e a instalação de novos segmentos industriais intensivos em energia dependem da constante ampliação da oferta da mesma. Logo, o ES, detentor de fontes energéticas variadas, pode utilizar a geração de energia como atrativo para investimentos específicos.

Aldren Vernersbach

A economia capixaba tem espaço aqui, com textos do economista, pesquisador e consultor, vinculado ao Instituto de Economia da UFRJ, membro do GEE, economista-membro da International Association for Energy Economics (IAEE) e do Institute for New Economic Thinking (INET)

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