A prevenção das doenças respiratórias por meio da vacinação é uma das estratégias mais eficazes em saúde pública, reduzindo significativamente internações, complicações e mortes. No Brasil, essas vacinas estão disponíveis tanto pelo Sistema Único de Saúde (SUS) quanto na rede privada, com diferenças em acesso, tecnologia e abrangência.
Para entender um pouco melhor como essas redes de assistência pública e privada se complementam, é necessário olhar a recomendação organizando por faixa etária, destacando recomendações e particularidades.
Nas crianças (0 a 9 anos), faixa correspondente ao calendário infantil, a vacinação tem papel crítico, pois o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento e o risco de complicações respiratórias é maior.
Entre as principais vacinas estão: a pneumocócica conjugada (VPC10 no SUS), que protege contra pneumonia, meningite e otite causadas pelo pneumococo; a vacina contra Haemophilus influenzae tipo b (Hib), incluída nas vacinas combinadas do calendário infantil; a DTP (difteria, tétano e coqueluche), essencial para prevenir a coqueluche, uma infecção respiratória grave em bebês; a vacina contra Influenza, oferecida anualmente no SUS para crianças de 6 meses a menores de 6 anos (5 anos, 11 meses e 29 dias); e a vacina contra a COVID-19, incluída no calendário infantil conforme atualizações.
Para essa faixa etária, o SUS oferece um esquema completo, cobrindo as principais doenças com foco populacional.
Já na rede privada, há opções como as vacinas pneumocócicas VPC13 ou VPC15, que abrangem mais sorotipos, além da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), que no SUS está disponível apenas para gestantes.
Na faixa de adolescentes e adultos (10 a 59 anos), a vacinação é frequentemente negligenciada, mas permanece essencial, especialmente para a prevenção de surtos e a proteção indireta de grupos vulneráveis sobretudo entre aqueles que convivem com idosos e crianças menores de 5 anos.
As principais vacinas incluem: Influenza, aplicada anualmente a grupos prioritários; a vacina contra Covid-19, com reforços periódicos conforme a presença de comorbidades; a dT ou dTpa (reforço contra tétano e coqueluche); e a pneumocócica, indicada para grupos de risco.
No SUS, o acesso é direcionado principalmente a grupos prioritários, como gestantes, profissionais de saúde e pessoas com comorbidades. Já na rede privada, qualquer adulto pode se vacinar, independentemente desses critérios.
Para o grupo com 60 anos ou mais, há maior risco de complicações graves, como pneumonia, insuficiência respiratória e hospitalização. Além disso, essa é a faixa etária com maior mortalidade por doenças respiratórias. As vacinas recomendadas incluem: Influenza, aplicada anualmente antes do período de inverno; Covid-19, com reforços a cada seis meses; a pneumocócica; e, mais recentemente, a vacina contra o VSR (vírus sincicial respiratório).
Nesse grupo, há diferenças entre o SUS e a rede privada. O SUS oferece proteção eficaz com a VPP23, enquanto a rede privada disponibiliza vacinas conjugadas mais modernas, como a VPC20, que proporcionam uma resposta imunológica mais robusta e duradoura. Além disso, a vacina contra o VSR para idosos já está disponível na rede privada, mas ainda não foi incorporada ao sistema público para essa faixa etária.
O SUS garante acesso universal às vacinas essenciais e desempenha papel central na redução das doenças respiratórias no Brasil, com foco epidemiológico voltado ao impacto coletivo e à proteção dos grupos mais vulneráveis.
Na prática, sempre que possível, a melhor estratégia é combinar ambos os serviços: seguir o calendário do SUS, que assegura proteção coletiva contra as principais doenças, e complementar com vacinas disponíveis na rede privada, ampliando a proteção individual.
A vacinação, portanto, segue como um dos pilares fundamentais das estratégias de saúde. É uma medida simples, segura e altamente eficaz na prevenção de doenças respiratórias e, ao longo dos anos, tem salvado muitas vidas.